Guia da Semana

Guia da Semana indica: conheça o trabalho do artista Diego Moraes

Saiba tudo sobre o início de sua carreira e dicas para quem quer entrar de cabeça nesse universo

O que é preciso para ser um artista? Técnica? Experiência? Dom? Para o artista plástico Diego Moraes, o necessário é amor. Amor pela arte em suas mais diversas formas e, mais do que isso, a capacidade de doar tudo o que existe em si para o mundo e para cada pessoa que vê seu trabalho ganhando cor.

Para ele, descobrir que queria ser um artista não foi tão difícil. Aos seis anos de idade, através de um luthier amigo de seu pai, conheceu o violão – instrumento pelo qual é apaixonado até hoje. Mais tarde, já no colégio, começou a se interessar pelas artes visuais. Certo dia, desenhou despretensiosamente em uma carteira da sala de aula. Dias depois, durante o descarte das que estavam quebradas, uma professora viu e solicitou à direção para levar a carteira para casa. No dia seguinte, chamou Diego e disse para que nunca desperdiçasse esse dom. E foi a partir daí que sua relação com os desenhos intensificou-se.  

Hoje, aos 33 anos, trabalha como designer gráfico, tendo como segundo emprego artes sob encomenda. Além de telas, faz um trabalho incrível com garrafas e também esculturas orgânicas. Diego ainda é um novo nome no mundo das artes, mas se para ganhar notoriedade é preciso ser criativo, inovar, ser autêntico e ter estilo, com certeza ele já é um artista completo.

Conheça mais sobre sua história e acompanhe a entrevista:

Como aconteceu sua identificação com a arte? O que ela significa na sua vida?

Minha primeira identificação com a arte e sua desenvoltura foi através de uma fita VHS do Jimi Hendrix visto na casa de um amigo. O vídeo começa com o artista Denny Dent passando por um morador de rua que se depara com latas de tinta e começa a pintar em uma pedra o rosto do cantor. Outro que destaca também é o Voka, artista que rotulou o termo "Espontâneo Realismo".

Agucei o interesse e a curiosidade por trás das telas frequentando exposições e produzindo ativamente junto a família de amigos que já eram professores de artes no centro cultural da cidade. Os estudos foram ficando mais profundos e a criação juntamente com esses professores para projetos de exposição fora das aulas também. Entendendo a criação e sua essência, descobri que realmente a arte é revolucionária e está presente na minha vida como uma forma extrema de expressão.

Como define seu trabalho? 

Chamo de realismo espontâneo e procuro buscar expressões, movimentos e cores, com a intenção de uma certa hipnose pelos desenhos que faço. Esse tipo de arte é elaborada fugindo do conceito de perfeição e dentro de um impulso momentâneo e sem reflexão consciente no ato da criação. Costumo usar materiais descartados. Gosto de pensar que o que é lixo para um, é arte para o outro e que isso torna-se um ciclo.

Como e quando começou a pintar? O que você quer passar com sua arte?

Comecei a criar aos 20 anos, quando tive um primeiro contato com painéis de papel usando técnicas mistas para moldurar. A partir daí, parti para pinturas em telas, que passam expressões e um certo pensamento vindo à mente sobre o que os personagens estão pensando e paisagens em movimentação aguçando o movimento do próximo instante.

Como você vê o mercado artístico no Brasil?

O mercado no Brasil não é nada valorizado devido a falta de divulgações e organizações de exposições regionais, porém muito rico devido às diversas culturas existentes. Não há investimento necessário e reciprocidade perante os artistas. E acredito que essas circunstâncias acontecem também devido a história do próprio país, onde temos como destaque os principais vendedores de matéria prima totalmente desvalorizados. Digo isso em questão de que obras de artistas daqui de dentro inseridos no exterior acabam sendo muito destacados. Durante alguns anos houve uma certa mudança e acredito que está havendo um pequeno desenvolvimento gradativo onde nomes estão ganhando destaque pela sua origem. O mais importante é que as pessoas precisam entender que arte é uma profissão levada muito a sério, que sem arte não haveria história.

A maioria dos quadros e garrafas que vi possuem grandes personalidades estampadas. Existe algum tipo de identificação?

A inserção dos personagens são escolhidas pelas suas expressões e por sua história dentro da arte e influências culturais. As garrafas fazem parte de um projeto que tem a intenção, além da própria arte, reciclar os materiais que são descartados, pois sou bem engajado com a degradação do meio ambiente. As mesmas podem ser usadas como castiçal ou abajur para decoração, algumas peças como nas fotos foram solicitadas com os personagens para decorar ambientes residenciais e bares. 

Qual foi seu último projeto?

Recentemente houve uma exposição em Vinhedo - onde moro atualmente - chamada "Tudo sobre o que eu não sei." Participei com uma tela do Einstein simbolizando o universo, que foi escolhido devido seus relatos, que entravam em transe e se conectavam com o universo, de onde visualizavam suas obras e criações.

Tem alguma dica para quem está começando?

Hoje há vários vídeos tutoriais sobre diversas técnicas de pintura, pois disponibilizam materiais para estudo gratuitos, basta um lápis, borracha e papel para começar. A arte é uma forma de expressão e terapia. Então, para quem tem interesse pelo assunto ou é um artista iniciante, minha maior dica é ler bastante sobre todo tipo de arte e frequentar diferentes exposições. Assim, com informação e entendimento, é possível ver tudo de uma maneira diferente. Juntando tudo que vemos e nos deparamos pela frente, tanto visualmente quanto auditivamente, é que surge a criação. Então, é legal estar aberto para olhar e enxergar. Porque, muitas vezes, olhamos e não absorvemos nada. Portanto, observem bastante os detalhes ao seu redor, questionem-se o porquê da forma, das linhas e por aí vai.

 

Contato:

Para conhecer e acompanhar mais o seu trabalho, acesse sua página no facebook.

Atualizado em 29 Mai 2015.

Por Nathália Tourais
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