Guia da Semana

Crítica: “Meu Amigo Hindu” é um mergulho na imaginação fetichista de um diretor de cinema

Novo filme marca o retorno de Hector Babenco aos cinemas após 8 anos

O que se passa na imaginação sórdida de um diretor de cinema? Em “Meu Amigo Hindu”, temos a chance de mergulhar nas fantasias do argentino naturalizado brasileiro Hector Babenco, que relembra sua luta contra um câncer e reflete sobre seu amor ao cinema – no que jura não ser uma autobiografia.

Para saber o que esperar de “Meu Amigo Hindu”, imagine a seguinte cena: Diego (Willem Dafoe) acaba de descobrir que tem um câncer em fase terminal. Ele desconta sua raiva na esposa (Maria Fernanda Cândido), dizendo que preferia que fosse ela a morrer, desce do carro no meio do trânsito e passa a perseguir uma mulher na rua, vestida com tecidos indianos. Ele invade sua casa, admite estar morrendo e ela tenta acalmá-lo com uma reza. Não satisfeito, ele a despe e ela aceita confortá-lo com um sexo oral.

A cena não faz sentido, mas entendemos, mais tarde, que faz parte de um filme escrito por Diego (também um diretor de cinema) sobre a própria vida. É assim, de forma egocêntrica e fetichista, que ele enxerga o mundo à sua volta. As fantasias vão longe: uma atriz implora para estar em seu filme (e tem um destino parecido com o da primeira moça); uma prostituta se masturba com um vibrador enquanto o cineasta sai do quarto, deixando a porta escancarada (e ela não para); outra atriz (Bárbara Paz) dança de camisola molhada sob a chuva, num show particular só para ele.

Mas não são só fantasias sexuais. Diego também conversa com a Morte (Selton Mello, irônico e muito engraçado no papel), numa referência óbvia ao clássico “O Sétimo Selo”, de Ingmar Bergman. Os dois, inclusive, jogam xadrez como forma de adiar o julgamento final, como fizeram Max Von Sydow e Bengt Ekerot em 1957.    

No meio do tratamento, Diego também conhece um garotinho hindu, a quem começa a contar as histórias dos filmes que ama, numa sala de espera do hospital. Esses encontros o fazem recuperar a vontade de escrever e, de certa forma, salvam sua vida – mas não o tornam menos arrogante.

O filme todo é falado em inglês, por mais que grande parte da história se passe no Brasil e que a maioria dos personagens sejam brasileiros. Ironicamente, o protagonista, apesar do nome, é americano. A escolha da língua, segundo o diretor, se deu primeiramente porque a história seria “universal”, sem uma ambientação específica (o que é questionável, já que nome do país é citado) e, em segundo lugar, por causa do ator principal, que não falava português. Dafoe, de fato, faz a diferença no longa.

“Meu Amigo Hindu” estreia nos cinemas no dia 3 de março.

Atualizado em 25 Fev 2016.

Por Juliana Varella
Compartilhe

Comentários

Outras notícias recomendadas

Diretor de “Fragmentado” revela que o filme será parte de uma trilogia; confira a entrevista completa

M. Night Shyamalan veio ao Brasil divulgar o suspense que estreia no dia 23 de março

Robert Downey Jr. será "Doutor Dolittle" em novo filme do personagem

"The Voyage of Doctor Dolittle" ainda não tem data de estreia

Novo “Power Rangers” equilibra nostalgia e modernidade e foca no público adolescente

Filme aposta no desenvolvimento dos personagens e trabalha a diversidade

"A Bela e a Fera" é a maior estreia do ano - e a sétima da história dos EUA!

Filme estreou na última quinta-feira soma faturamento de US$ 350 mi ao redor do mundo

“T2 Trainspotting” – como o original, sequência também é um espelho do seu tempo

Longa se passa 20 anos depois do clássico e traz de volta o mesmo elenco

"Viva - a Vida é uma Festa", nova animação da Pixar, ganha primeiro trailer

Com dublagem de Gael García Bernal, filme estreia em janeiro de 2018