Guia da Semana

Cacá Rosset

O ator e diretor festeja o sucesso ao lado do Ornitorrinco


O Grupo de Teatro Ornitorrinco completou três décadas de existência no ano passado, mas as comemorações estão sendo celebradas este ano com a estréia da peça A Megera Domada e um livro que será lançado no fim do mês sobre a trajetória do grupo. A dedicação de Cacá Rosset, que foi um dos fundadores da trupe, valeu a pena. O ator e diretor conversa com o Guia da Semana sobre a sensação de completar 30 anos de aniversário da sua companhia num país como o Brasil.

Foto: divulgação


1) Cacá, como foi manter por 30 anos um grupo de teatro no Brasil?
É raríssimo um grupo sobreviver por tanto tempo no Brasil. As coisas duram pouco aqui, sobretudo na área cultural. No entanto, nós fizemos a nossa escolha. Eu sempre gostei do trabalho coletivo e em longo prazo, e por isso estou envolvido há tanto tempo. Ter oportunidade de escolher o seu próprio repertório, trabalhar com pessoas que você tem afinidade artística, ter a minha própria turma... Claro que por outro lado você paga um preço, você passa a ser tudo, não só o diretor, mas sim, o ator, o relações públicas, o faxineiro, o psiquiatra, a pessoa que viabiliza o projeto, enfim, para atuar em um grupo você começa a fazer de tudo. Principalmente no caso do Ornitorrinco que sempre procurou realizar grandes produções.

2) Por que a escolha da peça shakesperiana A Megera Domada para a comemoração?
O Shakespeare fez parte da história do grupo de uma forma muito importante. Apresentamos Sonho De Uma Noite De Verão no ano de 1991 no Central Park em Nova Iorque. Em 1994, encenamos a Comédia Dos Erros. Eu já tinha muita vontade de montar A Megera Domada. A comemoração dos trinta anos foi uma ótima oportunidade. É um dos textos mais engraçados dele. A peça discute um tema universal que é a guerra dos sexos. Divertido, cômico ou até trágico. A peça é um prato cheio para o estilo da linguagem de comédia física que a gente propõe. São quase 40 pessoas envolvidas no projeto. Temos músicas ao vivo, coreografias e um figurino rico.

3) Como foi a estréia que aconteceu nesse fim de semana do dia 31 de maio?
Foi maravilhosa. O teatro de quase 900 lugares estava lotado. Para o ator é uma maravilha quando percebe a presença desse público. O teatro é uma arte viva, que conta com a presença física do ator e do expectador.

4) Você acha que hoje é possível começar um trabalho de grupo como o do Ornitorrinco?
Eu acho que sim. O país, claro, é muito diferente hoje. Mas, o trabalho de grupo tem se fortalecido principalmente em São Paulo nos últimos anos. Existem muitas companhias começando com iniciantes e novos projetos.

Foto: divulgação


5) É verdade que vocês vão publicar um livro também que conta a trajetória do grupo?
Sim. O livro foi escrito pelo jornalista Guy Corrêa. Vai ser lançado agora no fim do mês. Foram quase dois anos de trabalho; mais de 200 horas de depoimentos; tem muitas imagens; e o resultado ficou bem legal.

6) O que mais te atrai na sua profissão?
O que mais me atrai é exatamente o contato com o público. Isso só o teatro proporciona. Hoje, na sociedade contemporânea o contato com o mundo é muito mais virtual: as pessoas participam de compras, diversões, entretenimento, relacionamento, cada vez mais através do mundo virtual. O teatro é agora um dos poucos lugares que você faz as coisas ao vivo.

7) Qual foi a maior dificuldade que enfrentou por ter escolhido essa profissão?
A dificuldade maior dessa profissão é o lado econômico. Viabilizar projetos no Brasil é complicado. A política cultural é anêmica especialmente quando você faz empreitadas desta natureza (como sempre fez o Ornitorrinco). Passamos por altos e baixos, mas conseguimos sempre produzir grandes espetáculos a preços populares. Mesmo com essas dificuldades, nunca pensei em desistir de fazer o que eu queria e acredito que tenha dado certo.

8) Por outro lado, qual foi a grande conquista?
Entre muitas outras, acredito que conseguimos atrair um público diversificado. Nossa idéia é fazer um teatro popular de qualidade, sofisticado, bem elaborado que atraia um público jovem, adulto, de mais idade, ou seja, que abranja um número grande de pessoas. Shakespeare fazia isso. Conseguia trazer um teatro diversificado. Isso é raro, porque aqui ou você tem uma peça água com açúcar ou um teatro mais alternativo que não cai no gosto de todo mundo. Acho que o Ornitorrinco configura uma terceira posição nessa história. Tivemos muitos espetáculos de sucesso durante esses anos. Fizemos turnê na Europa, nos Estados Unidos, na América Latina e em todo o Brasil. Isso é a grande conquista.

9) Cacá, você já trabalho na tv, no cinema, no teatro. Quais experiências você ainda quer ter na carreira?
Nossa, tenho oitocentos mil projetos para fazer ainda... Fiz algumas coisas sim na televisão e no cinema, mas sou ator e diretor e o que eu gosto mesmo é do teatro. Ele faz parte dos meus projetos no futuro.

Bate Bola com Cacá Rosset
Data de nascimento: somente 9 de março.
Onde nasceu: São Paulo
Signo: peixes
Um ator: Al Pacino.
Uma atriz: Julianne Moore.
Um programa de TV: Programa do Jô.
Um texto de teatro: O Burguês Fidalgo, de Molière.
Um filme: Cidadão Kane.
Uma paixão: Montanhas.
Uma frase: Nada como um dia após o outro com a noite no meio.
Um brasileiro que admira: Monteiro Lobato.
Hobby: Tenho um futuro hobby pode ser? Jardinagem.
Saudades: Do meu pai que faleceu quando eu era menino.

Atualizado em 6 Set 2011.

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