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Viagens
Por Redação Guia da Semana

Um lindo destino

Colunista passou pelo caminho feito para peregrinos no estilo Santiago de Compostela.

Foto: Arquivo Pessoal

Neste carnaval, fui finalmente conhecer o Caminho dos Anjos. O Caminho foi inicialmente formatado pelo Alexandre Gaspar para peregrinos no estilo Santiago de Compostela. No ano passado, um circuito de três dias para bike foi aberto. O primeiro trecho vai de Baependi ao sítio Três Pinheiros, o segundo do sítio ao Vale do Matutu e finalmente do Vale à Alagoa.

Seguindo a proposta do nome do caminho, dos Anjos, a melhor maneira de definir o que encontrei pelo caminho é escolher um anjo para cada dia. E logo no primeiro trecho tenho que admitir que minha impressão inicial de passeio no parque, pois eram apenas 116 quilômetros, em três dias, foi por terra. Este pedaço ficou a cargo do anjo caído, Lúcifer.

As subidas da segunda parte da jornada foram infernais. Pirambas com cara de 20 graus de inclinação faziam a bike querer empinar por estar com alforjes. E, para completar, a prefeitura colocou umas pedras para os carros não atolarem na lama. E justamente essas pedras, de calcário e quadradas, não oferecem tração alguma pra bike. Resultado: só empurrando.

A primeira parte é bem tranquila, do abrigo de Baependi até ao Espraiado do Gamarra são 16 quilômetros com algumas subidas, mas todas pedaláveis. É chegando ao espraiado que os problemas começam. Primeiro porque o local é um convite ao desfrute, principalmente em dias quentes. O rio forma uma piscina natural de água geladinha com direito a corredeira pra diversão geral.

Neste ponto há outro abrigo do caminho que é gerenciado pelo Seu Nadinho, uma figura que, junto com sua trupe, faz um almoço genial por um preço imbatível. Somando tudo isso, o tempo passa e aí é que as coisas se complicam. Duas subidas chatas e uma descida que não permitia grandes velocidades tomaram todo o tempo do mundo. A luz acabou para mim faltando dois quilômetros para o sítio.

O segundo dia começa com um pedal tranqüilo por uma estrada em que dividimos espaço com bois, vacas e afins. O piso é firme e agradável de pedalar, mas basta uma piscada a mais para tingir de verde os paralamas e alforjes. Nesse ponto, o trecho foi batizado de Caminho das Fezes.

A segunda parte até o Vale do Matutu requer vontade. As subidas nesse ponto são pedaláveis. No entanto, o calor passa a ser um problema. Depois das subidas há uns barzinhos para ajudar no refresco. Mas só depois da penitência.

O Vale do Maturu é a pérola do Caminho dos Anjos. Valeu a pena enfrentar o calor e chegar por volta das 5h30 no local. Cheguei a tempo de poder apreciar com calma o cair do dia e poder fotografar à vontade.

O vale possui um ar de rústico chique. O preço das refeições é o maior de todo o caminho, apesar de não apresentar nada mais do que experimentamos com o Juninho no sítio. Mas, mesmo assim, teria valido a pena chegar neste ponto ao meio dia para aproveitar mais do lugar e da gastronomia.

O restaurante da Dona. Iraci, que fica ao lado do abrigo, serve pizzas assadas em um forno feito de barro de cupinzeiros, além da típica comida mineira servida no forno à lenha. Mas há também um restaurante natural e o Café do Casarão, além de outros.

Virar a serra na fresca, como recomenda os mineiros, é realmente mais fácil. Assim foi a saída do Vale. Passando para o outro lado o visual também pede por muitas fotos. Isto torna a descida tão longa em tempo quanto à subida. Tanto foram as paradas pra fotografia.

Depois desse morro o restante do trecho de 27 quilômetros no total é tranquilo. Chegamos à Alagoa a tempo de pegar o almoço na casa do Flávio que opera o abrigo local e recebe muito bem os peregrinos.

Para quem ainda tem pernas, à tarde há uma opção de um passeio de sete quilômetros para a uma cachoeira. Esta parte não fizemos, pois o tempo virou e uma tempestade rondou a cidade.

Leia as colunas anteriores de Marcelo Rudini:

Homenagem justa

Praia de bike

Museu da magrela
Quem é o colunista: Fotógrafo e editor do site OndePedalar - bike e cicloturismo

O que faz: Fotógrafo editorial.

Pecado gastronômico: Um só? Na Bahia, biju; em São Paulo, pizza; em Curitiba, estrogonofe de nozes e, em Belo Horizonte, feijão.

Melhor lugar do mundo: Aquele que te faz se sentir bem, equilibrado.

Fale com ele: [email protected]

Atualizado em 6 Set 2011.

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