Guia da Semana

A Gênese do Terror

Jogos do Poder mostra o começo e o meio da história que terminou com a ascensão de líderes guerrilheiros como Osama Bin Laden. E, tudo, por influência direta dos norte-americanos e sua estratégia falha para campanhas militares

De Los Angeles


Muito antes de nomes como Kandarar e Kabul ficarem famosos nos noticiários, por causa da ação militar de tropas norte-americanas na chamada Guerra Contra o Terror deflagrada por George W. Bush em resposta aos atentados de 11 de setembro, as cidades do distante e rochoso Afeganistão já eram conhecidas do alto comando em Washington. Depois da invasão da União Soviética em 1979, foi lá que foi travado o último capítulo armado da Guerra Fria. É exatamente aí que Jogos do Poder (Charlie Wilson´s War) começa sua história.

Tom Hanks vive o mulherengo Charlie Wilson, congressista de pouca relevância, mas com bons contatos. Confrontado por uma socialite engajada e religiosa, na pele de Julia Roberts, ele se envolve na pequena operação que a CIA financiava no Afeganistão. O roteiro de Aaron Sorkin (veterano de The West Wing) leva o espectador por um passeio aos bastidores da derrocada militar da União Soviética. Tudo, porém, fruto do envolvimento pessoal e das negociatas desse tal Charlie Wilson que, pode ser dito, derrubou os russos "sozinho", ao angariar um bilhão de dólares possibilitou suporte e treinamento dos rebeldes afegãos.

Em meio a tudo isso, existe um provérbio antigo. E existe Philip Seymour Hoffman, em mais uma interpretação impressionante e contagiante, como o especialista da CIA que orienta Wilson nas reais necessidades da "guerra" contra os russos. O provérbio, trazido pelo personagem de Hoffman, diz que quando se ganha algo, só o tempo vai dizer se veio para Bem ou para Mal.

Jogos do Poder dá uma boa noção de como tudo isso aconteceu, entretanto, um conhecimento mais aprofundado desse capítulo da história mundial torna-se necessário para encaixar perfeitamente todas as peças propostas pelo roteiro. Enquanto faz seu lobby para salvar os afegãos, povo a quem se apegou, ele é investigado por um certo Rudolph Giulliani, de Nova Iorque, que, então, começa a aparecer no início dos anos 90 como uma espécie de "caça-marajás" norte-americano. Sua latente necessidade de viver cercado por mulheres bonitas e, muitas vezes, nuas, o fez vítima de acusação de uso de drogas.

Sempre acompanhado por um copo de uísque, Wilson angaria fundos, define seus usos e, aos poucos, consegue algo considerado impossível e inimaginável para o Congresso: muda os rumos da guerra. Com sua tecnologia superior e estratégia definida para a invasão, os russos aniquilavam qualquer resistência afegã com seus tanques e, especialmente, seus helicópteros. Hollywood já visitou esse cenário e com seu melhor soldado. John Rambo auxiliou a causa e tem sua cena épica na qual derruba um dos veículos russos em Rambo III.

Como não poderia deixar de ser, Jogos do Poder é um filme político e tenta utilizar astros como Tom Hanks, Julia Roberts, Philip Seymour Hoffman e uma bem aproveitada Amy Adams para mostrar que, assim como Charlie Wilson, os norte-americanos têm uma série de defeitos de conduta e, literalmente, quem planta colhe. O que nos leva ao provérbio do início, Wilson conseguiu vencer uma guerra e o futuro diria se foi para Bem ou para Mal. Os atentados de 11 de setembro foram a resposta. Osama Bin Laden foi um dos operativos treinados por especialistas norte-americanos nesse contexto.

O próprio Charlie Wilson define: fizemos algo grandioso, mas ferramos tudo no final. Como sempre. O filme é bem feito, fiel à sua proposta e aos acontecimentos, mas pode fazer pouco sentido aos espectadores brasileiros.

Foto: Divulgação

Leia as outras críticas do nosso correspondente:

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  • Sangue Negro


    Quem é o colunista: Fábio M. Barreto adora escrever, não dispensa uma noitada na frente do vídeo game e é apaixonado pela filha, Ariel. Entre suas esquisitices prediletas está o fanatismo por Guerra nas Estrelas e uma medalha de ouro como Campeão Paulista Universitário de Arco e Flecha.

    O que faz: Jornalista profissional há 12 anos, correspondente internacional em Los Angeles, crítico de cinema e vivendo o grande sonho de cobrir o mundo do entretenimento em Hollywood.

    Pecado gastronômico: Morango com Creme de Leite! Diretamente do Olimpo!

    Melhor lugar do Brasil: There´s no place like home. Onde quer que seja, nosso lar é sempre o melhor lugar.

  • Atualizado em 6 Set 2011.

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