Guia da Semana

Rótulos, para que te quero?

Pós-rock? Anti-folk? Shoegaze? Como a crítica procurar etiquetar o universo da música

Strokes, que nunca foram independentes, são geralmente tachados de indie rock


Há algumas décadas, ritmos tradicionais como pop, rock, jazz e folk não são mais suficientes para descrever a evolução e os desdobramentos da música. Desde então, setores da imprensa especializada se empenharam em fixar uma etiqueta diferente em cada pequena variação estilística, forjando uma infinidade de subgêneros que nada explicam.

Não é preciso ser especialista para diferenciar o cool jazz do bebop, o punk rock do grunge ou o electro do minimal, mas conhecer de cor e salteado todas as ramificações da música eletrônica ou quais artistas pertencem a quais vertentes do heavy metal é submeter-se a um dos tiques mais chatos da crítica musical: a rotulagem.

Confira abaixo uma pequena lista com alguns dos rótulos mais esdrúxulos da música pop:

INDIE ROCK

Pau para toda obra, o indie rock não demorou a ser desmascarado como um rótulo contraditório. Cunhado para se referir a qualquer banda ou músico que se mantivesse fora do espectro das grandes gravadoras, o termo acabou definindo uma legião de bandas associadas ao movimento britpop - outra etiqueta sem pé nem cabeça. Logo, nomes como Blur, Oasis, Pulp e Muse passaram a ser tachados de indie (palavra derivada de independent), embora tivessem contratos de peso assinados com os selos mais poderosos da industria fonográfica.

? Principais artistas: Weezer, Blur, Oasis, Franz Ferdinand, Arctic Monkeys e Strokes

PÓS-ROCK

Tomados pelos críticos mais ácidos como o filho bastardo do rock alternativo com o jazz, o termo pós-rock surgiu na imprensa britânica entre o final dos anos 80 e o início da década seguinte para rotular bandas como Tortoise, Slint e Mogwai, artistas que compartilhavam uma forte inclinação ao fusion e à música eletrônica experimental, deixando os vocais de lado em favor da seção instrumental.

Pós-rock: o quarteto americano Tortoise
Ao supor que o gênero suplantava as diretrizes do rock e se aproximava do jazz, ainda que não englobasse frações substanciais de sua essência, a crítica descartou o empirismo como sua matéria prima definitiva. O que poderia ser definido simplesmente como música experimental ganhou contornos cabeçudos, quase sempre rejeitados pelos próprios artistas. "Quando se referem ao pós-rock querem dizer o quê? Tortoise? Não somos pós-rock. Somos rock e ponto" afirma Guilherme Granado, guitarrista do Hurtmold, sexteto paulistano identificado pela imprensa como pós-rock.

? Principais artistas: Tortoise, Mogwai, Slint, Stereolab e Explosions In The Sky.

SHOEGAZE

Fitar os próprios sapatos enquanto a platéia é solenemente ignorada virou sinônimo de gênero musical no início da década 90. Devidamente apelidado de shoegaze, o movimento encabeçado por bandas como My Bloody Valentine, Ride e Slowdive era mais conhecido pelo modo indiferente com o qual tratavam os fãs do que pela vocação em criar sonoridades viajantes, concebidas notadamente por guitarras distorcidas e vocais mormurantes.

Shoegaze: olhando para os sapatos
Apesar de revelar uma leva de nomes fundamentais para a evolução do rock alternativo, o conceito shoegazer não tardou em cair em desuso, tornando-se mais um rótulo datado e perdido no tempo. Ainda assim, em 2003, a diretora Sophia Copolla remexeu nesse baú ao incluir na trilha sonora do badalado Encontros e Desencontros dois clássicos do gênero: Sometimes, do My Bloody Valentine, e Just Like Honey, do The Jesus & Mary Chain.

? Principais artistas: My Bloody Valentine, Ride, Slowdive e The Jesus & Mary Chain.

ANTI-FOLK

Bola da vez nos segundos cadernos, o anti-folk pode ser considerado sem muita vacilação o termo mais vago dos últimos anos. Colocando no mesmo saco gente como Beck, Kate Nash e The Melody Peaches, o rótulo é uma verdadeira colcha de retalhos do folk rock nova-iorquino. Apelando a conexões improváveis entre artistas tão distintos quanto Jeff Buckley e Ani Difranco, o anti-folk ainda não encontrou um denominador comum que o legitimasse como gênero.

Regina Spektor: ícone do anti-folk
A confusão em torno de suas definições é tão evidente que a ascensão da jovem Mallu Magalhães como nova estrela do anti-folk nacional passou por cima dos requisitos geográficos do gênero. Para obscurecer ainda mais seus conceitos, o rótulo não explicita o fio condutor entre as baladas de Kate Nash, o pop esperto da canadense Feist e o piano de Regina Spektor, três de seus maiores ícones. Enfim, para que explicar se o objetivo de um rótulo é quase sempre confundir?

? Principais artistas: Beck, Ani DiFranco, The Melody Peaches, Regina Spektor e Feist.

Atualizado em 10 Abr 2012.

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