Guia da Semana

Além do violão

Colunista escreve a respeito de Ulisses Rocha, violonista brasileiro, que faz sucesso na Europa e que contribui muito para a história da música nacional

Foto: Divulgação


Carioca na Certidão de Nascimento, paulista na conta de luz e de telefone. Ulisses Rocha é um dos grandes nomes da nossa música. Os acordes do seu violão vêm compondo a história instrumental brasileira. Ulisses coordena cursos nas escolas mais respeitadas do país. E grandes violonistas já passaram pelas suas mãos: Alessandro Penezzi, Euclides Marques, Chico Saraiva, Marcos Davi e por aí vai.

Entre no MySpace de Ulisses. Você vai ver que há shows agendados em vários países da Europa. O pessoal do hemisfério norte parece ter uma cultura musical superior à nossa. Exportamos a laranja, os gringos fazem suco e vendem de volta. No café da manhã, a mesa do brasileiro exibe embalagens importadas. Com a música é a mesma coisa. Dia desses, entrei na seção de jazz de uma loja de CDs (ainda existe gente que compra isso?). O Villa Lobos saía a preço de caviar. A explicação do atendente foi automática: "Ah, esse CD é importado. Vem do estrangeiro". O Villa virou Vylla.

Ulisses Rocha ainda é novo. Temos que consumir suas músicas, conferir seus malabares nas cordas do violão e comprar seus CDs antes que eles ganhem um selo de uma gravadora da Noruega. É preciso registrar informalmente a nacionalidade de Ulisses. Se ele ficar dando sopa, qualquer suíço vem e leva embora.

Difícil saber onde termina Ulisses e começa seu violão. As duas coisas se misturam em um emaranhado sonoro. A música Fim de Tarde nos convida para assistir ao pôr do sol na pedra de alguma praia. A melodia de Imigrante anda de um país a outro. Rua Harmonia leva nossos ouvidos para passear na Vila Madalena, em São Paulo. Infância faz o relógio andar de ré. Manhã é som com gosto de pão de queijo, café e leite. O violão de Ulisses é um dicionário de emoções.

Várias influências musicais dão cor ao som de Ulisses Rocha: rock, bossa nova, samba, pop e jazz. Aliás, ele criou um jazz brasileiro. Pegou o som do Pat Metheny e do Baden Powell, jogou dentro de um liquidificador e adicionou alguns ingredientes próprios. Nasceu assim a música dissonantemente precisa deste mestre das cordas.

Vamos afinar nossa cultura musical ouvindo Ulisses Rocha. O mundo inteiro lota as casas de shows para apreciar o balé de dedos desse grande - e nosso - violonista. Se você tem um amigo estrangeiro, apresente o som de Ulisses para ele. Antes que o contrário aconteça.

Leia  as colunas anteriorwa de Pedro Cavalcanti:

Sons de guitarras

Ser ou não ser

Com inspiração

Quem é o colunista: Pedro Cavalcanti.

O que faz: Publicitário.

Pecado gastronômico: Qualquer prato preparado pela minha avó.

Melhor lugar do Mundo: Aqui e agora, como diria o Gil.

O que está ouvindo no carro, iPod, mp3: Ulisses Rocha, Pat Metheny, Chico Saraiva
 
Fale com ele: phmarcos@terra.com.br

Atualizado em 6 Set 2011.

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