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Viagens
Por Redação Guia da Semana

Uma cidade que aprecia o fumo. Sem moderação

Foto: Arquivo Pessoal


Voltei! E como disse na última coluna, darei uma pausa dos relatos da viagem para uma breve explicação sobre o título acima.

Santa Cruz do Sul tem sua economia baseada na indústria do tabaco. Dados da prefeitura confirmam que aproximadamente 77% da arrecadação do município vem por meio de indústrias que produzem derivados do produto, plantado em mais de oito mil hectares. Essa posição de destaque fez com que a cidade se tornasse, no Rio Grande do Sul, uma das recordistas em recolhimento de tributos federais. Apenas em 2005, foram quase R$ 300 milhões em IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Ainda assim, a compensação é maior, tanto para o produtor quanto para a cidade, que também se mantém com o turismo corporativo, por meio da chegada de empresários que exportam e importam fumo em folha.

Cultura limpa

Após passar uma tarde chuvosa inteirinha, acompanhando as explicações da fumicultura em uma lavoura, vestindo uma capa de chuva (em vão), quero registrar aqui um pouco do que aprendi, sem a intenção de defender o cigarro, acreditem. Ao contrário de qualquer afirmação de que o fumo é "sujo", uma divulgação do Sindicato da Indústria do Fumo (Sindifumo) mostra que a sua lavoura de produção é a que menos utiliza agrotóxicos, com apenas 1,3 quilos do produto aplicado por hectare. Mas, fica a importância de se recordar que o cigarro contém mais de 4 mil substâncias tóxicas, entre elas a nicotina, o monóxido de carbono e o alcatrão, que contém radioativos. Segundo relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), o alcatrão é o principal agente causador de poluição doméstica e ambiental, além de doenças pulmonares, diversos tipos de câncer e infecções. Mas vamos voltar ao passeio em Santa Cruz.

Adorno inusitado

Voltei ensopada para o hotel, mesmo com capa de chuva. A combinação água + alta temperatura do plástico da capa não me fez nada bem e senti que uma gripe se aproximava.

Tomei um banho e segui para o jantar oferecido na Casa Textor, um imóvel construído há 138 anos e que pertence à Universal Leaf Tabacos, empresa de exportação de fumo. Um dos objetivos da Casa é resgatar os costumes dos imigrantes, através de um retrato produzido nos moldes do século 19. Na decoração, um telefone movido à manivela, lampiões a querosene, um gramofone (que funciona, ressalte-se) e uma chaleira de bronze, entre outros. Mas, o adorno que mais me chamou a atenção foram os vasos com folhas de fumo sobre as mesas do refeitório. Nas pilastras do local, folhas de fumo amarradas! Haja fumo! Lá, tive a plena certeza de que Santa Cruz do Sul realmente aprecia o fumo sem moderação.

Na próxima coluna encerro minha saga pelo Rio Grande do Sul.

Ata mais!

Leia colunas anteriores de Belisa Frangione:

? Deu pra ti, vou pra Santa Cruz do Sul


? Nem só de praia vive Santos


? Café, cultura e alegria: isso é Santos


Quem é a colunista: Belisa Frangione

O que faz: jornalista

Pecado gastronômico: comida japonesa e chocolate

Melhor lugar do Brasil: São Paulo

Fale com ela: [email protected]





Atualizado em 6 Set 2011.

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