Guia da Semana

Crítica: “Negócio das Arábias” aposta na fórmula “crise de meia-idade num país exótico”

Filme com Tom Hanks estreia nos cinemas em julho

Quando se trata de cinema, nem sempre o caminho correto é o melhor caminho. “Negócio das Arábias”, adaptação do romance “Um Holograma Para o Rei”, de Dave Eggers, segue à risca a receita hollywoodiana para filmes sobre auto-avaliação e crise-dos-50-anos, mas o resultado parece mais uma colcha de retalhos cheia de pontas soltas e tecidos que não combinam do que uma obra completa e emocional.

O longa é dirigido por Tom Tykwer – que, como Eggers, tem um histórico marcado pela versatilidade: o diretor foi responsável por títulos como “Corra, Lola, Corra”, “Perfume: A História de Um Assassino” e pelo episódio mais icônico da primeira temporada de “Sense8”, “What’s Going On” (aquele do karaokê). Já o o autor escreveu a nada modesta autobiografia “A Heartbreaking Work of Staggering Genius”, a ficção distópica “O Círculo” (que também está sendo adaptada para os cinemas, com Tom Hanks, Emma Watson e John Boyega) e, finalmente, o morno e protocolar “Um Holograma Para O Rei”.

Tom Hanks é a estrela do filme, Alan Clay: um “homem de vendas” no maior estilo americano que recebe a missão de viajar até a Arábia Saudita para apresentar um projeto pessoalmente para o rei. Esse projeto é o tal holograma que dá nome ao livro e ao filme, na versão original – uma tecnologia inovadora para videoconferências que não ganha mais do que alguns segundos de tela e nenhuma reflexão. Hanks poderia estar vendendo sapatos, que não faria diferença alguma.

O longa tenta mesclar a narrativa linear do presente (Hanks na Arábia) com alguns flashbacks, que surgem sem aviso e vão embora sem mostrar a que vieram. Em geral, entendemos que Clay é divorciado, não está conseguindo pagar a faculdade da filha e mudou recentemente de emprego, sendo que, no anterior, foi responsável pelas demissões de centenas de pessoas. Agora, ele está no meio do deserto, sofrendo com o jet lag e tentando se entender com uma cultura diferente da sua.

Como exatamente todos esses pontos se conectam, fica a critério do espectador – que, já iniciado no assunto das “cidades exóticas capazes de mudar sua vida” com filmes como “Comer, Rezar, Amar” ou “O Exótico Hotel Marigold”, saberá amarrar as pontas  sem esforço. Resta, então, observar o que acontece com Clay a partir daí.

Os obstáculos encontrados pelo vendedor e sua equipe são muitos e têm mais a ver com a má vontade de algumas pessoas do que com a cultura propriamente dita. O grupo é mandado para uma tenda do lado de fora do único prédio de escritórios numa área desértica, sem wi-fi, sem alimentação e sem nenhuma previsão de quando o rei – ou qualquer outra pessoa – aparecerá para uma reunião.

O público pode se questionar se não deveria haver outros vendedores nessa tenda, já que parece haver uma concorrência em andamento; ou se a empresa teria dinheiro para bancar uma equipe de quatro pessoas no exterior sem previsão de retorno, mas o melhor é não fazer perguntas demais. O roteiro, simplesmente, não conta com elas e não teria respostas satisfatórias para oferecer.

Quanto a Clay, sua estadia é preenchida pela companhia de um motorista particular, chamado quando o protagonista perde o horário da van (o que acontece todos os dias, previsivelmente) e de uma médica, que cuida de um estranho calombo em suas costas, faz as vezes de terapeuta e, seguindo a cartilha, acaba tendo um caso amoroso com o protagonista.

O “choque cultural”, que poderia ser o centro do drama, é mostrado apenas por meio de estereótipos manjados da cultura árabe – por exemplo, sempre que alguma mulher entra em cena há algum tipo de estranhamento (ou por ela usar um lenço sem ser muçulmana, ou por ser e encarar Clay com seus olhos cheios de maquiagem, ou por sua presença oferecer um risco ao estrangeiro, que não sabe o que pode e o que não pode num país tão cheio de regras).

Também vemos extremos de riqueza e pobreza convivendo num mesmo edifício, descobrimos que não-muçulmanos são proibidos de entrar em Meca e que bebidas alcoólicas são proibidas (mas de forma nenhuma inexistentes) em todo o país. Já os árabes, em geral, são retratados como pouco confiáveis ou ingênuos, com exceção da médica, que parece envolta num ar de mistério.

“Negócio das Arábias” estreia no dia 14 de julho nos cinemas e traz também no elenco Alexander Black, Sarita Choudhury e Sidse Babett Knudsen.

Atualizado em 3 Ago 2016.

Por Juliana Varella
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