Guia da Semana

Crítica: “Mad Max: Estrada da Fúria” eleva a trilogia original a um novo nível de loucura e ação

Filme funciona ao mesmo tempo como um reboot e uma sequência dos primeiros filmes

Estreia nesta quinta-feira o remake-sequência do clássico de 1979, Mad Max. Com todo o barulho, velocidade e fúria que o título promete, “Mad Max: Estrada da Fúria” mantém George Miller na direção, retoma o protagonista com algumas variações e cria um universo pós-apocalíptico que homenageia e expande o original. O que chega às telas, contrariando todas as expectativas que se poderia ter sobre um reboot, é provavelmente o melhor longa de ação que os fãs já viram em muitos anos.

Melhor, não por ser mais sofisticado, mas justamente o oposto: a trama é simples, porém convincente, e os efeitos, apesar de grandiosos, não substituem o papel da maquiagem e dos objetos de cena – concretos, sujos e pesados. O público é transportado ao mesmo tempo para o futuro e para o passado, àquele auge dos anos 80 quando jogar uma guitarra no público era sinônimo de atitude, não de mau gosto.

Max, antes interpretado por um quase principiante Mel Gibson (nos seus vinte-e-poucos anos), agora é vivido pelo multifacetado e consideravelmente mais experiente Tom Hardy (já nos trinta-e-tantos). Não que ele precise colocar em prática muito mais do que sua voz cavernosa: apesar do título, o show é de Charlize Theron – de cabelo raspado, braço decepado e a coragem de quem não tem mais nada a perder (exatamente como Max).

O filme se passa após uma guerra nuclear que transformou a Austrália (se não o mundo) num deserto quase inabitável. Agora, as poucas comunidades primitivas que restaram lutam por água e combustível. Nesse contexto, o ex-policial Max viaja sozinho, remoendo fantasmas, quando é capturado pelos capangas de Immortan Joe (interpretado, numa grande piscadela aos fãs, pelo mesmo ator que viveu o vilão no primeiro Mad Max, Hugh Keays-Byrne).

Joe tem um jeito curioso de governar: do alto de um jardim suspenso, mantém um harém de esposas cuja única função é gerar futuros “senhores da guerra”, a quem alimenta com o leite de gordas amas-secas. Seus demais guerreiros são, na maioria, jovens anêmicos e mutilados que sonham com a glória no mundo mítico de Valhala e que, por isso, não pensam duas vezes antes de se sacrificar. Para completar, de tempos em tempos, Joe libera um pouco de água para os civis, mantendo-os sempre fracos, esperançosos e submissos.

Furiosa (Theron) é sua imperatriz. No dia em que Max é preso, ela sequestra um caminhão e foge pelo deserto com todas as esposas, engatando uma corrida que se estenderá, literalmente, até o final do filme. No caminho, elas unem forças com o prisioneiro e, eventualmente, com um dos garotos de Joe: Nux (Nicholas Hoult, talvez o mais surpreendente em cena). É ele que brada o hino desse circo de loucos: “Oh what a day! What a lovely day!” (Oh que dia! Que dia adorável!).

Seja para fãs nostálgicos ou novos entusiastas, “Mad Max: Estrada da Fúria” tem tudo para ser um clássico instantâneo. A jornada é envolvente, os protagonistas têm motivações consistentes, os coadjuvantes são suficientemente interessantes para que nos importemos com eles (mesmo sem saber quase nada sobre seus passados) e o vilão é realmente perigoso. Em torno desses personagens, desenha-se um futuro hostil e insano, com criaturas tão bizarras quanto a consciência de Max – um homem louco num mundo que enlouqueceu.

 

Atualizado em 29 Fev 2016.

Por Juliana Varella
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