Guia da Semana

Crítica: “Um Pombo Pousou num Galho Refletindo Sobre a Existência”

Filme sueco reúne 39 esquetes para mostrar o absurdo da vida

É difícil imaginar que “Um Pombo Pousou Num Galho Refletindo Sobre a Existência” seja um título adequado para o que quer que seja, mas, no caso do novo filme de Roy Andersson, não poderia haver nome melhor. “Trivial”, “banal” e “reflexivo”, afinal, são as palavras que melhor definem o trabalho do diretor – que, aqui, arrisca se aproximar também de uma linguagem onírica e surreal.

O filme que venceu o Festival de Veneza e esgotou sessões na Mostra Internacional de Cinema em 2014 chega finalmente aos cinemas no dia 14 de maio, disposto a testar a paciência do espectador comum. Não o culpe: é difícil manter a sanidade diante de 39 esquetes nem-tão-cômicas praticamente silenciosas e imóveis feito quadros.

O longa encerra uma trilogia sobre o ser humano iniciada por “Canções do Segundo Andar” (2000) e “Vocês, Os Vivos” (2007). Os protagonistas, aqui, são dois vendedores ambulantes que esperam provocar risadas com acessórios que, na verdade, cairiam melhor em festas de Halloween - eles próprios, cobertos com uma maquiagem pálida e feições sonolentas, não inspiram lá muita graça.

Talvez esse paradoxo represente a aura do filme como um todo: uma comédia de humor negro que se alimenta de situações tristes para causar estranhamento e, quem sabe, arrancar algum sorriso melancólico do espectador. Não é à toa que as três primeiras cenas, logo de cara, abordem encontros com a morte.

Sem qualquer preocupação com linearidade ou coerência, cenas curiosas como a cavalaria de Carlos XII invadindo uma lanchonete se alternam com imagens mais pesadas, como a que estetiza a violência racial cometida em outros séculos. Há uma crítica à natureza opressora do ser humano, diante de sua própria espécie e de outras, que parece justificar a apatia dos protagonistas, como se carregassem o peso da História em suas costas.

De fato, não são os personagens individualmente que interessam ao diretor, mas sim o contexto -  tudo o que acontece em torno deles e do qual eles não têm nenhum controle. A câmera, quase sempre estática, jamais se aproxima de um rosto ou um gesto, mantendo a ação principal no centro de um quadro maior, muitas vezes acompanhada por outra, mais discreta, que se desenrola ao fundo. Preste atenção.

O longa tem pouco mais de uma hora e meia, mas pode se tornar bastante cansativo para quem não abraçar totalmente a proposta do diretor – que é, como diz o título, sentar e refletir. Não espere ação, nem drama, e esteja preparado para um humor muito mais irônico do que engraçado. Enfim, se você procura algo realmente diferente nos cinemas, este é seu filme.

Atualizado em 14 Mai 2015.

Por Juliana Varella
Compartilhe

Comentários

Outras notícias recomendadas

Reese Witherspoon quer fazer "Legalmente Loira 3"

"As mulheres precisam desse tipo de positividade hoje em dia", disse a atriz ao E! News

10 Filmes da Sessão da Tarde para ver na Netflix

“Operação Cupido” e “Aventureiros do Bairro Proibido” estão entre os filmes nostálgicos em cartaz

“Estrelas Além do Tempo” revela as mulheres negras que mudaram a história da NASA

Longa inspirador e bem-humorado estreia no dia 2 de fevereiro nos cinemas

“A Cura”: diretor de “O Chamado” retorna ao terror com longa sinistro e hipnotizante

Filme chega aos cinemas no dia 16 de fevereiro

“O Poderoso Chefinho”: animação adorável sobre um bebê “adulto” estreia em março (e vai conquistar seu coração)

Filme explora a relação entre um menino de 7 anos e seu novo irmãozinho

Final do Super Bowl será transmitida ao vivo nos cinemas

Evento acontece no dia 5 de fevereiro e terá show de Lady Gaga no intervalo