Guia da Semana

Da telona para o tablado

Peça 12 Homens e Uma Sentença traz adaptação inédita do clássico filme dos anos 50 e marca o retorno do ator José Renato aos palcos

Foto: Divulgação/Zineb Benchekchou

José Renato e Riba Carlovich durante o espetáculo

Uma coreografia de palavras. Assim pode ser definida a peça 12 Homens e Uma Sentença, que estreia em 19 de novembro, em São Paulo.  O espetáculo traz uma adaptação do filme homônimo, que é uma das lendárias tramas de tribunal. Dirigida por Eduardo Tolentino, a montagem marca a volta aos palcos do fundador do Teatro de Arena, José Renato. Norival Rizzo, Genézio de Barros, Oswaldo Mendes, Eduardo Semerjian, André Garolli, Riba Carlovich, Ricardo Dantas, Brian Penido, Augusto César, Marcelo Pacífico, Ivo Müller e Fernando Medeiros completam o elenco.

A iniciativa de levar o filme ao tablado partiu da atriz e jornalista Ana Paz e do ator Mário José Paz, produtores do espetáculo. "Sempre fomos apaixonados pelo filme. É uma trama muito bem construída, além de ser um ótimo exercício democrático. São 12 atores discutindo e mostrando a humanidade de cada um", diz Ana. "Sou um desesperado por cinema. O que me pareceu fascinante nessa história é que a incerteza triunfa. Essa é a ideia maior da trama", completa Paz.

O enredo traz 12 homens reunidos em uma claustrofóbica sala de júri durante o verão escaldante de Nova Iorque. Identificadas por números, essas pessoas têm que decidir o destino de um réu: um menino de 16 anos suspeito de matar o próprio pai. A sentença proferida determinará se esse garoto será ou não executado. Contudo, se um deles tiver uma dúvida razoável a respeito da culpabilidade, ele não poderá ser condenado.

Coro grego

Foto: Divulgação/Zineb Benchekchou

No palco, 12 homens discutem o destino do réu

Segundo o diretor Tolentino, trata-se de uma peça que coloca um tema humanista e político em questão. "São 12 representantes da democracia, quase como em um coro grego. É um espetáculo centrado no ator. É um desafio tremendo de fazer desse espaço um local da escuta, em um país onde a escuta está esquecida", diz. De acordo com ele, trata-se de uma montagem sofista, que traz uma unidade de espaço, ação e tempo.

No palco, 12 figuras anônimas se misturam. Durante o desenrolar da história, as testemunhas são colocadas em xeque. São levantadas perguntas e as contra-argumentações são demolidas. É quase uma aula de Platão. "A ideia é a cidade se discutindo. A peça parte de um ponto e termina em outro totalmente diferente. Ela tem uma trajetória de mudanças do coro em relação ao tema, como em um diálogo socrático", explica.

Foto: Divulgação/Zineb Benchekchou

Durante a trama, a formação da mesa sofre mudanças e passa por novos contornos

Para Tolentino, não se trata de uma peça muito elaborada e nem de algo muito distante da sociedade atual. Segundo ele, hoje a ideia do diálogo socrático está perdida. "Partimos para cima do outro de forma acusativa, sem argumentação. Discutimos casos públicos de assassinatos de uma maneira muito leviana, como se estivéssemos no momento do crime. Condenamos de acordo com nossos interesses", declara.

O filme foi lançado em 1958, a partir de uma adaptação de um teleteatro apresentado ao vivo em 1954 pela CBS. Henry Fonda viu a apresentação e comprou os direitos para o cinema. Depois, o roteiro foi transformado por Reginald Rose em texto de teatro. "A televisão naquele tempo ainda era muito teatral. A teledramaturgia era quase uma peça filmada, o que facilitou a transposição para o palco. Esse espetáculo foi montado ao longo dos anos no mundo todo", afirma Tolentino.

Volta triunfal

12 Homens e Uma Sentença marca a volta do ator José Renato depois de décadas sem subir aos palcos. "É muito prazeroso descobrir novamente como se procura o personagem do ponto de vista do ator, e não do diretor. Desenvolver os tempos e os pensamentos dele. É um exercício brilhante e muito gostoso. Tolentino também dá muita liberdade. Isso é muito positivo, pois a dedicação tem que ser muito maior", conta.

O espetáculo fica em cartaz em São Paulo até 19 de dezembro de 2010 e volta em 2011 para mais uma temporada paulistana entre 12 de janeiro a 6 de fevereiro. A peça também deve viajar no próximo ano para o Rio de Janeiro, entre outras capitais brasileiras.

Confira a resenha do espetáculo

Atualizado em 6 Set 2011.

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