Guia da Semana

A outra face do humor - continuação

Com ar de moleque e currículo de gente grande, Felipe Andreoli, o repórter do CQC, conta como mescla o jornalismo com a comédia

Guia da Semana: Então, você tem vontade de apresentar o CQC?
Andreoli: ...seria muito legal. Quem sabe não role um dia em que os repórteres apresentem, para tirarmos um barato? Rolou a competição para o 8º elemento e de certa forma apresentei ao lado dos outros meninos. Fiquei fazendo um estilo Marcelo Tás ali na bancada, só que menos feio. (risos)

Guia da Semana: Quais os entrevistados mais complicados, as celebridades ou os políticos?
Andreoli: Eu acho que quando um político não responde, se suja com quem está assistindo. Se ele é um cara honesto, integro, porque não falar? Porque está com medo de ser sacaneado? Pode ser, mas eu vejo muitas pessoas que encontram a gente e logo falam: 'E aí, vai sacanear quem dessa vez?'. Eu respondo: 'Ninguém'. Estou lá para fazer entrevista e rir junto com o cara e não da cara dele. Não vejo meu humor assim. Perco a paciência e não quero fazer quando surgem essas celebridades, seja ela um cantor, atriz ou até qualquer coisa meia boca que apareceu ontem, com ar blasé. Isso não suporto. Prefiro que a pessoa fale um não, do que dê uma entrevista escrota.

Guia da Semana: Nas suas matéria do programa, você pega bastante a mulherada e ficou com fama de garanhão. Você também é assim por trás das câmeras?
Andreoli: Na verdade isso fica meio que no imaginário das pessoas. Ninguém sabe se quando desligam a câmera eu sou um bunda mole e não sei me aproximar de uma mulher. Todos os meninos lá são colocados meios como sexy symbols, galanteadores, e acabam tendo essa aura. Em 99% das vezes gravo, agradeço e saio andando. Dificilmente rola algo pós, não que não role, mas não é algo que me incomoda nem envaidece. Às vezes saio com a menina e ela vê o programa e pode pensar que se for no banheiro vou chavecar outra. Hoje em dia é difícil isso. Olho para uma menina e não sei se ela quer falar comigo porque sou o carinha do CQC. Tem hora que eu não quero que a pessoa saiba quem eu sou. Fui na balada um dia e uma menina perguntou meu nome. Fiquei super feliz e respondi logo: Luiz.
 
Guia da Semana: O que você não podia falar na programação evangélica e ganhou liberdade para usar no CQC?
Andreoli: Lá você pode falar um 'pelo amor de Deus' que eles gostam. Eu, quando entrei, pensei que estaria ferrado, cheio de gente careta. E nunca tive nenhum problema. Trabalhava no núcleo da Igreja Universal e fiz o Fala que Eu te Escuto. Outro era o Em Busca do Amor que entrava no ar ao vivo às 8h da manhã. Ia muitas vezes virado da balada e fazia tudo. Era produtor de externa, editava, legendava tudo, fazia o switcher pro bispo, e isso foi muito bom para o meu desenvolvimento profissional. Os bispos me adoravam. Eu pegava até carona com um deles para a faculdade.

Guia da Semana: Se lembra de alguma situação engraçada dessa época?
Andreoli: No Em Busca do Amor nós realizavamos uma loucura de amor e não tinha nada armado. Tanto que muitas vezes as mulheres não aceitavam os pedidos de perdão e não rolava o quadro. Era legal. Uma vez uma menina se fantasiou de Charles Chaplin e foi atrás do marido no trabalho dele. O cara ficou com uma vergonha e parou tudo por lá e eles ficaram juntos. Fiquei bem orgulhoso na época.

Foto: Leonardo Filomeno


Guia da Semana: Nas matérias do programa vocês falam com anônimos e celebridades. Como é a preparação para uma pauta?
Andreoli: Tem que ler muito. Obviamente temos uma equipe e uma pessoa que pensa na pauta. Quando algo surge, eles já bolam o que pode rolar. No dia em que temos matéria, chegamos umas 3 horas antes para ver quem vai ao evento, saber o que as pessoas presentes estão fazendo, discutimos o que é legal falar, mas o espontâneo da hora é o melhor. Surgem algumas perguntas dependendo das respostas do entrevistado e muitas vezes o que fica mais legal são as coisas que não são combinadas. Por isso o programa dá tão certo.   

Guia da Semana: Você é amante de esportes e sempre esteve bastante ligado a eles. Pretende realizar algum projeto no estilo?
Andreoli: Já tenho o programa de rádio que não deixa de ter o foco no esporte e é algo que quero ter mais espaço. É uma marca que eu tenho e preciso aproveitar, já que é uma coisa que eu domino e quero carregar para o resto da minha carreira. Tenho ligação com as pessoas do meio, contatos, o que facilita na hora de fazer uma boa entrevista. Então ter projetos ligados ao esporte está dentro da minha cabeça.

Guia da Semana: Com a exposição através do programa, como faz para encarar isso e não entrar para o hall de celebridades, já que precisa lidar com elas no dia a dia?
Andreoli: Eu não dou essa dimensão para mim. Tem gente que acha que não pode sair na rua que vai todo mundo pra cima. Não é assim. Vem um ou outro pedir uma foto, fazer um elogio para o programa, mas é muito mais uma coisa bacana do que algo que vá te incomodar. Claro, se eu saio na noite, vou para uma balada, eu devo ir mais cedo e sair antes do fim. Afinal, tem gente que bebe demais, vem falar alguma coisa que não é legal. Uma vez até reclamei disso e um amigo meu me disse: "Você quer o bônus sem o ônus?". E não tem jeito. Preciso dançar conforme a música.

Guia da Semana: E já se adaptou a isso então?
Andreoli: Eu pego metrô, ando no meio da galera, coloco um boné, Ipod no ouvido, um óculos escuro e vou embora. Sofro às vezes porque queria ter um momento incógnito, mas é difícil. Estava comendo no aeroporto e um cara chegou do nada e passou o braço no meu ombro para tirar uma foto. Fiquei sem reação, mas não fiz nada. Acontece.   

Guia da Semana: Acredita viver nesse momento o ponto alto da sua carreira?
Andreoli: Espero que não. Se esse é o mais alto, só tem pra baixo. Espero que surjam coisas mais legais dentro do próprio CQC, que aconteçam mais matérias incríveis, que tenhamos mais repercussão, audiência, que ganhemos mais prêmios. Espero que não seja o momento auge do programa e nem também da minha carreira. Quero muito mais.

Atualizado em 27 Set 2012.

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