Guia da Semana

Crítica: “A Assassina” é um filme belo, mas sem coração

Longa de Hou Hsiao Hsien estreia no dia 5 de maio nos cinemas

Desde que “A Assassina” estreou no festival de Cannes em 2015, as expectativas para sua chegada aos cinemas se mantiveram altas. Vencedor do prêmio de melhor direção, o longa de Hou Hsiao Hsien impressionava a cada imagem divulgada e prometia aos fãs de filmes chineses e de artes marciais um prazer já quase esquecido – do tempo em que diretores como Zhang Yimou ainda gozavam de popularidade no mercado ocidental.

“A Assassina”, porém, não é “O Clã das Adagas Voadoras”. Sob a câmera que se esgueira entre cortinas de seda e pacientemente observa a preparação de um banho ou a montagem de um cabelo, falta o coração pulsante que se espera de uma protagonista obrigada a matar o homem que um dia amou.

Yinniang (Qi Shu) é a assassina do título: filha de um general, foi levada aos dez anos para viver com uma monja-princesa – uma mulher que a treinou para matar homens poderosos. Depois de falhar numa missão por piedade, ela é enviada para assassinar Tian Ji'an (Chen Chang), o atual governador de sua província-natal, Weibo, outrora prometido a ela – mas casado com outra por uma aliança política.

Não era preciso muito para que esse contexto levasse a uma trama intensa de traições, paixões e vingança, com perseguições maravilhosas sobre os telhados, combates nos campos e a revelação, lá no fim, de que a assassina estava dentro de casa. Mas Hsiao-Hsien prefere outra abordagem. Há um confronto nos telhados, sim, bem como um duelo no campo, mas o que Yinniang sente ou deixa de sentir por Tian Ji’an é praticamente irrelevante.

Não há sentimento em jogo senão o de contemplação. Mesmo quando acontece uma ação, ela dificilmente é acompanhada por uma reação ou significado. Pessoas morrem, pessoas sobrevivem, duelos acabam sem vencedores e os desafiantes, simplesmente, dão as costas e seguem seus caminhos. Sem consequências.

“A Assassina” é um filme para quem busca a forma, não o conteúdo. Belo e cuidadoso, o longa recompensa os olhos de quem procura um quadro da China no século VII, mas, para quem precisa de algo a mais – um pouco de emoção, um pouco de ação –, não vale o ingresso. Estreia nesta quinta-feira, 5 de maio.

 

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Atualizado em 9 Mai 2016.

Por Juliana Varella
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