Guia da Semana

Crítica: “Jimmy’s Hall” mostra a repressão a um centro comunitário na Irlanda dos anos 30

Filme de Ken Loach estreia nos cinemas no dia 6 de agosto

James Gralton é um daqueles personagens históricos que facilmente passariam despercebidos, se não fosse pelo olhar de Ken Loach. Sua rebeldia, afinal, foi feita com livros e jazz, e sua luta nem teve o desfecho heroico merecedor de Hollywood – mas suas ideias deixaram uma lição preciosa.

Jimmy’s Hall” não conta exatamente a trajetória de James (Barry Ward), mas sim a do salão que ele construiu duas vezes: um centro comunitário no interior da Irlanda onde as pessoas podiam estudar dança, canto, pintura, boxe, literatura ou o que mais pudessem imaginar, desde que houvesse alguém disposto a ensinar. Tudo de graça.

A experiência estava algumas décadas adiantada, porém, e a Igreja não a viu com bons olhos. Seus bailes foram interpretados como uma apologia ao prazer e suas aulas, como uma iniciativa comunista. Daí para uma perseguição militar, foi um pulo.

O que distancia “Jimmy’s Hall” de outros filmes sobre repressão é a forma como Loach explora o contexto: James não teria construído o salão se não fosse uma necessidade de toda a comunidade; o padre talvez não o condenasse tanto se não estivesse sob pressão política. Em torno desses personagens pequenos e rurais, está em jogo um conflito histórico muito maior entre Irlanda e Inglaterra, do qual uma das consequências é o apego às raízes e a rejeição de influências externas – especialmente americanas, como o jazz.

“Jimmy’s Hall” se esquiva do melodrama e da violência que poderiam vir com o tema e segue por um caminho mais leve e romântico, dando atenção especial à música e ao figurino. É uma boa opção para quem gosta de jazz, História ou apenas quer conhecer um pouco melhor o passado recente da Irlanda. 

Atualizado em 5 Ago 2015.

Por Juliana Varella
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