Guia da Semana

Crítica: “Vizinhos 2” erra a mão e não consegue ser tão engraçado quanto seu antecessor

Filme chega aos cinemas nesta quinta-feira, 19 de maio

Uma piada contada duas vezes dificilmente tem a mesma graça. Em 2014, Seth Rogen, Zac Efron e Rose Byrne uniram forças na divertida comédia “Vizinhos”, de Nicholas Stoller, para fazer graça sobre as diferenças entre a vida de um jovem casal com uma filha pequena e a rotina de uma fraternidade universitária. Agora, chega aos cinemas “Vizinhos 2”, colocando o mesmo casal lado a lado com uma irmandade.

A sequência, também dirigida por Stoller, mas com seis mãos a mais no roteiro, tenta se diferenciar somando ao conflito de gerações uma discussão bastante estereotipada sobre gêneros. Para isso, Chloë Grace Moretz encarna Shelby, uma caloura que, decepcionada com as irmandades existentes e insatisfeita com as festas universitárias (organizadas apenas por fraternidades, segundo a lei), decide fundar sua própria irmandade, Kappa Nu, e promover as próprias festas.

Neste ponto, o espectador provavelmente está se perguntando como Shelby conseguiria a permissão para dar festas, já que nenhuma outra irmandade tinha esse direito. A resposta, oferecida pela reitora (Lisa Kudrow), é bastante superficial: se proibir as ações das garotas, a universidade será acusada de machismo. Mas espere, ela já está proibindo todas as outras garotas das outras irmandades... É, melhor não pensar muito.

Devidamente estabelecidas na casa que antes pertencera à Delta Psi, as meninas iniciam uma programação “só para elas”. Numa noite, fantasiam-se como mulheres importantes da história; na outra, reúnem-se para assistir a “A Culpa é Das Estrelas”. Certo dia, invadem o jardim dos vizinhos para tomar sol e o atacam com seus corpos sensuais. Feminista? Não, apenas mais um clube da Luluzinha – mas sem a maquiagem e o salto alto.

Mac (Rogen) e Kelly (Byrne), desta vez, não estão comprando a casa ao lado, mas sim tentando vendê-la, já que esperam mais um bebê. A guerra, então, será para tentar evitar que os compradores descubram que seus novos vizinhos são barulhentos e bagunceiros. Para tentar forçar o riso no processo, vale tudo: de jogar absorventes nas janelas a colocar um vibrador nas mãos de uma criança (e nem vou comentar uma certa cena com um pé de bebê saindo do meio das pernas da mãe).

Se “Vizinhos” tivera uma boa quantidade de piadas engraçadas e algumas de mau gosto, “Vizinhos 2” inverte a proporção e traz um festival de constrangimento, contra duas ou três risadas genuínas. Vale notar ainda que, apesar de tentar mostrar diversidade na casa de Kappa Nu com uma personagem negra e uma gordinha (afinal, um dos pilares do feminismo é o combate aos padrões de beleza), a líder do grupo ainda é loira, magra e atraente. Menos um ponto para Kappa Nu.

Zac Efron retorna para tentar atrair o público feminino (passando a maior parte do filme sem camisa) e dar a liga entre os dois filmes, ganhando um arco paralelo que envolve o casamento de seu melhor amigo (com outro homem). Esse núcleo – resquício da fraternidade do filme anterior – é, surpreendentemente, o que funciona melhor, trazendo situações menos absurdas e mais identificáveis para o espectador, sem ofender ninguém. É um núcleo, porém, pequeno demais para fazer a diferença.

“Vizinhos 2” estreia no dia 19 de maio nos cinemas.

Atualizado em 22 Mai 2016.

Por Juliana Varella
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