Guia da Semana

Novas ideias na TV aberta

Produtos recém estreiados, Aline e Norma mostram inovação em suas linguagens; enquanto uma conquista, a outra decepciona

Foto: Tv Globo/Zé Paulo Cardeal

A TV aberta ainda é carente de novidades de fato. As emissoras, de modo geral, preferem apostar no que dá certo e abrem pouco espaço para experimentação. No entanto, duas estreias recentes da Rede Globo mostraram-se dispostas a procurar novas linguagens: as séries Aline e Norma.

Aline, baseada nas HQs de Adão Iturrusgarai, busca ser moderninha, embora esbarre em limitações de alguns tabus televisivos. No entanto, a modernidade tem mais a ver com a estética do que com o roteiro. A personagem-título tem dois namorados, mas a relação a três é mostrada tão sutilmente que não polemiza. Já a estética da série é algo pouco visto na TV atualmente, mas não chega a ser novidade.

A interpretação propositalmente exagerada, cores fortes, cortes e diálogos rápidos são os trunfos de Aline. Há momentos em que alguns episódios remetem a Armação Ilimitada, sucesso dos anos 80. Além disso, a série conversa com um público jovem sem tratá-lo como um idiota - fato bastante comum em produções do gênero. É gostoso, é divertido e rende boas risadas, sem maiores comprometimentos. Maria Flor (Aline) aparece à vontade e seus partners igualmente: Pedro Neschling (Pedro), que sempre apresentou desempenho mediano em TV, está divertido; Bernardo Marinho (Otto) já mostrou desenvoltura quando contracenava com Angélica no infantil Bambuluá e agora ressurge mais velho e mais maduro artisticamente. O trio é ótimo! Destaque para Daniel Dantas e Malu Galli, como os divertidíssimos pais da personagem principal.

Se Aline acertou a mão, o mesmo não se pode dizer de Norma. A série é ótima na premissa: uma pesquisadora indecisa precisa da ajuda da audiência para resolver que atitude tomar. Mais que um Você Decide, onde só havia duas opções de final, desta vez a participação do público influi em toda a trama, seja através de debates com a plateia, seja com a participação dos internautas no site do programa. Quando se fala de TV digital, as emissoras tateiam em busca de qual formato de programa interativo mais se "encaixa" em tempos de web 2.0. Uma proposta cheia de boas intenções, mas, na prática, fica devendo.

Primeiro, porque Denise Fraga, ao se despir de Norma e virar uma espécie de apresentadora, não consegue manter o pique e se perde em meio às opiniões da plateia. Além disso, os debates são manjadíssimos. Dicas sobre como uma mulher separada deve agir no primeiro encontro ou a diferença entre o chefe homem e mulher, geram situações previsíveis. Ou seja, o público opinou e deu as velhas sugestões de sempre. Um roteirista não poderia encontrar saídas menos óbvias? Poderia. Assim, a interatividade da série perde seu sentido. Norma é um programa de premissa moderna, mas de execução conservadora. Porém, pode melhorar caso a qualidade dos temas e dos debates sejam revistos.
Mesmo que Norma ainda não tenha dito a que veio e Aline ter mostrado ser um bom entretenimento, é sempre válida a busca de novas linguagens na televisão brasileira. Afinal, tentando se erra muito. Mas também se acerta.

Foto capa: TV Globo/Zé Paulo Cardeal

Quem é o colunista: André Santana.

O que faz: Jornalista e blogueiro.

Melhor lugar do mundo: Minha pequena cidade de Ilha Solteira - SP.

Pecado gastronômico: Filé a parmegiana... e batata frita!

Fale com ele: andre-san@bol.com.br ou acesse seu blog.

Atualizado em 6 Set 2011.

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