Guia da Semana

Crítica: “O Caçador e a Rainha do Gelo” desperdiça o potencial de um grande elenco

Filme que estreia no dia 21 traz Charlize Theron, Emily Blunt, Jessica Chastain e Chris Hemsworth

Não era preciso muito para que “O Caçador e A Rainha do Gelo” fosse um bom filme. Ou, pelo menos, um filme de aventura divertido para assistir com os amigos. Com um elenco formado por Charlize Theron, Emily Blunt, Jessica Chastain e Chris Hemsworth, duas vilãs com poderes mágicos e um casal de heróis-modelos, bastava uma história épica genérica e algumas cenas de ação bem coreografadas para que o público fosse cativado. Mas o improvável aconteceu.

A sequência de “Branca de Neve e O Caçador” não só desperdiça o potencial do seu quarteto de protagonistas, como adota um ritmo lento e entediante. Ao excluir da fórmula o elemento que pesara negativamente no filme anterior (Kristen Stewart, no caso), “O Caçador e A Rainha do Gelo” prova que o problema da franquia não é o elenco, mas sim o conceito como um todo – ou a falta de um.

Apesar de prometer ação e romance, o que o filme entrega é uma jornada cansativa cheia de diálogos pretensiosos e pouco significativos. A ação, em si, é pouca e o romance, tolo. Em certo momento, para “preencher a cota do feminismo”, a personagem de Chastain discursa sobre o fato de que Eric, personagem de Hemsworth, não pode decidir sobre os seus sentimentos. “Não é sobre o que você faz ou deixa de fazer”, ela diz. “Não é porque você cumpriu sua missão que eu tenho a obrigação de amar você”, ela diz. Em seguida, dorme com ele.

O filme é pontuado por diversas declarações sobre “a força do amor” e “como o amor vence tudo”, o que pode afastar o público masculino (e, justiça seja feita, o feminino também). A trama é, em si, um manifesto sobre isso: Freya (Blunt) e Ravenna (Theron), a rainha do primeiro filme, são irmãs. Ravenna sempre teve poderes, enquanto Freya nunca manifestou os seus, mas, um dia, após ter o coração brutalmente partido, ela finalmente descobre a magia e se torna a Rainha do Gelo, partindo para erguer um exército onde a única regra é “não amar”.

É claro que Eric e Sara (Chastain) se apaixonam e são expulsos do exército, até que o espelho mágico reaparece, após a derrota de Ravenna pela Branca de Neve. Ao lado de quatro anões (porque é preciso manter uma ligação com o clássico), eles se unem numa corrida para que o objeto não caia nas mãos de Freya.

Se Hemsworth e Chastain são criminosamente mal aproveitados, Theron consegue se sobressair e dar um sopro de vida ao filme. Suas cenas são, sem dúvida, as mais interessantes e sua personagem, como no primeiro filme, é a que concentra a atenção do público. Blunt, no papel da Rainha de Gelo, pode até ter momentos fortes, mas é rapidamente reduzida à marionete ingênua da irmã. Se não fosse por sua fraqueza, talvez o filme tivesse um desenvolvimento melhor.

“O Caçador e A Rainha de Gelo” estreia no dia 21 de abril nos cinemas de todo o país.

 

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Atualizado em 10 Mai 2016.

Por Juliana Varella
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