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Turismo
Por Redação Guia da Semana

Um passeio inusitado pela história de Embu das Artes

Um passeio despretensioso por Embu num sábado sem nada para fazer, mostrou-se interessante, revelando uma cidade cheia de arte e história por todos os lados.

Fotos: Luciene Cimatti


Conhecer a história da Estância Turística de Embu, hoje sinônimo de arte e antiguidades, por conta da famosa feira dos fins de semana, já é um bom começo. A cidade teve origem em uma aldeia indígena, que transformou-se em vila, em meados do século XVII, após a chegada dos jesuítas na região. Ali os padres começaram a fabricar, com a ajuda dos índios, todos os móveis, utensílios, oratórios e imagens sacras necessários aos avanços da Companhia de Jesus. Foi lá também que os jesuítas instalaram uma escola de artes e ofícios, o que explica a relação antiga e histórica da região com a arte. Desde então, artistas tem eleito o local para montar seus ateliês, galerias e antiquários, espalhados pela cidade.

Assim que cheguei à praça central de Embu, notei que lojas, bancos e caixas eletrônicos têm descaracterizado um pouco o local, como acontece em muitas regiões interioranas atualmente. Entretanto, os encantos de uma cidade nem sempre se revelam de imediato, sendo preciso paciência para explorá-la um pouco mais. Seguindo adiante, logo descobri o centro histórico, a parte mais charmosa da cidade. Nesse local, algumas das obras feitas na época dos jesuítas podem ser vistas no Museu de Arte Sacra, sediado na Igreja de Nossa Senhora do Rosário, construída por volta de 1690. O prédio de arquitetura em estilo barroco paulista, apresenta um acervo rico em imagens de anjos, santos e personagens bíblicos entalhados em madeira, modelados em terracota ou em armações em roca.

Nas imediações do museu, há um centro cultural, que exibe exposições de arte, em seus três ambientes, auditório destinado a palestras, recitais, espetáculos musicais e teatrais. As ruas adjacentes abrigam a extensa feira de artes, além de galerias e todos os tipos de lojas, que vendem desde tapetes e vasos, até móveis rústicos e objetos antigos, procurados por colecionadores. Mas a arte espalha-se democraticamente pela cidade, sendo possível encontrar plantas e flores ornamentais, bijuterias, pinturas, porcelanas, artesanatos variados e todo tipo de bugigangas imagináveis, para agradar a todos os gostos.

Vale a pena conhecer todos os cantinhos próximos ao centro histórico, aproveitando para observar a beleza da arquitetura colonial, as ruas de pedras e suas simpáticas vielas. A charmosa Viela das Lavadeiras é imperdível, toda florida, com loja, galeria, creperia e restaurante/antiquário, onde além de fazer uma refeição, pode-se adquirir os objetos do local, incluindo mesas e cadeiras. Não resisto e pergunto a um dos lojistas o significado do nome da viela e ele explica que antigamente havia um lago na parte de trás e que as lavadeiras atravessavam a viela a caminho do trabalho. Por um momento, chego a visualizar as moças seguindo enfileiradas, com enormes trouxas na cabeça, para lavar roupas no lago...

Voltando para o outro lado da cidade e já que os índios foram os pioneiros na região, nada mais justo do que dar uma olhada no espaço destinado à cultura indígena, o Museu do Índio, criado para promover debates de temas relacionados a nações indígenas, grupos étnicos, costumes, hábitos alimentares e arte em geral. O museu, que foi planejado por um artista plástico, é bem cuidado e expõe com bom gosto a arte e objetos indígenas, complementando a história da cidade.

Mas nem só de arte e história vive o Embu. Os visitantes também procuram o local pelos restaurantes e bares que lotam as calçadas com mesas e choupanas, onde turistas e nativos conversam animadamente, ao som de música ao vivo. Quem gosta de música também pode assistir a shows nos fins de semana, que acontecem no Largo dos Jesuítas, em frente à igreja.

Para todos que, como eu, gostam de cultura, visitar feirinhas e experimentar as guloseimas do local, passar uma tarde no Embu é um prato cheio. Além disso, é uma boa oportunidade para conhecer a arquitetura da época colonial, entre outras lembranças deixadas pelos jesuítas, o que com certeza vale uma visita de tempos em tempos.


Quem é a colunista: Alguém que adora animais, escrever, fotografar, passear por aí.
O que faz: Jornalista e professora de inglês
Pecado gastronômico: Todas as massas e muito chocolate.
Melhor lugar do mundo: Minha casa ao lado dos meus bichos. Ah e tem também a praia de Garopaba em SC.
Fale com ela: [email protected]

Atualizado em 6 Set 2011.

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