Guia da Semana

Conheça o trabalho do artista Rien, que mescla essência feminina com acidez do grafitti em sua obras

Artista de apenas 25 anos conta de onde tira inspiração para criar e quais são os maiores desafios de quem vive de arte

Reconhecido pelos sensíveis traços que revelam muito da áurea feminina, o artista Henrique Tomaz compreende a mulher como a origem da vida e do amor, sentimento que retrata em suas telas, ao mesmo tempo que traz a tona assuntos polêmicos como a violência, o fato de serem subjugadas, maltratadas, mutiladas e humilhadas. Assim, além de pintá-las para contemplá-las, é como se sua arte também pudesse livrá-las de todo tipo de dor. "Acredito que toda mulher carrega uma essência única, algo que vive naturalmente com ela. Isso me fascina, e é o que também tenho tentado colocar no meu trabalho”.

Nascido em São Bernardo do Campo, RIEN, como é conhecido, faz arte na rua e também para galerias. O artista de apenas 25 anos revela que se baseia muito no controverso artista francês Gustavo Courbet (1819 – 1877), autor de “A origem do mundo” (1866), obra que causa ainda hoje sentimentos diversos mundo afora. “Todos nós viemos de um ventre. É algo natural e deveria ser encarado como tal”, diz ele.

O apelido adotado veio da língua francesa, cujo significado é "nada", e o motivo é simples, "acredito que o importante é o que é feito e não quem faz”. Assim, o início que veio do acaso e nasceu das aventuras com o stencil foi o empurrão para que ele fosse estudar e o talento crescesse, tornando-o o grande artista que é, reconhecido internacionalmente, representado pela OMA Galeria e, sem dúvidas, fazendo história e deixando um grande e belo legado. 

Acompanhe a entrevista e saiba mais sobre sua vida e obra. 

O que é arte pra você e o que ela representa em sua vida?

Tudo. Tudo como um todo mesmo. Uma maneira de enxergar as coisas, uma poética que vive como parte minha. A arte é um apoio, um refúgio, um alívio da insanidade que vivemos. 

Como foi seu primeiro contato com a arte e quando nasceu sua paixão por esse universo?

Com 15 anos de idade, eu comecei a ter contato com a pixação. Parti daí pro graffiti e em seguida pro universo contemporâneo da arte. E acho que a paixão se deu logo no início, na época do graffiti. Pintar na rua me fazia livre, me diferenciava do que eu costumava ser. Foi o despertar. 

Fale um pouco sobre sua formação e sua trajetória profissional

Eu me formei na Escola Panamericana de Artes em 2012. Nesse momento, eu já vivenciava exposições. Mas foi a partir daí que comecei a enxergar meu trabalho com outros olhos. Me integrei como parte dos artistas representados pela OMA Galeria e, desde então, tenho me dedicado às produções, exposições, simpósios, feiras... 

Você tem alguma influência? Algum artista contribuiu para seu crescimento profissional?

Com certeza. Acredito que a influência e a referência artística são proporcionais ao que o artista precisa expressar naquele momento. O que agrada a um artista é, de alguma forma, o que o inspira. Hoje, eu tenho como inspiração artistas como o Conor Harrington, o Alex Kanevsky e Gustave Courbet. 

Como define seu trabalho?

Meu trabalho teve origem no Graffiti. Comecei a ter contato com retratos, corpos, texturas e composições com murais. Partindo daí, desenvolvi meu trabalho com tinta óleo e spray. Procuro aliar a essência feminina com pinceladas clássicas à acidez da rua, do graffiti. 

O que quer passar com o seu trabalho? Qual a intenção por trás de cada criação? 

Meu trabalho é uma expressão visual do que não se mede. Medo, ansiedade, coragem, serenidade, amor. Só tento colocar o que sinto e meu olhar sobre isso, em cada pintura minha. 

É possível viver de arte? Qual o maior desafio?

É possível sim. Mas não é simples. É um trabalho contínuo que engloba muito mais do que só o trabalho - a pintura no meu caso. Um artista precisa se dedicar à divulgação, relacionamento, exposições, acompanhamentos artísticos. Enfim, são inúmeras atividades que são tão importantes quanto exercer o trabalho, de fato. 

Fale sobre alguns dos projetos que já realizou

Recentemente participei de um simpósio artístico na Alemanha. Foi uma experiência de grande aprendizado pra mim. Durante essa viagem, fiz também uma coletiva em Paris. E aqui no Brasil tive, em 2015, minha última exposição individual em São Paulo. Recentemente dirigi um curta metragem também. Foi uma experiência abrangente em processos criativos. Foi intenso.  

Tem algum tipo de ritual para começar a criar? 

Acho que não. Mas eu tenho algumas peculiaridades no ateliê. Preciso ter minhas tintas no local exato, algumas plantas, música e, geralmente, estou sozinho, o que ajuda na entrega pra obra. 

Como você consome arte?


Música, livros, cinema e exposições, resumidamente. Estou sempre em busca de novos álbuns, novos filmes, livros... Sinto que diferentes pontos de vista no qual eu me identifico auxiliam na intensidade da poética do meu trabalho. 

Na sua opinião, o Brasil valoriza os artistas como deveria?

Não. O trabalho de um artista no Brasil é sempre muito árduo. O artista se dedica a infinitas atividades pra que consiga um retorno mínimo. O mercado tem uma responsabilidade muito grande nisso, porém os olhos estão, quase sempre, voltados para artista estabelecidos. Mas sim, todos tem seu espaço. 

Tem alguma dica para quem sonha em viver de arte e ainda não sabe por onde começar?

Seja sincero. Seja sincero com você, com sua obra, com a sua poética. Não vai ser simples, mas vai ser! Faça contatos, vá a exposições, seja curioso. E nunca desista. É o conselho mais clichê de todos os tempos e o mais verdadeiro. Nunca desista.  

Acompanhe seu trabalho

Instagram: @r_i_e_n
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Atualizado em 10 Mar 2016.

Por Nathália Tourais
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