Guia da Semana

Crítica: “O Que As Mulheres Querem” discute o que significa ser mulher num universo de estereótipos

Filme mira o público feminino e discute questões como maternidade, trabalho e vida sexual

Estreia nesta quinta (23 de julho) um filme francês chamado “O Que As Mulheres Querem”. Se o nome soa familiar, não se deixe confundir: este não é aquele filme com Mel Gibson que fez sucesso no ano 2000 (“Do Que As Mulheres Gostam”). Aliás, há uma diferença essencial entre os dois: aqui, o protagonista não é um homem tentando compreender o universo feminino, mas são elas mesmas que dominam a tela, vivendo seus conflitos e confusões sem precisarem explicar nada a ninguém.

O filme é dirigido, escrito e produzido por mulheres e, por mais que centenas de filmes dirigidos, escritos e produzidos por homens sejam vistos pelo público feminino todos os dias, esta não é uma comédia para eles. “O Que As Mulheres Querem” é como uma conversa de bar sobre relacionamentos, trabalho, menopausa e o que significa ser mulher quando o resto do mundo te vê apenas como esposa, mãe, chefe ou amante.

Onze personagens femininas conduzem a história, dividindo escritórios, quartos ou maridos e, eventualmente, se encontrando para rir das próprias situações. Ysis (Géraldine Nakache), por exemplo, é mãe de quatro filhos e está farta de cuidar deles sozinha enquanto seu marido não percebe que também é responsável por eles. Já Inès (Marina Hands) faz uma operação de miopia, só para descobrir que está sendo traída pelo marido com a vizinha de sua colega de trabalho, que esconde o segredo.

Vanessa Paradis se destaca no elenco com o papel de Rose, uma empresária bem sucedida que fica incomodada ao ouvir de seu médico que ela tem “testosterona demais” e que isso explicaria seu cargo, sua postura agressiva e sua dificuldade em criar amizades com mulheres. Enquanto o público se contorce na poltrona diante de tal afirmação, sua história nos mostra que, na verdade, só lhe falta um pouco de prática para reconhecer e cultivar boas amizades em meio a uma rotina tão automatizada.

O filme é dirigido pela atriz Audrey Dana, que estreia no comando de longas-metragens e interpreta uma das protagonistas – uma mulher que prefere ser amante a assumir o papel de esposa oficial. É ela que  aparece na primeira cena e, de cara, expulsa os homens (e algumas mulheres) da sessão com uma sequência (bem curta, felizmente) sobre menstruação.

“O Que As Mulheres Querem” é uma opção divertida e despretensiosa para quem quer fugir das comédias americanas ou nacionais, seja para ver sozinha ou com as amigas. Provavelmente, você irá se identificar com uma personagem, ou com um pouco de cada uma, e secretamente vai acabar rindo de si mesma. 

Atualizado em 20 Jul 2015.

Por Juliana Varella
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