Guia da Semana

Rock rosa choque

O ritmo ganha força entre o público feminino e bandas formadas apenas por meninas deixa de ser novidade no cenário musical

Foto: Divulgação

As Mercenárias. O trio se destacou no cenário musical durante a década de 80

Os anos 60, além da revolução sexual, foram marcados pela explosão do rock'n roll mundo afora. Originado nos Estados Unidos, os acordes pesados vieram acompanhado de figuras nada convencionais para os padrões, com cabelos compridos, roupas grudadas e vozes agudas que entoavam mensagens de amor, liberdade e protestos. Embora o período levantava a badeira da igualdade entre os sexos, eram eles, somente eles, que dominavam o cenário. A excessão de Janis Joplin, que personificou o famoso lema "Sexo, drogas e rock'n roll".
 
No Brasil, o estilo ganhou força com Nora Ney, que gravou, em 1958, a canção Rock Around The Clock, de Bill Haley. Mesmo com todo o preconceito na época, já que as mulheres em carreita artística não eram vistas com bons olhos, a canção fez sucesso e ganhou uma versão brasileira, Ronda das Horas.

Sexo frágil? Não!

No Brasil, uma das primeiras a ganhar destaque foi As Mercenárias, banda formada em 1982. Denominadas como pós-punk, o grupo se conheceu na Universidade de São Paulo e mostrou que a mulherada não estava para brincaeira. "Quando nos conhecemos, nós apenas estudávamos. Inicialmente, a formação era comigo no baixo, Ana Machado na guitarra e Rosália no vocal. Contamos, na época, com o iniciante Edgard Scandurra na bateria, que foi co-autor de diversas canções, mas depois seguimos sozinhas", conta Sandra Coutinho, que continua na atual formação com Geórgia Branco (guitarra e vocal) e Pitchu Ferraz (bateria e vocal).
 
Muitas das composições do trio são letras de protesto, mas outras são existenciais. "As Mercenárias é uma banda da década de 80, época em que o país passou por muitas mudanças. As canções, por vezes, protestavam sobre diversos assuntos, sendo mais realistas", completa.

Foto: Divulgação

A Banda Agnela conseguiu seu espaço graças a participação em um quadro do programa Caldeirão do Huck

Preconceito

Mesmo com as mulheres conquistando seu espaço no mercado, ainda há muito preconceito. "Sofremos muito no início da carreira e até hoje, pois acredito que o mundo feminino está cada vez mais se destacando e é difícil e estranho para os homens se acostumarem com isso. Essa discriminação faz parte e sempre fará de alguma forma, só é preciso saber administrar direito e ir conquistando a confiança do público", ressalta a vocalista da banda Agnela, Andreia Cassali.
 
Formada por cinco garotas cariocas, a banda também conta com Nath Vittori (guitarra), Betah Soares (guitarra), Millah Orofino (baixo) e Loma Longotano (bateria). O quinteto se destacou ao participar do quadro Olha a Minha Banda, do programa Caldeirão do Huck, tendo uma de suas composições, Podia Ser, na trilha sonora do seriado teen Malhação. Uma das principais influências do quinteto é a cantora Pitty. "Acredito que ela conseguiu mostrar que uma banda de rock pode ser comandada por uma mulher e que o sexo feminino pode muito bem tocar esse estilo", destaca a vocalista.
 
Das 14 canções do disco de estreia (com previsão de lançamento em outubro de 2009), que leva o mesmo nome da canção de trabalho, Podia Ser, 11 são de autoria da vocalista, que afirma sempre compor de madrugada. "Eu busco me inspirar em momentos da minha vida, em coisas que estão guardadas dentro de mim e falam mais de amor e relacionamentos. Há uma música, por exemplo, que eu fiz para a minha mãe", conta Andreia.
 
Foto: Julia Lacerda

O quinteto Lipstick se conheceu em uma escola de música no ABC paulista

Desde cedo...

Embora recente, a Lipstick vem se destacando no cenário do rock. Formada por cinco garotas do ABC paulista, com Mel Ravasio nos vocais, Tila Gandra na bateria, Carol Navarro no baixo, Mi Oliveira nos teclados, e Dedê Soares na guitarra, todas se conheceram por volta dos 12 anos, em uma escola de música. "Foi em 2000, durante as apresentações que nos conhecemos e formamos nossa banda. De certo modo graças ao diretor do grupo que gostou do show que fizemos e sugeriu levarmos a carreira a sério", conta a vocalista do quinteto.
 
O grupo entrou em estúdio para gravar o primeiro disco, Lipstick, em 2007. Somente uma canção, Na Na Na, não é de autoria das integrantes da banda. A outras composições falam de amor, ódio, saudade, amizade. "Gostamos muito de escrever sobre os mais variados assuntos", diz Ravasio.

Mais bandas

As mulheres vêm mesmo mostrando que não estão para brincadeira. Na música, mais precisamente no rock, pop ou pop-rock, surgiram diversas outras bandas formadas por elas, como Las Juliettes, Dominatrix, Cínica e Las Dirces. "Acho que o rock ou qualquer outro estilo de música tem que acontecer. As mulheres precisam ter a oportunidade de mostrarem seu talento. Tudo que sempre possui um toque feminino dá certo, vale a pena", finaliza Andreia, vocalista da banda Agnela.

Bandas ao redor do mundo


 
A banda norte-americana Go-Go's entrou para a história da música internacional por ser o primeiro grupo formado só por mulheres a ter um disco no topo da Bilboard, além de todas as composições serem de autoria das integrantes do quinteto.




 
A canadense Kittie teve diversas mudanças de integrantes desde sua formação em 1996. Hoje, integram a banda Morgan Lander, Mercedes Lander, Tara McLeod e Ivy Vujic. Até lançar o primeiro disco, o quarteto apresentava covers da banda Nirvana. 




Formada em 1985, a também norte-americana L7 misturou metal com punk. A formação inicial contava com Donita Sparks, Suzi Gardner, Jennifer Finch e Dee Plekas. Até 2000, o grupo lançou sete álbuns e uma coletânea. O nome do quarteto deriva de uma gíria norte-americana para quadrado.




A sueca Those Dancing Days é formada por cinco mulheres que se apresentam com um visual todo anos 60. O nome é baseado em uma canção de Led Zeppelin, Dancing Days. Além disso, o som do grupo é inspirado na banda de punk-rock Blondie, mas com um toque mais feminino no estilo de tocar.


Atualizado em 6 Set 2011.

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