Guia da Semana

Nasi segue em frente

Longe do Ira!, grupo que encabeçou desde a década de 80, cantor dispara contra o bom-mocismo do rock nacional

No final de 2007, uma das bandas de rock de maior destaque do cenário nacional nas últimas décadas, o Ira!, estampou manchetes de jornais e revistas com a polêmica envolvendo a saída do vocalista Nasi e seus desentendimentos com os demais membros do grupo, e, principalmente, com seu irmão e empresário, Airton Valadão Júnior, a quem o cantor acusou de tentar agredi-lo com uma faca.

Para Nasi, a tentativa de interdição levada a cabo por seu pai, o advogado Airton Valadão Rodolfo, foi "esdrúxula" e contou com a influência direta de seu irmão, e que o momento é de "respeitar os mortos", referindo-se aos ex-companheiros André Young e Edgard Scandurra. Pronto para botar o pé na estrada ao lado de sua nova banda, o vocalista conversou com o Guia da Semana sobre seus atuais projetos, como a participação no filme Sem Fio e os rumos de sua carreira solo.



Após duas décadas e meia ao lado do Ira!, banda que ajudou a escrever capítulos importantes na história do rock nacional, Nasi deixa transparecer uma profunda desconfiança sobre os rumos do gênero. "Roqueiro no Brasil virou bom moço. Como diz a Rita Lee, roqueiro não tem mais cara de bandido" dispara. "Os músicos estão cada vez mais subservientes, parecendo jogador de futebol. Quem realmente ganha dinheiro em cima de ambos são os empresários e procuradores".

Com diversos projetos paralelos na bagagem, Nasi não se mostra preocupado com a possibilidade de ver os fãs pedirem os velhos hinos do Ira! durantes suas performances. "Nunca tive esse tipo de problema, mas se eles chegam com a expectativa de ver um show do Ira!, eu retribuo com uma boa apresentação", deixa claro o vocalista, que ainda mantém no repertório canções que fizeram sucesso com sua antiga banda, como Bebendo Vinho, Tarde Vazia e Por Amor.

Concentrado em sua nova fase, Nasi faz questão de destacar a qualidade dos músicos que o acompanham em cima do palco. O "quarteto poderoso", como frisa o cantor, é formado por André Youssef, nos teclados, Gaspa (ex-Ira!), no baixo, Nivaldo Campobiano e Júnior Moreno, nas guitarras. "O André tem excelentes timbres, e também é um grande solista. Já o Moreno, para mim, é o melhor guitarrista de rock do Brasil", ressalta.

Bem acompanhado, então, Nasi volta a trilhar um caminho mais identificado com o começo de carreira de qualquer banda, apresentando-se em clubes menores e bares. "Para mim são emoções diferentes tocar em lugares grandes, onde há um distanciamento maior do público, e em espaços pequenos, onde é possível manter a chama do rock viva", analisa o cantor que fez seu primeiro show após a saída do Ira! há cerca de três meses, no Clash Club, em São Paulo.



Apostando em faixas de seu último disco solo, Onde Os Anjos Não Ousam Pisar, em releituras de clássicos do rock e em trabalhos que remetem a seus antigos projetos paralelos, como a banda Voluntários da Pátria, o cantor modelou um repertório que abriga uma boa variedade de ritmos, mas que ainda tem um pé firme no blues, gênero que sempre percorreu com esmero e que vê como um dos mais férteis do Brasil, valorizando nomes como o do guitarrista André Christóvam e do pianista Adriano Grineberg.

Quem também ganha elogios de Nasi são os curitibanos do Relespública, com quem o ex-vocalista do Ira! se apresenta esporadicamente. "Acredito que eles são os mais dignos representantes do rock and roll tradicional, de bandas inglesas como o The Who, por exemplo. Mas, infelizmente são mais conhecidos no meio indie".

Novos ares

Amante incondicional da sétima arte, Nasi fez sua estréia como ator no papel do temperamental Castro, personagem de Sem Fio, filme dirigido por Tiaraju Aranovich, e com previsão de lançamento ainda para 2008. "Busquei inspiração no papel do Robert De Niro em Taxi Driver, um sujeito niilista, neurótico e solitário", explica o fã de Martin Scorsese, Stanley Kubrick, Federico Fellini e Glauber Rocha. Nasi acena ainda com a possibilidade de voltar para trás das câmeras, embora revele certa cautela com os convites que lhe chegam. "Tenho recebido muitas propostas para fazer curta-metragem, esse tipo de projeto, mas por enquanto não quero entrar de cabeça nisso.", afirma o cantor que mantém pôsteres de filmes antigos, como O Bandido da Luz Vermelha, de Rogério Sganzerla, espalhados pela casa.

Atualizado em 6 Set 2011.

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