Guia da Semana

Crítica: apesar de interessante, “Lugares Escuros” é suspense esquecível

Filme é uma adaptação do livro de Gillian Flynn, autora de “Garota Exemplar”

Depois do sucesso de “Garota Exemplar” no ano passado, mais um romance da autora Gillian Flynn chega aos cinemas neste fim de semana. “Lugares Escuros”, com Charlize Theron, Nicholas Hoult e Chloë Grace Moretz, aposta novamente numa história mal resolvida de assassinato, mas, no lugar da personagem multifacetada de Rosamund Pike, quem lidera a trama é uma heroína inofensivamente convencional vivida por Theron.

Quem assistiu a “Garota Exemplar” sentirá falta do humor negro e da narrativa não-linear de David Fincher. Dirigido por Giller Paquet-Brenner (“A Chave de Sarah”), “Lugares Escuros” soa previsível demais, correto demais, fácil demais, apesar da boa história de fundo.

Theron interpreta Libby Day, uma mulher, hoje nos seus trinta anos, que tem vivido de doações desde que sua mãe e suas duas irmãs foram mortas num massacre, quando ela ainda era criança. Os assassinatos ocorreram dentro de casa, à noite, e os únicos sobreviventes foram Libby e seu irmão mais velho, Ben (Corey Stoll). Com a ajuda de um depoimento forçado da menina, Ben foi considerado culpado e preso, por longos vinte e cinco anos.

Agora, às vésperas do arquivamento do caso, Libby é procurada por um clube de “colecionadores” de assassinatos não-resolvidos, liderado por Lyle (Hoult). Eles querem saber a verdade e acham que ela pode ajudar – mesmo não tendo, realmente, visto nada do que aconteceu naquela noite.

Se é estranho o suficiente encarar uma protagonista adulta (Theron completa 40 anos em agosto) agindo e sendo tratada como criança na maior parte do filme, é ainda mais incômodo perceber que ela nunca se interessara em descobrir a verdade sobre sua família. Libby deixa claro, com sua postura fechada e hostil, que aceitou o fato de o irmão ser o assassino e considerou a si mesma parcialmente culpada pela tragédia, o que, de certa forma, encerraria a discussão e facilitaria as coisas.

Enquanto Libby se mostra uma personagem de pouca ação, quem rouba a cena é Diondra, adolescente dramática e explosiva vivida por Chloë Grace Moretz nos flashbacks e, bem menos efusivamente, por Andrea Roth no tempo presente. Seu papel é crucial, mas, de alguma forma, parece sub-aproveitado pelo roteiro, assim como o próprio Ben, que, quando adulto, parece não guardar mais nenhuma semelhança com seu “eu” juvenil (Tye Sheridan).

“Lugares Escuros” aposta num elenco em alta (Theron e Hoult acabaram de atuar juntos em “Mad Max: Estrada da Fúria”) e no nome de Flynn, mas a obra final se revela apenas mediana. Nada que mudará sua vida.

Atualizado em 19 Jun 2015.

Por Juliana Varella
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