Guia da Semana

Caminho Para a Liberdade

Frio, fome, sede e cansaço - esses são os ingredientes de uma jornada para fugir do regime soviético na Segunda Guerra Mundial

Foto: Divulgação


Filmes de fuga sempre fizeram parte da história do cinema, com títulos como Papillon (1973), com Dustin Hoffman e Steve McQueen, ou Um Sonho de Liberdade (1994), com Tim Robbins e Morgan Freeman. São bons exemplos de personagens que não se renderam e buscaram sua liberdade a todo o custo. Eis que, em 2011, outro exemplo desta safra chegou aos cinemas brasileiros.

Caminho para a Liberdade (The Way Back, EUA, 2010), baseado no romance The Long Walk: The True Story of a Trek to Freedom, escrito por Slavomir Rawicz, contou com a direção e roteiro adaptado de Peter Weir (Sociedade dos Poetas Mortos e O Show de Truman). Em 1940, na Segunda Guerra Mundial, um grupo de homens decide fugir de um gulag soviético, local onde aqueles contrários ao regime do ditador Joseph Stálin eram mantidos como prisioneiros e condenados por espionagem.

Na gélida Sibéria, o grupo, comandado pelo jovem Janusz (Jim Sturgess) e pelo experiente Mister Smith (Ed Harris), parte na companhia de outros prisioneiros, incluindo o sádico e temperamental criminoso Valka (Colin Farrel, ótimo). Passando por situações extremas de frio, fome, sede e cansaço, o grupo decide ir, a pé, até a Mongólia. Porém, as situações extremas do clima (com frio capaz de cegar e matar em poucos minutos), vão fazendo com que o contingente de fugitivos vá diminuindo no decorrer do trajeto.

A grande sacada de Caminho para a Liberdade não é discutir política, traçando um perfil do mundo nos anos 40, em que Hitler e Stálin puseram fim a milhões de vidas na Grande Guerra mas, sim, colocar esses personagens, tão distintos e conflitantes, em busca de um mesmo objetivo: a liberdade. E, com personagens bem trabalhados, em que nenhum ali é um mero coadjuvante, Weir uniu um grupo de atores que mistura talento e carisma, criando uma empatia invejável com o público.


Afinal, é esperada a proximidade que se cria com o reservado Mr. Smith (Harris) e a bondade do jovem Janusz (Sturgess), e dar boas risadas com a ironia e sarcasmo do extremista Valka (Farrel). Além disso, somam-se a eles o doce Kazik (Sebastian Urzendowsky) e sua cegueira não assumida, e o poético desenhista Tomasz (Alexandru Potocean), que são obrigados a conviver com suas diferenças para seguirem diante de um objetivo em comum.

Porém, quando chegam à Mongólia, descobrem que o país é um aliado de Stálin e o plano precisa ser estendido com uma ida desumana até a Índia, somando mais de 6500 quilômetros percorridos a pé em mais de um ano, passando pelo inóspito Himalaia. No meio do caminho, surge a corajosa e doce Irena (Saoirse Ronan, que ficou famosa pelo papel da jovem Briony em Desejo e Reparação), que será o contraponto feminino naquele grupo de homens e fará com que os personagens se aproximem e exorcizem seus demônios internos.


Com ritmo e uma direção segura, acompanhamos esses personagens em situações extremas capazes de causar a perda de sanidade, fazendo com que o homem volte ao seu instinto animal, primitivo, no limite psicológico e físico, inclusive pela deterioração corporal (que deu ao filme a indicação ao Oscar de Fotografia), e observamos um grupo que atingiu seu máximo com um único objetivo: sobreviver.

Leia as colunas anteriores de Leonardo Freitas:

A Minha Versão do Amor

Elza

Biutiful


Quem é o colunista: Um jornalista aficionado por cinema de A a Z.

O que faz: Dono do blog Dial M For Movies.

Pecado gastronômico: Lasanha.

Melhor lugar do Brasil: Qualquer lugar, desde que eu esteja com meus amigos.

Para Falar com ele: leonardo.g.freitas@gmail.com ou o siga no twitter (@leogfreitas)






Atualizado em 1 Dez 2011.

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