Guia da Semana

De volta à brasília amarela

Documentário sobre a banda mais irreverente da década de 90 chega aos cinemas

Foto: Divulgação

O grupo Mamonas Assassinas ficou conhecido pela sua irreverência

Pouco mais de um ano foi tempo suficiente para conquistar o país e permanecer na lembrança de todos, mesmo 13 anos depois de sua morte. O grupo Mamonas Assassinas foi um fenômeno, indiscutivelmente. Por isso, o cineasta Cláudio Kahns acredita que o documentário que produziu sobre o quinteto de Guarulhos levará os eternos fãs para os cinemas de todo o país.

Mamonas, o doc deve estrear ainda esse ano e traz depoimentos de pessoas próximas à banda, vídeos pessoais e muito material inédito, além de um possível longa de ficção, com lançamento previsto para 2010. Conversamos com o diretor que contou detalhes de toda a produção e suas expectativas sobre a estreia. Confira!

Guia da Semana: Quando surgiu a ideia de fazer um documentário sobre os Mamonas Assassinas?
Cláudio Kahns: Surgiu há uns três anos, mais ou menos. Eu entrevistava pessoas da família, amigos, empresários, produtores, todos que estavam em torno dos Mamonas Assassinas para fazer um roteiro do longa de ficção. Aí, resolvi filmar essas entrevistas para fazer um registro. Vendo esse material, achei que editando, de repente, poderia resultar em um documentário. A partir daí, a gente começou a trabalhar essas imagens e coletar material com algumas emissoras de TV, até o filme ficar pronto.

Guia da Semana: Então essas entrevistas viraram depoimentos para o filme?
Cláudio: Exatamente. Eram entrevistas longas e, para fazer, um roteiro você precisa pesquisar. Então, na verdade, isso tudo era um material de pesquisa.

Foto: Divulgação

O documentário conta a vida da banda que fez sucesso meteórico nos anos 90

Guia da Semana: Porque demorou tanto para ficar pronto?
Cláudio: Porque eu comecei a fazer meio sem querer. Estava envolvido em outros projetos e fui tocando o documentário paralelamente. Outro fato que atrasou muito a conclusão do trabalho foi a demora para conseguir todas as autorizações. Levei quase um ano para reunir todos esses documentos.

Guia da Semana: Essa foi a sua maior dificuldade?
Cláudio: Foi a maior dificuldade, porque esse material vem de vários lugares, de várias procedências, da família, de várias emissoras, de amigos, de fãs. Você tem que pegar as autorizações não só das emissoras como também das pessoas que aparecem nas imagens. Por exemplo, se aparece o Faustão, precisa da autorização dele, se aparece o Gugu, precisa da autorização dele. Ou seja, teve que pegar a autorização de todo mundo. Então, demorou.

Guia da Semana: Existe material inédito nessa produção?
Cláudio: Muitos materiais inéditos. Eles se filmavam muito, então existe muita coisa boa que a gente conseguiu usar. Foi surpreendente.

Guia da Semana: Como foi a participação da família dos integrantes?
Cláudio: Fundamental. Eles deram depoimentos e ajudaram muito, em tudo o que eles podiam ajudar. Eles ficaram muito emocionados, principalmente quando rolou a primeira exibição para o público (no dia 4 de julho), em Guarulhos. Tinham mais de 13 mil pessoas. Foi bem emocionante para todo mundo que estava envolvido no projeto.

Foto: Divulgação

Depois de 13 anos da morte chega o documentário com material inédito

Guia da Semana: De quem são os depoimentos no documentário?
Cláudio: Famílias, amigos. O que me surpreendeu muito foram as matérias que eu encontrei. A qualidade das filmagens. Uma surpresa muito boa, por exemplo, são eles jogando futebol com uma câmera, e se filmando nesse momento de lazer. É tão bacana que eu transformei no primeiro plano do filme.

Guia da Semana: Qual é o grande diferencial do documentário para os especiais que passaram na TV durante todo esses anos?
Cláudio: Primeiro, não tinha um documentário de verdade. Tinham algumas filmagens e coisas parecidas, mas documentário mesmo esse é o primeiro. O grande diferencial é o trabalho de pesquisa mesmo, de cuidado. É um trabalho de cinema, não é uma reportagem de uma emissora. Outra coisa, também, é que eu pude usar material de diversas procedências. Por exemplo, a Globo, quando faz uma matéria, faz com o material que ela tem, a Record também, e eu consegui juntar pedaços de matérias de várias emissoras. Acho que esse é o grande diferencial.

Guia da Semana: Quais são as expectativas para o filme? E como vai funcionar o lançamento?
Cláudio: O documentário vai entrar no circuito nacional do cinema ainda esse ano. E, em paralelo, terão projeções fora desse circuito. Tem muitas cidades brasileiras que não têm salas de cinema, e quero levar esse documentário para todos os lugares, assim como os Mamonas conseguiram levar a música deles.

Guia da Semana: O sucesso do documentário, hoje, pode ser diferente do que seria há 13 anos, logo após o acidente?
Cláudio: Ele ficou pronto agora, e eu quero lançar o mais rápido possível. Não sei dizer se agora ou antes ia ou vai alterar alguma coisa. Se eles estivessem aqui, certamente o filme teria outro enredo, com um fim bem diferente.

Guia da Semana: Você acredita que a banda virou um mito na história da música nacional?
Cláudio: Acredito. Eles continuariam aí, porque tinham muito talento. Talvez fazendo as pessoas rirem de outra maneira, talvez fazendo um programa tipo CQC ou Pânico, não sei.


Atualizado em 6 Set 2011.

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