Guia da Semana

Cinema das Índias

Os olhos do cinema mundial se voltaram de vez para Bollywood. Saiba mais sobre a indústria que atrai bilhões de espectadores ao redor do mundo


Cena do filme Quem Quer ser um Milonário?

Por muito pouco, Quem Quer ser um Milionário? não foi ignorado pelos cinemas e lançado diretamente em DVD. Mas a escolha das distribuidoras pelas telonas revelou-se mais do que acertada: além da liderança nas bilheterias mundiais e oito estatuetas do Oscar (incluindo a de melhor filme), o longa marcou a aproximação definitiva entre Hollywood e o cinema indiano.

Estamos falando de Bollywood, conhecido termo utilizado para designar a indústria cinematográfica de Mumbai (antiga Bombaim), responsável pela produção de cerca de mil filmes por ano - 300 na própria capital e o restante em outros núcleos, como Calcutá - assistidos por um público acumulado de cerca de 1,3 bilhão de espectadores, apenas dentro da Índia, anualmente.

Caldeirão de referências

Assim como grande parte do cinema mundial, Bollywood se desenvolveu no início do século XX. Com as produções mais populares do país, seus filmes são falados em hindu e fazem grande sucesso na Ásia (onde dominam mais de 90% do mercado) e em países onde existem comunidades expressivas de imigrante indianos, como Inglaterra e Estados Unidos.


Com muita dança e música, os atores são venerados como Deuses

A característica principal dessas películas é uma grande dose de melodrama, locação em países estrangeiros, além das cenas de dança (as trilhas costumam ser lançadas antes, para atrai o púiblico). Gêneros musicais, românticos, de comédia e ação. Tudo isso é apresentado ao mesmo tempo, num espetáculo de três horas de duração. Por essa razão, os filmes são conhecidos como masala, termo extraído da culinária indiana, que denomina uma mistura de especiarias diversas.

"As músicas e as danças estão presentes a cada 15 minutos, geralmente falando sobre temas familiares. Foram sendo adotadas ao longo do século, pelo fato do indiano possuir uma relação muito íntima com a música, a dança e valorizar muito sua família", explica o jornalista Franthiesco Ballerini, autor do livro Diário de Bollywood - Curiosidades e Segredos da Maior Indústria de Cinema do Mundo, com lançamento previsto para o início de maio.

Culto aos atores

Outro fator que chama atenção na indústria indiana é a adoração aos astros dos filmes. Até aí, nada de novo para o Ocidente. A grande diferença é que em Bollywood eles são venerados como deuses, literalmente, com direito a templos e oferendas. Esta é uma das razões pelas quais o cinema estrangeiro nunca conseguiu ultrapassar a marca de 8% de market-share na Índia, pois ao contrário de muitos outros lugares, o público do país prefere assistir seus conterrâneos nas telas.

A verdadeira Bollywood


Mesmo com todo o sucesso, Quem Quer ser um Milionário foge dos padrões Bollywoodianos

Mesmo tendo despertado a atenção dos críticos e produtoras para os filmes da Índia, Quem Quer Ser um Milionário?, está longe de ser algo próximo de uma produção local. Para começar o longa evidencia a miséria e a pobreza nas favelas de Mumbai, realidade completamente ignorada e rejeitada por Bollywood, que costuma priorizar o sonho de riqueza de uma população miserável. "É importante ressaltar que Slumdog Millionaire (nome original) tem muito pouco de Bollywood. Danny Boyle apenas pincelou algumas músicas e danças, mas a estrutura do filme é bem diferente de um produto produzido no país", analisa o especialista.

Modelo aplicável

Ao contrário do Brasil, o cinema indiano não é beneficiado por nenhum tipo de lei de incentivo federal. Mas mesmo assim prospera em grandes proporções. Além de levantar a questão da importância do setor como mercado em si, fica a pergunta de qual o segredo das Índias para atrair tamanho público para sua produção, ao mesmo tempo que cria uma identidade nacional para seus filmes.

"O esquema de produção ágil também é um bom modelo, assim como o eficiente maquinário de estúdios e profissionais especializados em pós-produção, equiparável à qualidade de Hollywood. Mas o Brasil também tem muito a ensinar a eles, principalmente na questão de temáticas mais diversas e liberdade de conteúdo", finaliza Franthiesco


Atualizado em 6 Set 2011.

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