Guia da Semana

Confira a entrevista com Timothy Zahn, autor de “Star Wars: O Herdeiro do Império”

Escritor fala sobre seu trabalho no universo expandido e revela expectativas para o próximo filme da saga

Se você é fã de carteirinha de Star Wars, com certeza já ouviu falar no “universo expandido”, formado por livros, quadrinhos, séries animadas e jogos além dos filmes. Há grandes chances, contudo, de que você nunca tenha conseguido ler as primeiras histórias.

Isso porque a edição brasileira da chamada “trilogia Thrawn”, escrita por Timothy Zahn no início dos anos 90, estava esgotada há anos, mas agora começa a ganhar uma nova edição pela Aleph. Para aquecer os motores para a chegada do novo filme da série, “Star Wars Episódio VII – O Despertar da Força”, a editora resolveu trazer de volta às prateleiras os três livros, começando por “O Herdeiro do Império”, que já pode ser encontrado nas livrarias.

Para promover a novidade, o autor da trilogia Timothy Zahn veio ao Brasil e conversou com o Guia da Semana sobre Luke, Leia, Han e seus dias de escritor-jedi:

 

Então você recebe a missão de escrever três livros baseados no universo de Star Wars. Por onde começar?

Eu comecei tentando pensar em quem seria um bom vilão, porque parte do que faz caminhar a história é o vilão. Pensei no que ele seria capaz e que tipo de pessoa ele seria - no caso, um estrategista militar. Então, tive que justificar por que ele não estava nos filmes - porque estava nas regiões desconhecidas.

Depois, pensei em como a Nova República estaria cinco anos depois dos filmes, que desafios ela teria para fazer um novo governo, e como Han, Luke e Leia se encaixariam em tudo isso. 

Que materiais extras você teve à sua disposição para trabalhar? Você chegou a se encontrar com George Lucas em algum momento?

Só me encontrei com George Lucas depois que os livros estavam terminados. O que eles me deram, além dos filmes, foi um material produzido para o jogo de RPG de Star Wars: eram quatro livros pesados com variedades de aventuras, tipos de alienígenas, personagens, naves espaciais, veículos, armas... Então eu poderia usar o que eu precisasse daquilo. Já havia um princípio de universo expandido nesse material.

Estamos vendo muitos universos expandidos ultimamente, com a Marvel e a DC investindo em novos formatos e novas histórias. Para você, quais são as vantagens e desvantagens de se ter um universo, ao invés de uma única trama?

É uma chance para os fãs de Star Wars, Star Trek ou Os Vingadores lerem outras aventuras com os personagens que gostam. O perigo é que há sempre o controle de quem quer que tenha os direitos sobre esse material. De uma hora para a outra, sua história pode deixar de ser oficial. Mas o que é a história verdadeira afinal? Talvez seja apenas algo que alguém contou em volta de uma fogueira, numa galáxia muito, muito distante, sobre os heróis Luke Skywalker e Han Solo e Leia Organa Solo... E talvez haja um fundo de verdade nelas, ou talvez sejam todas inventadas, ou talvez sejam reais! E nós nunca saberemos...

 

Trabalhar com Star Wars te ensinou alguma coisa sobre escrever?

Não exatamente... Até a trilogia Thrawn, eu nunca havia feito uma história em três volumes, uma saga longa. Mas, fora isso, acho que o estilo que eu usei em Star Wars é o mesmo que eu sempre uso. Pensar em criar personagens interessantes com quem os leitores se importem, desenvolver um pano de fundo complexo que se pareça com o mundo real, isso são coisas que faço o tempo todo. A parte especialmente divertida é que eu posso brincar com x-wings e sabres de luz, e Han Solo fazendo comentários espertos e Leia desdenhando dele de tempos em tempos.

A trilogia Thrawn dá um peso para a política que não vemos nos episódios IV, V e VI, mas que já aparece com um pouco mais de força nos episódios I, II e III. Você sente que seus livros podem ter influenciado os filmes que saíram depois?

Uma razão para eu colocar tanta política e contexto nos meus livros é que eu tenho muito mais tempo e mais espaço que George Lucas tem num filme. Não acho que ele não quis colocar política, mas sim que ele não teve tempo. Ele tinha uma história de aventura para contar.

Esse é um motivo para fazerem filmes e livros – são mídias diferentes e podem fazer coisas diferentes. Eu posso entrar na mente dos personagens e mostrar o que Luke está pensando. Por outro lado, eu não tenho John Williams fazendo minha trilha sonora ou a Industrial Light and Magic para os efeitos especiais.

Deve ser estranho responder a perguntas sobre um livro que você escreveu mais de 20 anos atrás. O que você acha dessa nostalgia toda, com um novo Star Wars chegando às telas, um novo Jurassic Park, um Exterminador do Futuro...?

Não acho que, no caso de Star Wars, seja uma nostalgia. Há novos leitores descobrindo esses livros todos os dias, gente que não sabia que eles estavam lá, crianças que estão chegando à idade de ler coisas mais complicadas e nações como o Brasil que estão ganhando uma nova versão do livro em português. É algo em andamento, que sempre será novo para alguém.

 

A ficção científica parece estar bastante em alta novamente. Por que você acha que esse gênero é tão relevante nos dias de hoje?

Ficção científica é um jeito de falar de algumas coisas que, talvez, seriam desconfortáveis de outra forma, em outros gêneros. Ela estimula a imaginação. Por exemplo, pensando em “Guardiões da Galáxia”: você não veria o Groot num livro ambientado na Terra comum. Mas ele é um personagem interessante e, mesmo sendo muito alienígena, você entende seu senso de lealdade com seus amigos.

E isso, realmente, é o que precisamos fazer na Terra. Brasileiros são diferentes de americanos e diferentes de japoneses, mas somos todos pessoas e entendemos certas partes das culturas um do outro, e isso cria uma conexão.

Você está empolgado com o próximo Star Wars?

Sim! Eu sempre gostei dos filmes de Star Wars e sempre gostei de ver o que havia de novo, que ideias e personagens estavam sendo criados. Então acho que eles têm a chance de fazer algo muito bom.

Será que veremos alguns dos seus personagens ali?

Não tenho nem ideia. Tudo o que eu sei é que eles têm todo o universo expandido e podem aproveitar peças do que quiserem. Acho que haverá alguns detalhes dos livros e dos quadrinhos que podem aparecer, e se houver, ficarei feliz. Se não, também estará tudo bem.

No que você está trabalhando agora?

Atualmente estou finalizando minha série “Cobra”. Também estou trabalhando numa nova série de livros com o autor David Webber, que são uma espécie de prólogo para o universo Honor Harrington, e há outros dois ou três projetos que estou desenvolvendo paralelamente.

Atualizado em 14 Dez 2015.

Por Juliana Varella
Compartilhe

Comentários

Outras notícias recomendadas

"50 Tons Mais Escuros" ganha trailer inédito; confira

Novo vídeo do longa está mais caliente do que nunca!

Clássico de Chaplin tem sessão gratuita no Auditório Ibirapuera

Exibição encerra a programação do centenário de Paulo Emílio Sales Gomes

Saiu o primeiro teaser de "Homem Aranha: De Volta ao Ler"; vem assistir!

Trailer completo será divulgado nesta quinta-feira

Mais de 20 fotos inéditas de "Transformers: O Último Cavaleiro" vazam na internet; confira

Próximo longa da franquia estreia em junho de 2017

"O Círculo": Suspense com Tom Hanks e Emma Watson ganha primeiro trailer

Em 2017, os atores vão se encontrar nas telonas pela primeira vez

Após polêmica, Bernardo Bertolucci desmente estupro em "Último Tango em Paris"

Diretor julgou repercussão como um "mal-entendido ridículo"