Guia da Semana

“As Tartarugas Ninja” faz releitura genérica do clássico dos quadrinhos

Filme produzido por Michael Bay se apoia em clichês e não empolga, nem traz o humor esperado

Com tantos remakes e filmes com super-heróis nos cinemas atualmente, é compreensível que nem todos tenham ótimos roteiros e que alguns acabem apelando a dramas genéricos, disfarçados entre bonitos efeitos visuais e sequências de ação tão confusas quanto barulhentas. É compreensível, até certo ponto: “As Tartarugas Ninja”, que chega aos cinemas na próxima quinta-feira, abusa da boa vontade dos fãs e apresenta um trabalho preguiçoso, mal acabado e, em todos os sentidos, descartável.

É preciso considerar, é claro, que este filme não é pensado para os fãs trintões, mas para crianças. Ou, pelo menos, para crianças que ainda riem de piadas escatológicas e que não têm medo de tartarugas fisiculturistas ou de seu ineditamente gosmento mestre Splinter. Para as que só querem ver um pouco de ação, as lutas com artes marciais e a obrigatória sequência de perseguição em alta velocidade (no caso, numa montanha nevada) estão lá, justificando o nome de Michael Bay nos créditos.

Com ou sem saudosismos, o fato é que as novas tartarugas, dirigidas por Jonathan Liebesman (Bay é produtor), parecem ter saído de um enorme baú de clichês sortidos, visando nenhum efeito em particular. Estão ali o guerreiro autodidata, a garota em perigo, a contagem regressiva, a torre mais alta da cidade, a dupla de cientistas interrompidos no meio de uma grande descoberta, etc, etc, etc.

A história (essa, que você já viu antes) é contada do ponto de vista de April O’Neal – ou melhor, Megan Fox. A atriz transforma a jornalista esperta e curiosa dos desenhos em seu papel de sempre: uma mulher medrosa, que não pensa antes de agir e causa todos os problemas para os heróis, que depois precisam resgatá-la. Como num filme da série Transformers, ela passa a maior parte do tempo gritando ou respirando alto, de boca entreaberta.

April é uma repórter de amenidades, mas quer provar aos seus chefes que é capaz de fazer uma grande reportagem investigativa. Por isso, vai atrás do Clã do Pé (uma organização criminosa que atua em Nova York, comandada pelo Destruidor) e flagra sua ação, junto com a reação de um grupo de “vigilantes”, que, logo, descobrirá serem as Tartarugas Ninja.

A origem das tartarugas, no filme, é um pouco diferente das versões conhecidas, e sua relação com April é totalmente diferente. Suas personalidades individuais deixam a desejar, especialmente no caso de Leonardo, pouco expressivo durante todo o filme. Michelangelo está caricato como o “don juan do gueto” e Donatello deve sua graça exclusivamente aos seus óculos malucos. Raphael, que deveria ser o rebelde, combina toda a sua montanha de músculos a uma série discursos melodramáticos e é responsável por alguns bocejos na sala do cinema.

Juntos, eles lembram mais um grupo de colegas da academia do que aqueles quatro irmãos brincalhões apaixonados por pizza. Se o Destruidor poderia injetar um pouco de emoção ao filme, também isso não acontece: o vilão é tão pouco desenvolvido que o espectador não sente medo, compaixão ou qualquer interesse por ele, exceto por suas lâminas voadoras. Quem oferece um pouco de frescor é o motorista/câmera de April, interpretado por Will Arnett. Ele representa o cidadão comum que se vê no meio de uma luta cheia de criaturas estranhas, e suas reações e diálogos banais rendem algumas risadas.

“As Tartarugas Ninja” aproveita o embalo que a franquia vem recebendo com a série de TV da Nickelodeon, mas não faz muito para ampliar esse sucesso. Infantil demais para audiências adultas, logo dispensará o lucrativo público de vinte a trinta e poucos anos que buscam nostalgia. Pouco engraçado, também não deixará uma marca muito forte nas crianças, que logo voltarão às TVs e encontrarão personagens mais carismáticos.

Para os adolescentes, o filme se infla com músculos, velocidade, lutas e uma única mulher sensual, mas dificilmente isso será suficiente para superar outros pipocões idênticos. Logo, todos terão se esquecido destas tartarugas.

Assista se você:

  • É fã dos filmes de Michael Bay
  • É fã de Megan Fox
  • Quer ver mais um filme de ação para não pensar

Não assista se você:

  • É fã das Tartarugas Ninja
  • Quer ver um filme engraçado
  • Não gosta dos filmes de Michael Bay

Atualizado em 20 Ago 2014.

Por Juliana Varella
Compartilhe

Comentários

Outras notícias recomendadas

Emma Watson aparece cantando em novo vídeo de "A Bela e a Fera"

Atriz interpreta a canção "Belle", uma das primeiras do filme

Novos comerciais de "A Bela e a Fera" mostram cenas inéditas do filme

Live-action chega ao Brasil no dia 16 de março

Waiting for B. - documentário revela a rotina dos fãs que acamparam para ver show da Beyoncé

Filme integra a programação da Sessão Vitrine e estreia no dia 2 de março

15 Filmes imperdíveis que chegam aos cinemas em março de 2017

“A Bela e A Fera”, “Logan” e “Vigilante do Amanhã” estão entre as estreias do mês

"Mulher-Maravilha" ganha coleção de colecionáveis pela Funko

Lançamento vem para entrar no clima do novo filme da heroína

“A Grande Muralha” – Zhang Yimou abraça a fórmula de Hollywood em aventura com Matt Damon

Filme também traz a atriz chinesa Tian Jin como comandante de um exército