Guia da Semana

Do tempo passado

Nova novela da Record tem clima retrô

Foto: Rede Record/Munir Chatak

É difícil assistirmos a um capítulo de Ribeirão do Tempo, nova novela da Record, sem nos lembrarmos daquelas novelas antigas, que se passavam em pequenas cidades fictícias do interior. Dias Gomes talvez tenha sido quem mais fez uso do recurso e Aguinaldo Silva tratou de dar sequência a ele em novelas como Tieta, A Indomada ou Porto dos Milagres. Mas desde que Silva se voltou às tramas urbanas, como Senhora do Destino e Duas Caras, as pequenas cidades fictícias do interior ficaram de fora das novelas.

Marcílio Moraes, autor do sucesso Vidas Opostas, tratou de resgatar a ideia na nova aposta da Record. Talvez por isso, antes da estreia, muita gente afirmou que a novela traria de volta o realismo fantástico que marcou as tramas de Dias Gomes e Aguinaldo Silva. Mas não é essa a proposta de Ribeirão do Tempo. A novela faz uso de uma pequena cidade como cenário para usá-la como um microcosmo representativo e, assim, usar e abusar da crítica política. Uma decisão interessante, se levarmos em conta que estamos num ano eleitoral.

Mesmo sem realismo fantástico, as "figuras" que fizeram parte das pequenas cidadezinhas das novelas estão todas de volta. Há um prefeito que é constantemente ridicularizado, o delegado, o dono do jornal, o professor... Só ficou faltando o padre e a beata, mas estamos na Record, então essas duas peças ficaram de fora. Mesmo assim, há uma igreja no centro da cidade que leva o nome da trama.

O clima retrô é o diferencial, mas Ribeirão do Tempo traz elementos que caracterizam as novelas da Record, como a aposta em cenas de ação e o mistério policial. Logo nos primeiros capítulos, o assassinato de Dirce (Françoise Forton) agitou a até então pacata cidade. Daí que surge o inusitado protagonista, Joca (Caio Junqueira), um guia turístico atrapalhado que fez um curso de detetive por correspondência e que vê a chance de elucidar o mistério.

Segundo a sinopse, ele acabará descobrindo uma conspiração política que pretende instalar uma nova ditadura no país! E ele também vai se apaixonar por Arminda (Bianca Rinaldi), uma executiva poderosa e arrogante que trabalha para Madame Durrel (Jacqueline Laurence) que, por sua vez, quer construir um resort na cidade. Os planos do tal resort não agradam aos cidadãos, pois Ribeirão do Tempo é conhecida por suas belezas naturais e pólo da prática de esportes radicais.

A novela tem proposta e sacadas interessantes, mas o casal protagonista chama a atenção pelo inusitado. Temos uma executiva arrogante, vivida por uma bicuda e pouco inspirada Bianca Rinaldi, e um detetive atrapalhado, encarnado por um Caio Junqueira mais à vontade. Até aqui, o casal parece não ter muita química, já que vivem em universos bastante distintos.

A seu favor, Ribeirão do Tempo tem o texto seguro de Marcílio Moraes e uma direção correta de Edgard Miranda. A cenografia, com destaque para a bela cidade cenográfica, chama a atenção. Mas é cedo para qualquer conclusão mais profunda, visto que os enxutos capítulos iniciais ainda não revelaram muita coisa. A novela só terá capítulos de tamanho "normal", somente quando Bela, a Feia sair do ar, em mais uma daquelas estratégias de programação malucas da Record.

Leia  as colunas anteriores de André Santana:

Para todos os gostos

Politicamente incorretas

Por todos os lados

Quem é o colunista: André Santana.

O que faz: Jornalista e blogueiro.

Melhor lugar do mundo: Minha pequena cidade de Ilha Solteira - SP.

Pecado gastronômico: Filé à parmegiana... e batata frita!

Fale com ele: andre-san@bol.com.br ou acesse seu blog.

Atualizado em 6 Set 2011.

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