Guia da Semana

Eduardo Kobra fala sobre mural de Niemeyer na Paulista

O Guia da Semana conversou com o artista sobre a grande pintura na parede lateral do edifício Ragi

Desde o dia 14 de janeiro, o muralista e artista plástico Eduardo Kobra está produzindo uma grande pintura na parede lateral do edifício Ragi, no início da Avenida Paulista, em homenagem ao arquiteto Oscar Niemeyer e aos 459 anos de São Paulo.

O painel, que mede 52m de altura e 16m de largura, retrata o rosto do famoso arquiteto brasileiro. "Escolhi o Niemeyer porque, mesmo ele sendo carioca, ele homenageou os paulistanos com obras maravilhosas, como o Museu da América Latina, Parque do Ibirapuera, entre outras", afirma.

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Em um bate-papo descontraído, o Guia da Semana conversou com o artista, que falou sobre os detalhes da produção e a satisfação pessoal de realizar um trabalho desse porte.

Como surgiu a ideia de fazer um painel com o rosto do Oscar Niemeyer para o aniversário de São Paulo?
Há mais ou menos 2 meses eu fiz um trabalho em uma usina termoelétrica em Macaé, no Rio de Janeiro, onde retratei os principais monumentos brasileiros, dentre eles dois do Oscar Niemeyer, a Catedral, de Brasília, e a Pampulha, de Belo Horizonte. Depois disso, eu pintei uma tela grande do rosto do Niemeyer que foi mais ou menos a base para esse tralho. E eu sempre quis colocar esse painel na rua. Ai veio a notícia de que o arquiteto havia falecido. Como eu já tinha nas minhas mãos a base da arte e a autorização prévia do prédio, eu fui atrás de patrocínio e acabou rolando. Acho que a ideia foi um sucesso, o Oscar Niemeyer fez muita coisa por São Paulo.

Além do rosto do Niemeyer, a pintura ainda conta com outras obras do arquiteto. Por que?
Esse trabalho vem na linha dos murais que eu pintei em Miami, Los Angeles e Nova York. Ele vem com uma linguagem super colorida e com formas geométricas. Então eu aproveitei essa linguagem para inserir outros elementos. É possível perceber no rosto, na camisa e nas mãos várias obras que o arquiteto fez pelo Brasil, como a Pampulha, o Copam, o Museu Oscar Niemeyer e o Palácio do Planalto.

Quais foram as dificuldades de pintar esse painel?
Não é fácil, tem que ter muita determinação e amor pelo trabalho. Quando estamos com os andaimes, não conseguimos ter noção do que exatamente estamos pintando devido a proporção do mural. Além disso, tivemos o agravante das chuvas e ventos. Eu e a minha equipe – no total somos em quatro – temos trabalhado das 8h às 20hs. 

Por que você escolheu a Av. Paulista para instalar essa pintura?
Eu sou paulistano e amo a minha cidade. Então, para mim, a Avenida Paulista é um dos locais mais importantes da cidade e um dos pontos turísticos que eu mais gosto e admiro, além de ser um dos cartões postais do Brasil.

Qual é a sensação de ver um trabalho seu em uma das avenidas mais importantes da cidade?
É uma honra muito grande ver que hoje a street art consegue ocupar um espaço na avenida que é cartão postal da cidade. É uma forma de democratizar a arte, e eu me sinto muito feliz em relação a isso. Estou com 37 anos, mas comecei a pintar sozinho com 12 anos de idade, sou autodidata. E por conta de toda a trajetória de pichação, grafite e hoje muralismo, eu levei mais de 20 anos para chegar nesse momento de pintar a lateral de um grande prédio numa das mais importantes avenidas. Eu estou muito emocionado e orgulhoso desse trabalho.

O que São Paulo significa para você?
Eu amo São Paulo, mesmo ela sendo uma cidade de muitos contrastes. Eu nasci na periferia, no bairro do Campo Limpo, e entrei numa galeria de arte pela primeira vez somente com 26 anos. Depois disso, tive a oportunidade de conhecer os dois lados da cidade, tanto o mais pobre quanto o mais nobre. Mas quando eu pinto esses murais na cidade eu quero deixar uma mensagem de amor por São Paulo e dizer que todos os paulistanos podem fazer alguma coisa por ela. O que eu tenho de melhor é a minha arte, e eu faço essa doação para a cidade para deixá-la ainda mais bonita.

Atualizado em 26 Jan 2013.

Por Anna Thereza de Almeida
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