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Turismo
Por Redação Guia da Semana

Vento a favor

Colunista passou pela Praia do Cassino, com 220 quilômetros de extensão.

Foto: Arquivo Pessoal

Com o final do inverno os ventos começam a mudar. O bom e quente ar vindo do nordeste, o mesmo que trouxe Cabral, volta a soprar dando início à temporada de pedaladas rumo ao ponto mais ao sul do Brasil, o Chuí. Para quem não sabe pedalar na praia no Rio Grande do Sul, só com vento a favor.

A praia do Cassino começa na cidade de Rio Grande e se estende por 220 quilômetros até o fim do Brasil. Ou como dizem os gaúchos, até o começo do Brasil. É a maior praia do mundo em extensão. Uma faixa de areia ininterrupta que separa o mar do banhado.
Para fazer este caminho em direção ao sul é preciso contar com a ajuda do vento nordeste. Ou colocando de outra maneira, se não houver o nordeste, o vento vindo do sul impera e, neste caso, é passar raiva, pois o vento que trás frio é sempre forte e a bike não sai do lugar.

Logo no começo da praia, ainda na cidade de Rio Grande, os molhes da entrada do porto já mostram um mundo diferente. Como as águas costeiras nesta região são muito rasas, foi necessário construir duas barreiras artificiais para proteger o canal de entrada dos navios. Essas barreiras avançam cinco quilômetros mar adentro e em uma delas foi colocado um trilho onde carrinhos a vela levam turistas para ver a praia de dentro do mar.

Deixando os molhes, percebo que o vento é o mestre das coisas nessa praia. São vários kitesurfs cortando as ondas e vários outros brinquedos a vela passeando pela areia batida. Um fato que me chama a atenção é a quantidade de carros na praia e parados quase do mesmo jeito. Passando por eles, percebo que eles estão ali por uma justa causa. São anteparos para que as pessoas possam ter algum sossego com o vento. Quem não brinca com ele, quer fugir dele. Nesta hora, fico imaginando o que eu teria na bagagem para usar de vela pra economizar no pedal.

Cerca de dez quilômetros abaixo, o balneário do Cassino é o último sinal de civilização antes da parte deserta da praia. Depois desse ponto, somente no farol do Albardão é que deveria ter uma pessoa da marinha. Mas quando passei por este ponto, só consegui pegar água e não vi ninguém. Neste trecho central da praia, por uns 70 quilômetros, eu me senti o último ser da terra. Fora uns passarinhos, só encontrei tartarugas, baleias e pinguins; todos mortos.

Com o vento às costas, a pedalada é tranquila e até veloz. O pessoal da região chega a fazer todo o trajeto em um dia, já que com a ajuda do vento é possível desenvolver uma velocidade maior que 25km/h mesmo na praia. Mas como pressa não era meu caso, fiz o percurso em dois dias acampando junto a um farol. Achar um local protegido do vento para montar a barraca é uma das duas tarefas complicadas no passeio. Achar até que é fácil, mas chegar a esta proteção quer dizer empurrar a bicicleta sobre areia fofa por uns 50 metros no mínimo. A outra tarefa é passar pelo concheado na hora certa.

O concheado é uma parte com cerca de cinco quilômetros, onde o mar deposita conchas e mais conchas. Quando me falaram do lugar, eu imaginava que seria até mais duro e fácil de passar. Mas quando cheguei ao trecho e tentei ir pelas conchas a roda atolou até o eixo. Elas formam um "castelo de cartas" e a areia fica por cima. Dentro é oco. Para passar por ali só junto ao mar e de preferência com maré baixa.

Passado esse ponto, aos poucos, o mundo começa a voltar a sua frente. Ao longe uns pontinhos no infinito parecem movimentar-se. Às vezes, o que parece um carro bem longe é uma tartaruga que está mais perto do que imaginamos. Ou o que parece ser um homem ao longe, é uma bóia de sinalização encalhada. Ver novamente uma pessoa depois de um dia no meio do nada é uma experiência interessante.

No fim da minha viagem, outro balneário aprece junto com um vento mais forte. Faço um teste e paro de pedalar, ficando em pé na bike para tentar servir de vela. A bike continua a andar com o velocímetro marcando 19,5km/h. Acho divertido, mas depois de chegar ao rio Chuí de dar tchauzinho pro Uruguai do outro lado, tenho que voltar 500 metros pra sair da praia e ir pra cidade. É aí que sinto o quanto o vento que me divertiu minutos atrás pode ser chato. Pedalar contra o vento neste ponto do Brasil, nem pensar.

A cidade do Chuí é simples, mas muito divertida. De um lado da Avenida, o Uruguai, e, do outro, o Brasil. Tudo é mais barato no Uruguai, inclusive o almoço com aquele churrasco que só eles sabem fazer. Tem várias lojas de importados também. Só cuidado, pois apesar de não haver uma ponte da amizade por ali com posto da Receita, eles existem e ficam na estrada de saída. As cotas são as mesmas do Paraguai e se caso você for com uma bike importada, leve a nota fiscal, pois eles podem atormentar dizendo que você comprou no Uruguai.

Quem é o colunista: Fotógrafo e editor do site OndePedalar - bike e cicloturismo

O que faz: Fotógrafo editorial.

Pecado gastronômico: Um só? Na Bahia, Biju; em São Paulo, pizza; em Curitiba, Strogonoff de nozes e, em Belo Horizonte, feijão.

Melhor lugar do mundo: Aquele que te faz se sentir bem, equilibrado.

Fale com ele: [email protected]

Atualizado em 6 Set 2011.

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