Guia da Semana

The Cranberries na Ilha da Magia

Banda irlandesa dá espetáculo e esquenta a noite fria da capital catarinense

Foto: Eduardo Nascimento


A sintonia do espetáculo no Stage Music Park, em Florianópolis, estava perfeita, desde a equalização e a harmonia dos instrumentos até o sorriso com ar de satisfação visto na plateia. The Cranberries não se importou com o friozinho pré-primavera que fazia na noite de 16 de outubro, e tratou de esquentar o público logo de cara com a canção Analyse. A vocalista Dolores O'Riordan, com sua doce e potente voz, subiu ao palco literalmente brilhando: calça de couro e camiseta justa e cintilante, cinto dourado e All Star nos pés.

Para completar o figurino, o pedestal da cantora estava todo encoberto por penas, algo que à primeira vista me lembrou o Garibaldo, personagem do seriado infantil Vila Sésamo. Não demorou muito para a canção mais esperada pelos casais apaixonados ser dedilhada pelo guitarrista Noel Hogan. Linger foi tocada antes mesmo da metade do show, acompanhada do início ao fim pelo coro da plateia.

Aos que pensavam que o espetáculo seria guiado pela frieza irlandesa, mero engano. Dolores e Noel se completavam no carisma. Ela exteriorizava cada melodia executada por seus colegas. Subiu na caixa de som várias vezes, na parte lateral do palco, e nas baladas chegou a sentar e deitar sobre o tablado.

Já o guitarrista, mesmo que timidamente, dançava e pulava nas composições mais animadas, completando o agito. Florianópolis parece ter agradado ao grupo, algo comum à boa parte dos artistas que pisam por aqui. Logo no início, Dolores revelou ter achado a cidade linda e ter passado parte da tarde na beira do mar.

Uma tribo de sucesso

Apesar de não estar em evidência e nem ligada ao mainstream, o quarteto irlandês, que vendeu mais de 38 milhões de discos, continua muito bem sincronizado. Quando a banda tem qualidade, não é preciso número para fazer um ótimo espetáculo. Tudo se encaixou perfeitamente no show de Florianópolis.

Na canção Salvation, Dolores surpreendeu o público com um penacho colorido na cabeça, talvez em alusão aos índios sul-americanos - tudo a ver com o título da canção. A plateia ainda teve o prazer de apreciar os clássicos How, Ode To my Family, Empty, Just my imagination, Desperate Andy, Ridiculous Thougths, Zombie, Dreams.
Para fechar a festa, no bis, a vocalista voltou ao palco ainda mais ousada, agora com um vestido vermelho, mas sem tirar o All Star dos pés. Tamanha ousadia deixou os fãs mais esperançosos quanto ao prometido disco do Cranberries para o ano que vem. Resta-nos, então, aguardar e desfrutar o que a banda, cujo nome é uma fruta vermelha e bem docinha, promete nos proporcionar.


Quem é o colunista: Eduardo Nascimento.

O que faz: estudante de jornalismo, apaixonado por artes (um arteiro).

Pecado gastronômico: estrogonofe de carne.

Melhor lugar do Brasil: a casa dos meus pais à beira mar.

Fale com ele: edurocco@gmail.com

Atualizado em 6 Set 2011.

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