Guia da Semana

Crônica do a-mar

A colunista escreve sobre a paixão num cenário bastante artístico e inspirador

Foto: divulgação


Numa noite clara, brilho, espumas naturais enchem meus olhos da alegria da transição. Luzes ao meu redor cegam minha racionalidade e me levam a plenitude absoluta do momento. Tempo não existe. Cores, sabores. Provo do doce veneno da fruta que tem como conseqüência a experiência nunca antes imaginada do beijo terno, que conforta.

Naquele momento tão sincero, verdades reveladas e o que verdadeiramente importava era o que não poderia acontecer, como se aquela única noite fosse bastante para aquela intensidade momentânea. Sorrisos, intensas risadas, pessoas iluminavam também nosso redor com cores diferentes em suas mais peculiares áureas.

O dia amanhece, o sol que entra nos aquece, corações emocionados de tantas estranhas belas cenas. A vida poderia ser mesmo um filme eterno como aquele momento de felicidade. O mar me recebe, acolhe e como que só ele entendesse tais atos me abraça e abençoa. Assim me vou, nos despedimos, SEM qualquer certeza, isso era o que tínhamos. Nunca mais se repetiria tal noite, talvez por isso essa diferente não entendida sensação única e especial.

Porém mais uma vez Poseidon, o mar. une dos corpos que com medo se rendem ao inevitável reencontro, já esperado, mas retido por escrúpulos limitantes da emoção de reviver a noite branca. Re-provamos o sabor da doce proibida fruta. O futuro ainda incerto e sentimentos transbordados alimentam gritos e sussurros de almas repletas de licencias poéticas, tudo é tão experimental, atemporal que o desejo proibido segue e mais uma vez re-provamos o sabor.

Deste momento em diante não mais tínhamos mais a benção de Poseidon, apenas as vozes entre Dionísio e Afrodite instigando o que mais queríamos ocultar. Se esse menino vier, prometo que vou esquecer. E ele veio mesmo. Um dia deixou de vir, deixou a nuvem aquariana e optou pelas terras seguras de seu porto seguro de capricórnio. Por muitos dias estive presa nessa nuvem, a moleca com coração de nerd ambígua e complexa tardava para racionalizar tais sensações que o dividido capricorniano foi capaz magistralmente de fazer. Seres humanos complexos, em estados diferentes de maturidade e sensibilidade, buscando respostas a sensações vividas naquelas noites, onde o que menos havia eram perguntas.

Foto: divulgação


Em ares, já rebaixada da nuvem aquariana que ainda me persegue em diferentes momentos, com pés batendo metricamente com força nessa terra, encontro conforto e me alegro ao lembrar da noite branca, do mar. dos olhos de menino que esconde a alma de um homem sensível que em suas descobertas transparece a sabedoria, o poeta e a bailaora, o músico e a dançarina, o menino que chora pela incerteza do futuro e a menina que sorri pelo presente; o homem que sorri e conforta e a mulher q chora e desespera; o compromisso e a liberdade; o não poder e o querer; o que fica o que vai; o matemático e a astróloga, descobrindo juntos o carinho de uma amizade esquecida em tempos em que noites brancas não existiam e que as sensações eram ainda menos entendidas.

Benditas sejam sempre as noites claras, iluminadas como aquela do 31, que o mar sempre me abrace como naquela noite e que ele sempre me traga o que me trouxe, assim de maneira tão especial-irreal. Que a paixão me volte a cegar e me levar nas nuvens e que nossa fusão continue a ser atemporal, que com essas incertezas eu possa encontrar aqueles olhos de menino, doce, sábio, poesia da minha prosa mal falada.

Quem é o colunista: Maria Carolina Zanforlin.

O que faz: bailarina de flamenco, atriz e atualmente estuda em Madrid, na Espanha.

Pecado gastronômico: todas as comidas da minha mãe.


Melhor lugar do Brasil: Santiago, litoral norte.


Fale com ela: carolinazan@uol.com.br

Atualizado em 6 Set 2011.

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