Guia da Semana

Dica de leitura - Triângulo Rosa

O livro lançado recentemente no mercado editorial brasileiro conta a história de um gay que sobreviveu ao campo de concentração nazista - e está vivo até hoje

Alemanha, Segunda Guerra Mundial. O regime do chanceler do país, Adolf Hitler, era extremamente rigoroso com quem não era ariano - mais precisamente, quem era louro de olhos claros e alemão. Nessa lista, entraram judeus, ciganos, negros e homossexuais. Quem pôde, fugiu do país e da perseguição nazista. Quem não conseguiu, foi capturado pelos soldados do führer e levado aos campos de concentração espalhados em vários países da Europa. A história é bem conhecida e, até seu desfecho, milhões morreram nas câmaras de gás ou assassinados a sangue frio.


A presença de gays na população alemã era simplesmente inadmissível - não à toa, eles eram até "fichados" no governo, mas ainda conseguiam viver em liberdade. Tudo ficou pior quando o nazismo chegou ao poder, e eles passaram a ser perseguidos. Estima-se que cerca de dez mil homossexuais foram levados aos campos de concentração. E apenas um está vivo até hoje. É Rudolf Brazda que, além de ter sido condecorado na França com a Ordem Nacional da Legião da Honra, teve sua história contada no livro Triângulo Rosa - Um homossexual no campo de concentração, da Mescla Editorial. Os triângulos rosas eram a maneira de os soldados diferenciarem os gays dos demais presos.


Escrito pelo biógrafo Jean-Luc Schwab, que realizou centenas de entrevistas com Rudolf e pessoas próximas, o livro conta em detalhes como era a vida de um homossexual em tempos de guerra, intolerância geral e irrestrita, e de como ele conseguiu sobreviver a tantas atrocidades. Hoje, com 97 anos, Rudolf  ficou 32 meses preso nos campos de concentração e foi libertado em 11 de abril de 1945. Mudou-se para a França, onde mora até hoje, e foi também onde conheceu Edi, seu companheiro por quase 50 anos, mas que faleceu em 2003. Algumas passagens do livro impressionam pela crueldade. Uma delas, Rudolf e outro preso estavam escondidos no forro do telhado do campo quando presenciaram a execução de soldados da ex-União Soviética. Para ele, aquelas cenas eram banais, a ponto de ele não se impressionar. Mas, hoje, ele chora sempre que lembra delas. Um relato triste, mas real, de uma realidade que pode ter chegado ao fim, mas deixa marcas indeléveis na memória.


Triângulo rosa - Um homossexual no campo de concentração nazista
De: Jean-Luc Schwab e Rudolf Brazda
Editora: Mescla Editorial
Páginas: 184

Foto: Divulgação

Atualizado em 6 Set 2011.

Compartilhe

Comentários

Outras notícias recomendadas

5 hotéis ao redor do mundo que são verdadeiras obras de arte

Confira locais com acomodações incríveis, mas que têm obras como protagonistas

Evolução dos emojis ganha instalação no Museu de Arte Moderna de NY

Os primeiros emoctions, criados em 1999, também entram para a coleção MoMA

6 motivos para visitar a Fundação Maria Luisa e Oscar Americano em SP (e nem perceber que está na capital)

Local une arte, cultura, lazer, arquitetura e natureza, fazendo com que o visitante esqueça que está em SP

13 grafites em SP que todo mundo que ama arte deveria ver pessoalmente

Confira obras espalhadas pela cidade que merecem sua atenção

Na Semana da Criança, uma selfie vale um passaporte nos museus de SP; entenda

Para participar, é só postar foto com uma criança no Facebook com a hashtag #MuseusSP e apresentar na bilheteria da Pinacoteca, Casa das Rosas ou do Museu da Imigração

Unibes Cultural oferece programação especial e gratuita para o mês das crianças

Evento acontece até dia 31 de outubro e comemora o Mês das Crianças