Guia da Semana

Convite ao prazer

Com humor e sem preconceito, Otávio Martins leva aos palcos a peça Vamos?, que explora de forma inusitada temas comuns ao dia a dia: sexo entre amigos, fidelidade, paixão e amor

Fotos: Leonardo Filomeno


Um apartamento em meio a uma metrópole qualquer e um copo de uísque convidam duas pessoas a discutir se a amizade deve ficar mais colorida ou não. 'A' usa toda sua sensualidade e argumentos intimistas para convencer 'B' a ir para a cama, enquanto este hesita, apontando que a intimidade dos dois já teria chegado a um patamar que inviabilizaria qualquer conjunçcarnal. Seria mais uma trivial comédia romântica, se os dois não tivessem seus respectivos cônjuges e se os sexos não se alternassem durante a conversa.

Quatro atores para dois personagens

Para explorar o amor em seu aspecto mais contemporâneo, Dalton Vigh, Tânia Khalill, Alex Gruli e Rachel Ripani se revezam no palco para encarnar os personagens na peça Vamos?. Dirigido por Otávio Martins, o espetáculo entrou em cartaz no dia 6 de agosto no Teatro Imprensa, São Paulo, e pretende questionar a maneira como as pessoas se relacionam, como lidam com sentimentos como fidelidade, amizade, desejo e paixão.

O humor ácido acompanha os diálogos diretos e impactantes no texto escrito por Mário Viana. O autor junta histórias corriqueiras ao cotidiano vividas por ele, seus amigos e conhecidos. "Vi tanto homens como mulheres discutindo a relação de amizade, fidelidade no casamento e outras coisas mais. Queria reunir em dois personagens todas essas possibilidades, só não sabia o tamanho do enrosco em que iria entrar", brinca ele, que precisou montar um organograma para não se perder entre os diálogos dos atores.



A peça defende a tese de que o personagem 'A' acha que a pessoa com quem se casou já não é a mesma com quem tinha se apaixonado. Assim, pensa ser fiel a um ser imaginário. Já 'B' concorda com a primeira afirmação de 'A', mas acredita na necessidade de acompanhar essa mudança para evoluir junto. Para tudo isso dar certo, Mário teve uma ajuda de Otávio, que perseguia o texto há oito anos. Para montá-lo, reuniu quatro amigos para dividirem e se revezarem no palco, e fez marcações para entrada e saída de cena nos ensaios.

Dessa forma, o que seria um papo inicial entre homem e mulher se transforma, ao longo do espetáculo, em conversas entre pessoas do sexo oposto e do mesmo sexo - fazendo o público se livrar de qualquer amarra de preconceito. "Você poderá ver um casal homossexual agindo de maneira semelhante ao hétero, porque o amor não tem formato, é uma energia, uma coisa que existe e os questionamentos são os mesmos", revela Tânia Khalill.

Direção e atores

O elenco nem pensou antes de entrar no projeto. Alex Gruli, por exemplo, aceitou na primeira ligação e só foi ler o texto alguns dias antes de começar os ensaios. "A objetividade de Otávio ajudou bastante. Como ele foi ator, pensa de um jeito como se estivesse fazendo a peça. No final, íamos para o ensaio mais para dar risadas", revela Dalton Vigh que, com o restante do elenco, precisou somente de três semanas para ensaiar.

Com a peça montada, os atores tiveram liberdade para improvisar algumas falas do roteiro. No fim, a encenação sai em um ritmo descontraído, quase como em uma conversa entre amigos de longa data. "A gente é como trapezista. Tem que se jogar e esperar que o outro segure com a mão. Pra você ter coragem de brilhar, tem que saber que alguém vai te apoiar do outro lado", revela Rachel Ripani.

Humor para atores


Em um mundo dominado pelas comédias do tipo  stand up, Otávio escolheu atores para compor o palco da peça, dando assim mais realidade ao jogo de sedução com a plateia. "Existe um componente da criação da comédia que demanda inteligência do espectador. Esse texto tem o que a piada pronta não tem, fazendo o público compartilhar e construir com os atores", opina Otávio.

Embora consiga reação imediata do público, Dalton Vigh reserva para a comédia uma atenção redobrada. Ele acredita que uma piada dita em um momento errado ou que não seja compreendida leva a energia do ator para baixo, prejudicando o espetáculo. Para isso, o melhor conselho que segue nessas horas é driblar o que não deu certo e tentar a próxima rapidamente.

Empolgado com o início dessa temporada, Vigh não esconde sua simpatia pelo tablado. "No teatro você usa o corpo inteiro, ensaia durante meses e cada apresentação é diferente da outra, compartilhando a energia com a plateia. Na televisão, além de contracenar muitas vezes só com o olhar ou a expressão facial, você grava e nunca mais vê aquilo na vida", ressalta.

Serviço:
Vamos?
Data:
de 6 de agosto a 28/11
Horário: sextas, às 21h30; sábados, às 21h; domingos, às 19h
Ingressos: R$ 40,00 (sextas e domingos) e R$ 50,00 (sábado)
Local: Teatro Imprensa

Atualizado em 6 Set 2011.

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