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Turismo
Por Redação Guia da Semana

Vida Nova aos Municipais

Após cinco meses de reforma, o Teatro do Rio de Janeiro reabre suas portas no mês de maio; o Municipal de São Paulo continua em obras.

Foto: Divulgação/ Secretaria de Estado da Cultura do RJ



"O gabinete de vestir era mobiliado de sândalo com incrustações de marfim. Os tapetes altos de seda turca contavam em azul sobre fundo rosa suratas do Korão. Um cheiro de rosas errava no ar (...)". Neste trecho do conto A amante ideal, de João do Rio, há a descrição de como era o Teatro Municipal do Rio de Janeiro no início do século XX. Quando o escritor fala sobre o cheiro de rosas no ar, refere-se à cor que predominava no majestoso espaço: bois de rose (lê-se boá de rouse) ou rosa antigo, que recobria todo o estofamento das poltronas. Os que não viveram nessa época poderão reviver a sensação do poeta, pois é esta a cor que voltou a predominar no Municipal do Rio, após a grande reforma que teve início em janeiro deste ano e perdurou até meados de maio.

Por coincidência e necessidade de infraestrutura, o Teatro Municipal de São Paulo também passa por reformas. Com o objetivo de restauração da parte externa e interna, as obras no local caminham a passos mais lentos do que as do Rio de Janeiro, além de contar com uma verba mais escassa. A reforma que começou em junho de 2008 tem previsão de terminar no segundo semestre de 2010.

A volta do tradicional

Foto: Divulgação/ Secretaria de Estado da Cultura do RJ


 Inúmerasmudanças foram feitas nos cinco meses de reforma no templo carioca. A intenção principal dos responsáveis pela obra era resgatar os detalhes originais do teatro da época de sua inauguração, em 1909. "Fizemos toda a parte de douramento a folha nas instalações do Teatro, trabalho que só havia sido feito em sua construção", explica a arquiteta coordenadora das obras, Cecília Modesto. Tudo foi minuciosamente pensado e toda a paleta de cores primárias das paredes foi recuperada, a partir do processo de raspagem até que se chegou a primeira camada de tinta.

O mobiliário original também foi resgatado. O tom bois de rose, que encantava a todos os frequentadores do Municipal no início do século passado, voltou a cobrir as poltronas do teatro. Para agilizar o processo, foram instaladas oficinas dentro do Teatro, que contou com o apoio de técnicos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac). De acordo com Cecília, houve melhorias na parte de infraestrutura, como na parte elétrica e hidráulica. O sistema de ar condicionado também foi alterado para chillers de ar. O antigo, que soltava gotículas de água, prejudicava o telhado e também as esculturas de arte. Foram instalados equipamentos de segurança, como detectores de fumaça.

O carpete vermelho que revestia o chão, o balcão e a galeria foi retirado e substituído pelo piso de madeira, como em seu original. O revestimento, que transmitia suntuosidade ao Teatro, prejudicava sua acústica pois absorviam muito o som e impediam sua reflexão. O estabelecimento já passou por quatro reformas, mas nenhuma na proporção desta que utilizou os materiais mais nobres e modernos, tanto que o orçamento chegou a R$ 75,4 milhões. "Foram mobilizados 986 profissionais nessa última reforma e restauro do Teatro. Por coincidência, praticamente a quantidade de pessoas envolvidas na construção: 1.000", informa Cecília, justificando a grandiosidade dessas modificações.

A reabertura do Municipal do Rio aconteceu no dia 27 de maio, para convidados e autoridades. Para o público, o dia 29 foi o grande dia, com a apresentação da ópera O Trovador. Para saber mais informações sobre a programação de reabertura do teatro, acesse o site theatromunicipal.rj.gov.br.

Mudanças necessárias


Foto: Wikipédia

Inaugurado dois anos depois do Teatro do Rio, em 1911, o majestoso Municipal de São Paulo vem passando por obras e restaurações há quase dois anos. O gasto final das intervenções será menos de 10% da verba utilizada para a reforma carioca, ficando na casa dos R$ 7,1 milhões. O valor será majoritariamente financiado pelo Banco Interamericano do Desenvolvimento - BID - , com 85% dos recursos, e o restante pela Prefeitura de São Paulo, intermediado pela Secretaria Municipal de Cultura.

Outro número dissonante se comparado ao primo rico é a quantidade de operários que trabalham na obra: apenas 54. Mesmo em diferentes proporções, o trabalho feito no estabelecimento paulistano também é detalhista. De acordo com a Secretaria Municipal de Cultura, as fotografias antigas do Teatro irão nortear o trabalho dos técnicos para a recriação de imagens e pinturas, onde as mesmas estiverem apagadas. Na fachada, o trabalho consiste na conservação dos elementos de argamassa, arenito, esquadrias, vitrais e telhado em cobre. A prioridade será para alguns elementos que nunca passaram por restaurações, como a cumeeira de cobre, as duas liras e as máscaras de argamassa localizadas ao redor da fachada.

Mais dois espaços internos estão incluídos na recuperação: o Restaurante e Bar terão suas pinturas recuperadas e o Salão Nobre, terá obras de conservação de pinturas, douramento, tapeçaria e tratamento de esculturas de madeira. A reabertura está prevista para o segundo semestre deste ano, mas ainda sem data definida. Quem quiser acompanhar as obras do Municipal de São Paulo, acesse o site prefeitura.sp.gov.br.



Atualizado em 6 Set 2011.

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