Guia da Semana

De volta ao ninho

Com Herson Capri e Beatriz Segall, a peça Conversando com Mamãe chega ao Rio de Janeiro neste fim de semana

Foto: Nana Moraes

Beatriz Segall e Herson Capri dividem o o palco no espetáculo

Uma realidade comum em muitas famílias ganha os palcos cariocas, a partir do dia 18, no Teatro Fashion Mall. O espetáculo Conversando com Mamãe narra a distância criada entre um homem, chefe de família, que se afasta da progenitora. Depois de perder seu emprego e cheio de problemas, recorre ao famoso "colo de mãe" em busca de conforto e amparo. A mulher de 82 anos e seu filho de 50 são conhecidos do grande público. Ele é Herson Capri, que atualmente está na novela Insensato Coração; e ela, Beatriz Segall, prestes a voltar às telinhas na nova série da Globo, Lara com Z, que começa em abril.

A peça tem a direção assinada pela esposa de Herson, Susana Garcia, e aborda os conflitos familiares desse filho que se faz presente por telefonemas e dessa mãe que cozinha para o cinquentão que saiu de casa há mais de 25 anos. O embate entre sogra e nora também é um dos motes do texto, do texto do argentino Santiago Carlos Oves, que tem versão teatral do catalão Jordi Galcerán e tradução de Pedro Freire.

Sentimento em cena

Avessa a entrevistas, Beatriz se limitou a comentar o projeto em poucas palavras: "Um conjunto de coisas que me ofereceram me levaram a fazer essa peça. A companhia, o Herson, a direção da esposa dele, Susana Garcia, que é excepcional. As pessoas se emocionam muito, [a história] é delicada, mas ao mesmo tempo faz rir", comenta.

Já o ator Herson Capri e a diretora Susana Garcia concordaram em bater um papo com o Guia da Semana. Susana afirma que o projeto é a realização de um sonho e que ela e o marido já começam os ensaios ainda fora do palco. "Dirigir o Herson é muito fácil porque os ensaios continuavam em casa e, como sou muito exigente e ele muito receptivo, acabava conseguindo tudo que queria. A Beatriz foi uma enorme surpresa. Já conhecia o seu talento, mas não poderia imaginar que ela seria tão positiva, receptiva, parceira e gentil. Foi um presente tê-la como a mamãe", ressalta.

Foto: Felipe Romano

A mãe de 82 anos e o cinquentão se aproximam novamente quando ele passa por problemas

Entre a correria das gravações da novela e os últimos preparativos para a reestreia do espetáculo, Herson tirou um tempo na agenda para falar com exclusividade ao Guia da Semana. Confira!

Guia da Semana: O que mais te chamou atenção para dar vida a esse personagem da peça?
Herson Capri: Foi essa distância que a gente toma dos pais a partir de uma certa idade e o quanto uma mãe sente a falta do filho que foi viver outra vida com a esposa e os filhos.

GDS: Já vivenciou alguma situação parecida em sua vida ou se inspirou em alguém para viver esse filho relapso?
Herson: Já vi muito isso e acho que todos nós somos assim, é inevitável. Forma-se uma nova família, e a primeira fica em segundo plano. Acho que todos nós acabamos fazendo isso.

GDS: Acredita que os conflitos de gerações podem afastar pais e filhos?
Herson: Sim, eles podem afastar, mas podem também aproximar. Tudo depende do tipo de relação que se estabeleceu. Com afeto e tolerância acho que mesmo gerações distantes podem se aproximar.

GDS: Existe alguma semelhança entre seu personagem na peça e o que está vivendo na TV, Horácio Cortez?
Herson: Nenhuma. E as histórias são completamente diferentes. A trajetória do Cortez não envolve mãe e ele é um canalha. A peça fala apenas de um filho como tantos outros que precisam seguir a vida com o seu casamento e seus filhos.

GDS: Como se sente ao dividir cenas com um dos ícones da TV brasileira, Beatriz Segall?
Herson: É muito prazeroso. Além do talento reconhecido, ela é uma pessoa muito agradável, bom papo e tem muita história para contar. É uma honra dividir o palco com ela. Nos damos muito bem e nos entendemos maravilhosamente em cena.

GDS: Você já fez algumas produções de teatro como diretor. Quando você é dirigido, costuma dar pitacos ou se deixa levar?
Herson: Eu me deixo levar e dou muito pitaco também. Acho que posso somar. Tenho 44 anos de teatro e isso sempre serve para alguma coisa. Geralmente os diretores acatam minhas sugestões. Mas tomo cuidado para não ser impositivo, respeito o diretor e aceito a direção sempre.

Foto: Felipe Romano

A peça leva a direção da esposa de Herson, Susana Garcia

GDS: Em Insensato Coração você faz o papel de um mau caráter. Está sendo uma experiência diferente dar vida a esse personagem?
Herson: Como todos os personagens, o Cortez tem características próprias e é diferente de tudo que já fiz. Já fui vilão antes, mas este é muito especial. É diferente porque tem o lado canalha, mas também o humano, afetivo, até frágil em alguns aspectos. O que não justifica as canalhices dele, mas o enriquece como personagem.

GDS: Como é ser dirigido pela sua esposa?
Herson: Uma maravilha. Estamos sempre "em casa". E ela é a pessoa mais exigente que já conheci, então também é uma batalha. Sempre existem coisas para serem melhoradas. Não paramos de trabalhar mesmo quando estamos fora do teatro, sempre tem algum comentário, alguma crítica ou um elogio.

GDS: Você já participou de muitas novelas. O que uma trama precisa ter para chamar sua atenção?
Herson: Acho que uma novela precisa de paixão, muitos amores, afeto e especialmente conflitos. Os conflitos quase sempre são determinados pelos vilões, mas às vezes o destino se encarrega deles. Hoje em dia têm sido requisitadas pelo público doses de sensualidade também.

GDS: Como você divide o tempo entre o teatro e as gravações da novela?
Herson: Com muito trabalho, concentração e dedicação. Há uma equipe enorme trabalhando na novela. Então eu não posso vacilar, é absolutamente necessário saber o texto e cumprir os horários. É nisso que eu me concentro, além do personagem, é claro. Com a peça é diferente, ela já está pronta. Tivemos dois meses de ensaios e é só chegar no teatro, se concentrar um pouco e entrar em cena. Já na novela não, ela precisa de concentração e atenção em período integral. Fazer teatro e novela ao mesmo tempo é muito difícil, mas já estou acostumado e até gosto porque um trabalho ajuda o outro.

Atualizado em 6 Set 2011.

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