Guia da Semana

Com a palavra, as mulheres

Fotos, jornais, revistas e pinturas, entre outros itens, contam a história por outro ângulo - o da valorização feminina

Foto: Acervo: Biblioteca Nacional


Por muito tempo, elas tiveram sua importância negligenciada, foram tratadas como fantoches de uma sociedade extremamente voltada para o poder masculino. Elas foram perseguidas, desvalorizadas e desacreditadas em suas ações. Na verdade, nem mesmo o direito de agir elas tinham. Mas, mesmo assim, elas fizeram História. Não aquela que se conta para uma criança dormir, mas a que muda uma cidade, um país, os rumos de uma sociedade. Por trás dos panos, enquanto eram ignoradas, elas lutaram pelos seus direitos, pela sua atuação, pela igualdade e pela sua  voz. Foram muitas as mulheres que ajudaram a mudar esse estigma do "sexo frágil" em diversas áreas, como as artes, a medicina, a religião, o esporte, até mesmo a política. E a Biblioteca Nacional apresenta ao público a trajetória dessas brasileiras que deram - e ainda dão - o que falar. A exposição Brasil Feminino, em cartaz no Espaço Cultural Elizeu Visconti, no Rio de Janeiro, dá às mulheres o seu merecido papel de destaque.

A mostra reúne 150 fragmentos da história, entre fotografias, jornais, revistas, pinturas e documentos raros selecionados no acervo da Biblioteca Nacional, que ajudam a contar a saga dessas mulheres na sociedade brasileira, desde os tempos coloniais até os dias de hoje. São trajetórias diferentes, mas, em comum, o mesmo ideal: a igualdade de direitos e condições entre homens e mulheres. A exposição, no entanto, não abriga o tom feminista de separação dos sexos, mas mostra uma história construída em conjunto, em que as mulheres ocupam muito mais do que o simples papel de coadjuvante.

Umas lutaram diretamente pelo acesso a lugares e profissões consideradas redutos masculinos, como é o caso da baiana Maria Quitéria, que lutou junto com os militares pela independência da Bahia. Já outras, por meio da fé e da religião, deixaram seus nomes marcados na história: as também baianas Irmã Dulce - primeira brasileira a ser beatificada - e Joana Angélica, que morreu defendendo o Convento da Lapa contra soldados portugueses. No campo das artes, há inúmeras que expuseram ao mundo a grandiosidade da figura feminina nesse campo do conhecimento. Para citar apenas um (talentoso e merecido) exemplo, temos Rachel de Queiroz, primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de Letras. Sem falar em outros nomes como Clarice Lispector, Cecilia Meirelles, Nara Leão, Tarsila do Amaral e tantos outros.

Estas são apenas algumas das mulheres que deixaram sua marca na história do Brasil. E, para não parecer que este ideal ficou no passado, o século 21 também trouxe com ele mais notáveis mulheres que fizeram da história de sua vida, um ideal de luta. É o caso da biofarmacêutica Maria da Penha Maia Fernandes, que sofreu abusos de seu marido durante anos, e deu nome à lei que protege as mulheres da violência doméstica. Outro exemplo é Zilda Arns, que, durante toda a sua vida, lutou contra a miséria e a fome, com a sua Pastoral da Criança.

E foi por causa da mudança do papel da mulher, deixando de ser apenas a dona de casa para atuar diretamente no destino da sociedade, que o ano de 2010 trouxe Dilma Rousseff como a primeira presidente mulher do Brasil. Tendo em vista todas as lutas travadas pelas mulheres ao longo dos séculos, essa eleição é como um símbolo da vitória feminina. E essa história está longe de terminar.

Leia as colunas anteriores de Carol Vidal:

Louco pela arte

A ordem é ser feliz

As faces de um guerreiro

Quem é a colunista: Uma apaixonada pela cultura brasileira.

O que faz: Jornalista e blogueira.

Pecado gastronômico: Chocolate.

Melhor lugar do mundo: Bahia.

O que está ouvindo no carro, iPod, mp3: Músicas que alimentam a alma e tocam o coração.

Para falar com ela: vidalcomunicacao@gmail.com, ou siga seu blog, e Facebook.



Atualizado em 2 Fev 2012.

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