Guia da Semana

"Ainda batalho pelo meu espaço em Hollywood"

De Los Angeles


Joshua Jackson será eternamente marcado pelo Pacey, da bem-sucedida série adolescente Dawson´s Creek, mas o ator não desiste de emplacar sua carreira cinematográfica e também continua apostando na TV. Aos vinte e nove anos, ele entende que os tempos de ídolo teen ficaram para trás e que, agora, é hora de encarar papéis mais sérios.

E a hora chegou com a confirmação da série de ficção científica Fringe, em que Jackson interpreta um dos personagens principais, numa trama que aborda fenômenos inexplicáveis e armas biológicas pela óptica de uma agente do FBI. No comando do programa está ninguém menos que J.J. Abrams, a locomotiva que não pára de produzir e revitalizar os gêneros em Hollywood. De Los Angeles, Joshua Jackson falou ao Guia da Semana sobre Imagens do Além (seu último filme, no qual contracena com a belíssima Rachel Taylor), fantasmas e, claro, Fringe.

Fábio Barreto: Você era cético antes de Imagens do Além? Continua ou mudou de idéia?
Joshua Jackson:
Continuo cético. Não que eu não acredite no supernatural, mas como nunca tive nenhum tipo de experiência real com o assunto, acabo mantendo uma opinião distante sobre o tema. Talvez possa ser verdade, mas não cabe a mim decidir isso. Esses fenômenos são uma manifestação física do karma. Você faz algo errado e acaba sendo assombrado. Deixando de lado a parte metafísica, se você faz algo errado na vida, vai sofrer alguma conseqüência; eu acredito que aqui se faz, aqui se paga.

Mas como explicar esse fenômeno da fotografia espiritual? Como o filme aborda isso?
Joshua Jackson:Acho muito interessante entender a importância da organização da sociedade oriental, especialmente a japonesa, para que esses espíritos apareçam e se manifestem nas fotos. Dentro da crença deles, tudo é baseado na honra e no respeito. Claro que, se alguém quebra essas regras, desonra ou desrespeita alguém, é preciso ter algum parâmetro moral para evitar novos deslizes. E é aí que os fantasmas entram. Ochiai [diretor] disse que os japoneses usam isso para assustar as crianças que não se comportam. É algo como o bicho-papão. Faz sentido, mas não precisa ser necessariamente verdade.

Hollywood vem apostando nesses remakes há um tempo. Qual a razão? Predileção pelo tema ou alguma necessidade de mercado para abortar a cultura oriental?
Joshua Jackson:Não sei se a América entende a cultura oriental e quer ter essa compreensão. O que fica mais claro é que estamos vivendo um novo ciclo desse gênero. Filmes desse tipo apostam em situações mais elaboradas e aterrorizantes que envolvem espíritos e fantasmas. Acredito que pode ter havido uma mudança no modo de pensar do espectador e, neste momento, ninguém quer ver aquele terror nojento, com pedaço de gente voando para todo lado, por exemplo. O conceito de algo terrível, mas invisível, é mais assustador que muita coisa que vemos por aí.

Mas é possível trabalhar esses conceitos com gente incrédula como você, por exemplo?
Joshua Jackson:Eu não preciso acreditar que o Fred Krueger é o guardião dos meus pesadelos para morrer de medo dele. Não acho que ele vai me cortar e jogar meu sangue para todo lado, mas eu não dormi por uma semana, depois que vi aquele cara pela primeira vez. Se o filme funciona, acreditar nos detalhes não faz muita diferença. Assisti à versão original desse filme [Espíritos] e, mesmo sendo legendado, consegui entender e compartilhar o medo que aqueles atores passaram. É uma história muito intensa, funciona independente da bagagem cultural do público.

Trabalhar em Hollywood dá medo?
Joshua Jackson:Ficar velho dá medo (risos!). Acho que ainda estou batalhando por meu espaço aqui. Trabalho há mais de dez anos - Deus, estou ficando velho! - e sempre luto por cada oportunidade. Ser o Pacey não abre tantas portas quanto as pessoas imaginam. Se nem o Dawson [James Van Der Beek] conseguiu, imagina o Pacey (risos).

Já existe algum plano para número de temporadas para Fringe?
Joshua Jackson:A idéia é muito boa e explora bem o gênero da ficção e existe potencial de contar uma por mais tempo depende da equipe. E J.J. tem uma ótima equipe. Os caras que fizeram o novo Jornada nas Estrelas estão neste projeto, então, tenho boa expectativa.

Qual a razão de J.J. Abrams ser tão inovador e bem-sucedido?
Joshua Jackson:Todo bom escritor tem que ter seu estilo próprio. E J.J. faz isso muito bem, desde Uma Segunda Chance, que foi o primeiro filme dele e todo mundo ignora por só falar de Lost e outros projetos maiores. Ele é capaz de casar um diálogo inteligente e bem sacado em situações teoricamente impossíveis para o público. Ele não trabalha como a indústria quer, mas do jeito dele. Um dos trunfos é a equipe, vai ele modelando e promovendo, para que tenha um grupo capaz de entendê-lo e segui-lo em qualquer projeto. Ele é um cara tão dinâmico e acelerado que mal fica num assunto por mais que alguns segundos, e sempre vai pensando quilômetros à frente. Não é todo mundo que pode decidir que vai gastar US$ 10 milhões num piloto de TV e fazer algo que deu na telha. Ele usa sua fama, por assim dizer, para fazer coisas importantes e relevantes.

Foto: Divulgação do filme Imagens do Além

Leia as entrevistas anteriores do nosso correspondente:

  • Em L.A.: Confira um passeio pelo El Capitan, um cinema exclusivo da Disney

  • Frank Marshall: Spielberg imaginou e ele realizou tudo em Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal

  • Jason Statham: Astro de filmes de ação comenta seu papel em Efeito Dominó


    Quem é o colunista: Fábio M. Barreto adora escrever, não dispensa uma noitada na frente do vídeo game e é apaixonado pela filha, Ariel. Entre suas esquisitices prediletas está o fanatismo por Guerra nas Estrelas e uma medalha de ouro como Campeão Paulista Universitário de Arco e Flecha.

    O que faz: Jornalista profissional há 12 anos, correspondente internacional em Los Angeles, crítico de cinema e vivendo o grande sonho de cobrir o mundo do entretenimento em Hollywood.

    Pecado gastronômico: Morango com Creme de Leite! Diretamente do Olimpo!

    Melhor lugar do Brasil: There´s no place like home. Onde quer que seja, nosso lar é sempre o melhor lugar.

  • Atualizado em 6 Set 2011.

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