Guia da Semana

Maldição em cena

Com direção de Aderbal Freire-Filho, montagem de clássico de Shakespeare traz Daniel Dantas no papel-título e Renata Sorrah como Lady Macbeth

Foto: Divulgação


"Sai, mancha maldita". A célebre frase de Lady Macbeth agora é dita por Renata Sorrah, que protagoniza uma das mais contundentes tragédias de Shakespeare ao lado de Daniel Dantas. Com direção de Aderbal Freire-Filho, Macbeth estreia em São Paulo nesta sexta, depois de uma temporada de três meses no Rio de Janeiro. Esta é a terceira montagem do dramaturgo inglês dirigida por Freire-Filho, já que antes vieram Hamlet (com Wagner Moura) e As You Like It, em 1985.

Com tradução do próprio Freire-Filho ao lado de João Dantas, filho de Daniel, o espetáculo leva ao palco uma das maiores histórias do teatro universal. A peça traz o atormentado Macbeth às voltas com um assassinato, e Renata Sorrah, a manipuladora mulher que ajuda a atormentá-lo. Produzida pelo próprio Daniel Dantas em parceria com Maria Siman, a montagem já era um projeto antigo do ator. "Eu tive uma história com essa peça. É a melhor peça que jamais foi escrita", diz.

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História antiga

Para concretizar o projeto, Dantas convidou Freire-Filho e Renata, com quem já tinha dividido Shakespeare na comédia Noite de Reis. "Eu já tinha trabalhado com os dois e adorei conviver com eles. Foram duas pessoas que pensei imediatamente", conta. Além disso, mais dez atores completam o elenco. "É legal estar com pessoas que têm disposição para se transformar. Um dos meus maiores orgulhos foi montar um elenco tão talentoso e divertido", completa o ator e produtor.

Segundo Renata, essa foi a ocasião perfeita para viver uma das personagens shakespearianas mais fortes. "Foi o momento exato para fazer Lady Macbeth. Aquele instante mágico que tem a química para dar certo", diz. Para se preparar para a interpretação, a atriz conta que procurou o lado humano dessa mulher. "O que eu tentei foi buscar a sua fragilidade. Não pensei em nenhuma outra personagem. Ela já é tão linda, tão bem escrita, e dá muitas possibilidades de fazer", afirma.

Já Dantas conta que só é possível fazer uma construção teatral a partir de nós mesmos. "Às vezes me espanto de nunca ter matado ninguém. É bom sabermos que não estamos distantes das coisas terríveis que os personagens fazem. Uma coisa que Shakespeare faz de forma brilhante é mostrar que todos nós somos muito próximos desses monstros. Não dá certeza que nunca cometeremos uma atrocidade", revela.

Em relação às comparações com montagens já feitas, Dantas conta que a única saída é pensar que o papel está sendo feito pela primeira vez. "O meu Macbeth, bom ou ruim, ninguém fez. Isso não quer dizer que não existam comparações. Eu só vou fugir de algo que alguém já fez se aquilo não for bom para mim", explica. "É saber que você está fazendo para aquelas pessoas que estão ali, que vai contar aquela história para quem está na plateia naquela noite", completa Renata.

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Espaço cênico

A encenação segue uma linha não-realista, que explicita a visão de Freire-Filho sobre a obra. Dividido em diversos fragmentos, o palco traz dois planos formados por quatro tablados. As cenas acontecem tanto em cima desses tablados quanto nos corredores entre eles.  Durante o espetáculo, as coxias ficam à mostra, expondo todo o processo de caracterização dos atores. Além disso, 24 cadeiras completam a arquitetura cênica criada por Mello da Costa.

"Uma das coisas que mais me decepciona é saber que Shakespeare não vai ver a peça. Era o cara que eu mais queria que assistisse. Tenho certeza que ele não a acharia muito moderna. Ele já escreveu em uma época de muita liberdade, praticamente não tinha cenário", brinca o diretor. "Minha encenação é viva e conversa com os dias de hoje. A literatura dramática é só uma parte da obra. A outra parte a gente faz hoje", completa Freire-Filho.

Para Renata, Lady Macbeth dialoga com as mulheres do século 21, pois possui características contemporâneas. "A Lady é muito moderna. Ela não é submissa, não se dedica às tarefas da casa". A atriz afirma que é um privilégio poder entrar em cena para contar uma história importante. "Todo mundo é ator. É muito bom poder ir ao palco e atuar. Adoro ensaiar, fazer grandes temporadas. Minha vida é muito ligada ao teatro, mas se tiver algo fora, ele me resgata", diz.

Atualizado em 6 Set 2011.

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