Guia da Semana

David Filoni: de Padawan a Mestre Jedi

De Los Angeles


David Filoni é um dos nerds mais felizes do mundo. Começou a trabalhar com cinema por conta de sua paixão por Star Wars e, depois de uma longa e bem-sucedida carreira, atingiu o limite ao ser escolhido por George Lucas para dirigir Star Wars: The Clone Wars, novo longa-metragem animado da Saga, que, em alguns meses, tomará as telas de TV com uma série semanal. Sempre acompanhado de seu boné de caubói, Filoni entende do que os fãs precisam e entrega isso com grande qualidade num filme cheio de ação, tiroteio, explosões e, claro, Cavaleiros Jedi botam para quebrar!

Como foi a evolução desde aquela animação do Holiday Special até The Clone Wars?
David Filoni:
Lucas sempre foi apaixonado por animação. Ele foi para a faculdade pensando em ser um animador, então, foi algo normal ter interesse por essa mídia. Independente dessa paixão, ele realizou aqueles seis filmes maravilhosos sobre a saga da família Skywalker. Agora que esse arco está finalizado, ele pode parar e se dedicar à animação. Muita gente se esquece, mas ele ajudou a fundar a Pixar e saiu do circuito antes que ela se transformasse nesse mostro que é hoje.

Ele está criando uma nova Pixar?
David Filoni:
Não sei se chega a esse ponto, mas, definitivamente, o que ele já fez foi conceber um ambiente altamente propício para a criatividade de várias histórias. E The Clone Wars é a primeira delas.

De fã a artista. Dá para não se empolgar?
David Filoni:
Impossível. Tirando o lado emocional, trabalhar para George Lucas é algo fantástico, especialmente pelos lugares que ele constrói para a equipe trabalhar. Trabalho perto de São Francisco e temos um lago, cervos e outros animais andando ao redor do prédio, é maravilhoso e inspirador. Isso reflete na qualidade de vida e, logo, do trabalho. Profissionalmente falando, imagina o que é levar um material para que o sujeito responsável por American Graffiti, THX 1138 e tantos outros filmes - além de Star Wars. Ele entende muito do assunto. Ele é praticamente um estudioso sobre o assunto, então, ele explica onde e como pode melhorar.

Vocês comentaram que há influências de animê em The Clone Wars. Onde podemos ver isso? Quais aspectos foram os mais influentes?
David Filoni:
Nunca discutimos isso como uma influência direta, mas George sabe que animê é importante. Uma das coisas que conversamos foi sobre a importância desse gênero no Japão, onde ele é considerado forma de arte e que foca os adultos, ao contrário dos Estados Unidos, onde jovens e crianças são os principais consumidores. E, como quisermos fazer algo para a família, nada melhor do que pensar em um gênero capaz de unificar vários públicos. Uma coisa que pode ser considerada influência do animê é o típico de filmagem dinâmica que utilizamos, alguns ângulos mais extremos que valorizam a ação, assim como no animê, que sempre tem ótimas cenas de ação e agilidade.

Agora os clones são "gente"? De onde veio isso?
David Filoni:
Isso foi coisa do George. A primeira coisa que ele disse foi que queria ver os clones como pessoas, como soldados individuais. Gostei muito disso, especialmente pela relação das tropas com os Jedi. "Como os Jedi se sentiriam, liderando um bando de alfaces sem reação no meio da batalha?" foi a pergunta que eu me fiz. Eles não os tratam como números, isso é como o Imperador considera seus soldados, não há respeito, há massificação. Todo aquele preto e branco, um bando de cabeças de bagre, sem espaço para personalidade. Os Jedi deram nomes aos seus colegas mais próximos, Rex, Bly, Cody. Isso dá mais peso ao fato de o Imperador aniquilar tudo isso no final das Guerras Clônicas.

Vocês vão fazer episódios para internet?
David Filoni:
Seria ótimo! Nosso site ficou bem legal e eles estão cuidando muito bem das idéias, uma vez que são grandes fãs da saga também. O que eu pude oferecer como presentes para os fãs foi colocar coisas no filme. Se o espectador ficar realmente atento, vai poder ver algumas coisas escritas em Aurabesh (uma das línguas da galáxia de Star Wars) nas naves de batalha, canhões e até, quem sabe, em alguns capacetes. Uma das gunships dos clones tem uma mensagem bem grande: "Oi,Mãe!" (risos).

Já chegou a usar fantasia? Resposta sincera!
David Filoni:
Nunca tive uma fantasia de stormtrooper, mas já usei uma de Jedi. Lucas fez questão de contar para todo mundo que fui o Mestre Jedi Plo Koon. Foi legal, pois me escondi atrás da máscara, o que foi ótimo.

Agora você está do outro lado da Força, cara! (gargalhadas)
David Filoni:
Não me acho diferente por conta disso. Continuo amando os filmes, respeitando George Lucas e minha opinião sobre os filmes não mudou, na verdade, gosto mais ainda. Essa relação me permite entender melhor as razões por trás dos filmes que eu vi há tantos anos. Meu objetivo agora é me concentrar e tentar colaborar e doar algo de mim da melhor forma possível para um universo que ajudou na minha infância. É uma sensação engraçada notar que a garotada pira quando eu desenho algum personagem para eles, foi a mesma reação que eu tive quando vi as primeiras figurinhas ou algo do tipo. Esses filmes são eternos, felizmente. Poucos são os que conseguem fazer isso.

Falando em influência constante, quanto do Universo Expandido vai afetar The Clone Wars? Os Arc Troopers da microssérie do Cartoon Network ou, quem sabe, os personagens do jogo Republic Commando? Há espaço para essa auto-referência?
David Filoni:
Qualquer coisa vale para recontar essa guerra. Temos algumas versões dos Arc troopers, que saíram de A Vingança dos Sith, então, já havia um precedente no cinema para esse tipo de interação. Capitão Rex era um personagem dos quadrinhos que se chamava Alpha. Chegamos à conclusão de que ele participou de missões com Anakin e Ahsoka. Ficamos com medo de que eles fossem chamados de Esquadrão Classe A, então, George mudou o nome dele para Rex. Mas essa é a mágica de termos a série, pois todos esses personagens podem retornar e, claro, por que não, com participações especiais.

Como artista contribuindo para a saga, quanto você conseguiu colocar desse seu lado "fã"?
David Filoni:
É importante dizer que os roteiros são o nosso ponto forte, uma vez que sabemos da importância da história em si para os fãs. Uma das coisas que eu inclui foi o fato de Plo Koon falar. Ele sempre ficava na dele, mas, agora, ele fala. George foi legal e deixou! (risos) Mas eu não passei meu tempo maquinando algum jeito alucinado de incluir meus desejos pessoais. Plo Koon foi colaboração suficiente e gastamos um mês bolando a voz dele. Ficou bem legal.

Então, ele é grande na série?
David Filoni:
Ah, sim, ele é bem importante! Acostumem-se com a idéia! (gargalhadas!) Ele bota para quebrar!

Vão rolar tantas decapitações na série quanto no filme? Os clones apanham bem, hein?!
David Filoni:
Olha, tentamos não ser mais pesados que o filme, mas, como o último foi para lá de sombrio, temos bastante espaço para cortar umas cabeças ou explodir gente (risos). Não fizemos nada que fuja do estilo de violência de Star Wars. Tudo que acontece ali tem motivo dramático. Não é glorificação da violência, pelo contrário, é mostrar o efeito que algo assim tem ao longo prazo. E nunca podemos deixar de lado que, durante toda a duração das Guerras Clônicas, houve aquela maquinação subliminar iniciada em A Ameaça Fantasma, então, existem outras formas de violência, além de soldados morrendo.

Qual é a maior chave para essa série?
David Filoni:
Ahsoka. Ninguém sabe se ela morre ou não. Temos uma geração de jovens Jedi que cresce muito rápido, então, o que acontece com esses personagens? Ahsoka é uma das chaves, pois seu futuro é incerto. Esse tipo de personagem foi criado para que os fãs fiquem pensando em surtando sobre o que vai, ou não, acontecer. Fiquem de olho em Ahsoka e também em Rex!

Leia as matérias anteriores do nosso correspondente:

  • O Grande Dave: Leia a crítica da novo longa e Eddie Murphy

  • Zack Snyder: Em entrevista, cineasta fala sobre adaptação de quadrinhos para a telona

  • David Duchovny: Astro de Arquivo X conta sobre a rotina na época do seriado


    Quem é o colunista: Fábio M. Barreto adora escrever, não dispensa uma noitada na frente do vídeo game e é apaixonado pela filha, Ariel. Entre suas esquisitices prediletas está o fanatismo por Guerra nas Estrelas e uma medalha de ouro como Campeão Paulista Universitário de Arco e Flecha.

    O que faz: Jornalista profissional há 12 anos, correspondente internacional em Los Angeles, crítico de cinema e vivendo o grande sonho de cobrir o mundo do entretenimento em Hollywood.

    Pecado gastronômico: Morango com Creme de Leite! Diretamente do Olimpo!

    Melhor lugar do Brasil: There´s no place like home. Onde quer que seja, nosso lar é sempre o melhor lugar.

  • Atualizado em 6 Set 2011.

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