Guia da Semana

Crítica: “Deadpool” aposta em humor adolescente e piadas internas sobre filmes de super-heróis

Filme estreia nesta quinta, 11 de fevereiro

Se você quer saber o que esperar de “Deadpool”, basta assistir aos créditos iniciais. O longa, aposta da Fox para chacoalhar seu universo de super-heróis (que inclui os X-Men e o Quarteto Fantástico, todos originais da Marvel Comics), pode não ser uma obra de arte, mas é sincero: logo de cara, deixa claro que sua história não é original, seu diretor não tem personalidade e seu protagonista não tem talento, mas os roteiristas – esses sim – fazem milagre.

O filme conta a história de origem do anti-herói Wade Wilson/Deadpool, que, diagnosticado com câncer terminal, aceita participar de uma experiência que cura a doença e lhe dá superpoderes, mas acaba deformando seu corpo. Seu diferencial, porém, não é a mutação, mas sim o senso de humor ácido e a mania de “quebrar a quarta parede” – ou, em outras palavras, interromper a ação para conversar diretamente com o público.

Ryan Reynolds reprisa o papel que, lamentavelmente, interpretara em “Wolverine: Origens”, mas, aqui, seu Deadpool é fiel aos quadrinhos: ele faz piadas escatológicas e fálicas (o tempo todo) e dá alfinetadas nos estúdios com comentários sobre os outros filmes de super-heróis, mais como um fã do que como um personagem. O tom geral é de um humor adolescente, ideal para um público nos seus 15 ou 16 anos (a censura é de 16), mas não se envergonhe se você, adulto, também achar graça. A ideia é apelar para o seu lado juvenil e brincar com isso.

Se os diálogos são espertos e cheios de referências pop, não espere muito da trama nem das cenas de ação. “Deadpool” cumpre apenas o protocolo e segue todas as cartilhas manjadas do gênero (ele o faz de propósito, mas nem por isso pode ser considerado inovador): vemos a apresentação do personagem sozinho, a ascensão com a mocinha, a queda solitária, a busca pelo vilão, a ajuda dos coadjuvantes e a grande batalha final, com muita destruição, alguns duelos paralelos e a redenção obrigatória.

A forma como a história é contada tem seu charme: o roteiro intercala uma única sequência de ação, passada numa ponte, com um longo flashback mostrando a formação do herói até ali. O recurso funciona bem, mas não dura para sempre: eventualmente, a narrativa alcança a cena principal e segue numa linearidade tradicional, bastante previsível.

“Deadpool” não é o melhor filme de super-heróis que você verá na sua vida, nem é o pior – mas talvez seja o mais honesto. Bem-humorado, ele traz à Fox o frescor de que o estúdio precisava para competir contra a Marvel e a DC, num ano que terá “Batman vs Superman”, “Capitão América: Guerra Civil”, “Esquadrão Suicida” e “Doutor Estranho”. Mirar um público diferente, mais jovem e disposto a levar os quadrinhos (e os filmes) menos a sério, foi definitivamente um acerto. A sequência, é claro, já está garantida.

 

Confira mais dicas de cinema:

Gostou? Veja todos os vídeos: youtube.com/julianavarellaonline

Atualizado em 21 Fev 2016.

Por Juliana Varella
Compartilhe

Comentários

Outras notícias recomendadas

4 Motivos para ver “A Qualquer Custo” nos cinemas

Filme com Chris Pine e Jeff Bridges chega aos cinemas em janeiro

"50 Tons Mais Escuros" ganha trailer inédito; confira

Novo vídeo do longa está mais caliente do que nunca!

Clássico de Chaplin tem sessão gratuita no Auditório Ibirapuera

Exibição encerra a programação do centenário de Paulo Emílio Sales Gomes

Saiu o primeiro teaser de "Homem Aranha: De Volta ao Ler"; vem assistir!

Trailer completo será divulgado nesta quinta-feira

Mais de 20 fotos inéditas de "Transformers: O Último Cavaleiro" vazam na internet; confira

Próximo longa da franquia estreia em junho de 2017

"O Círculo": Suspense com Tom Hanks e Emma Watson ganha primeiro trailer

Em 2017, os atores vão se encontrar nas telonas pela primeira vez