Guia da Semana

Entrevista com David Duchovny

De Los Angeles


Sob intenso clima de mistério e antes mesmo da divulgação do nome oficial do novo filme de Arquivo X, o ator David Duchovny recebeu a imprensa para uma rodada de entrevistas em Santa Mônica. O Guia da Semana marcou presença para conversar com um dos maiores ícones das séries de ficção científica e mistério dos últimos anos. Embora houvesse a proibição para falar sobre o filme, sempre é possível arrancar algum detalhe.

O astro, agora dedicado ao seriado Californication, ainda declara que se o ritmo não for tão pesado quando o da série, pode reprisar Fox Mulder em outras oportunidades. Acompanhe a entrevista!

Fábio Barreto: Qual foi a base para Arquivo-X: Eu Quero Acreditar?
A idéia principal para o caso foi ter algo que pudesse ser separado da série e feito isoladamente. Chris [Carter, criador] e Frank [Sponitz, produtor] estavam meio obcecados em não ter algo repetitivo. Foi em cima disso que o caso surgiu. Chris é um cara meio romântico, então ele criou toda essa coisa do segredo. No fim das contas, não vai funcionar 100%, pois vão haver exibições, pessoas vão comentar, então alguma informação vaza.

E o lance de manter segredo está funcionando?
É parte do processo, mas não é importante para mim o fato de o segredo funcionar ou não. Acho que até agora ninguém roubou o roteiro e colocar na internet, então já me dou por satisfeito.

Por que demorou tanto entre o primeiro filme e esse?
Primeiramente por conta da série ainda ter continuado por mais quatro anos, então ninguém queria passar por aquele excesso novamente. Foi sufocante e ininterrupto: dez meses trabalhando na quarta temporada, depois dois meses filmando o longa-metragem e, sem descansar, mais dez meses para temporada seguinte. Foi uma overdose de Arquivo-X que ninguém queria repetir tão cedo. E quando o a série acabou, em 2002, havia um desgaste natural de todos os envolvidos, especialmente do Chris, que comandou tudo por nove anos consecutivos. Então era normal querermos certa distância, por isso levou uns dois anos para decidirmos reprisar os papéis e mais algum tempo para convencer a Fox para financiar outro filme. Por isso demorou cinco anos desde que a série acabou.

Teremos ETs?
Acho que não, pelo menos não apareceu nenhum quando eu estava filmando (risos). O estilo do filme é muito próximo do começo da série. Depois de tanto tempo, posso dizer que o grande diferencial era o fato de ser uma série assustadora, diferente de qualquer coisa que estava no ar naquele período, e isso promoveu o sucesso. A coisa acabou descambando para uma quase novela sobre Mulder e Scully, mas deu certo logo de cara por ser assustador, afinal, era inspirado em Nightstalker.

E como foi o reencontro entre os personagens?
Bom, Gillian [Anderson] mudou para a Inglaterra para fugir de mim, com certeza! (risos). Seguimos nossas vidas, mas confesso que foi estranho quando fizemos uma leitura do roteiro. Deu aquela sensação de "isso é um erro, não vai dar certo". A ficha caiu mesmo no primeiro dia de filmagens, com os figurinos e tudo montado. Ainda bem! De qualquer forma, sempre funcionou bem entre nós, então não precisamos fazer nenhum grande esforço.

Por falar em esforço, todo esse trabalho para esconder o roteiro envolve divulgar informação errada também? Tem gente com idéias malucas como, por exemplo, Mulder e Scully serem uma mesma pessoa?
Que? Mesma pessoa? Será que sou hermafrodita? (gargalhadas). Como algum tipo de lagartixa? Engravidou a ele mesmo? Acho que podemos inventar umas teorias legais aqui mesmo, aí a gente conta para os outros, que tal? Enfim, se tem alguém confundindo a cabeça dos fãs, não sou eu. Pode ser uma boa idéia gerar a desinformação, pois quando essa idéia chega a público, até mesmo a verdade pode soar com invenção e ninguém saberá ao certo até a estréia do filme.

E onde está a verdade no meio disso tudo?
Lá fora, oras! (risos). Ok, eu sei que isso não torna o seu trabalho muito fácil e divertido, mas não foi idéia minha esconder absolutamente tudo.

Você gosta mais de Hank do que Mulder?
Não, não existe mais ou menos. Gosto do cronograma de filmagem e da estrutura de Californication. Não fico sentindo que vou morrer de cansaço no final da temporada. O que eu gosto é o fato de ser desafiador fazer uma comédia. Tem que ser engraçado, senão fica uma porcaria. Quando o objetivo é fazer um drama de ficção científica, há mais possibilidades envolvidas. Pode ser nojento, aterrorizante, misterioso, enfim, vários caminhos. Então o que acontece em Californication é que passamos todos os dias tentando ser engraçados e garantir autenticidade a essas situações. Isso gera certa tensão e eu gosto disso.

Sua esposa gostou da idéia de te ver interpretando um sujeito como o Hank?
Bom, gostamos do mesmo tipo de comédia, mas foi uma coisa de feeling. Téa [Leoni] leu e não gostou muito da idéia, achou o Hank soturno demais, que ninguém gostaria muito dele e tal. Mas eu senti alguma coisa a respeito dele que me fez insistir. Embora ele pareça um idiota e faz muita bobagem, ele tenta fazer coisas boas, sempre tem um objetivo bom e isso me chamou a atenção.

Seus filhos sabem o que você faz da vida? Que você aparece pelado na TV uma vez por semana?
(risos) Eles sabem que sou um ator, que dirijo e escrevo. Mas eu também digo a eles que sou jogador profissional de tênis! Acho que eles acreditam mais nisso! (gargalhadas).

O que essa tatuagem quer dizer?
Está escrito AYSF. É um laço de matrimônio, mas é pessoal. Entretanto, minha mulher tem uma igualzinha e ela conta para todo mundo o que significa! (risos).

O processo que os Red Hot Chilli Peppers [que tem um álbum chamado Californication] moveram contra a série causou muita surpresa?
Claro que sim! Sempre é uma surpresa quando alguém te processa! (gargalhadas). Aliás, em que pé ficou isso? Quem ganhou? Vejamos, é só uma palavra, não faz sentido isso. Quem eles pensam que são? Eles não inventaram. Aliás, eu adoraria possuir algumas palavras. Processaria todo mundo! (risos).

Você faria mais algum trabalho como Fox Mulder depois desse filme?
Contando que eu não precise ficar dez meses enfurnado num mesmo ambiente, tenha tempo para fazer outras coisas como atuar e dirigir e cuidar da minha família, eu adoraria! O importante aqui é existir um espaço.

Ter tantos fãs modifica o processo de realização de um filme como esse? Existiu algum comprometimento claro no sentido de fazer algo sob medida e atendendo as expectativas dessas pessoas?
Sem dúvida nenhuma houve esse comprometimento, essa vontade de homenagear todas essas pessoas. Somos muito gratos a eles. Bom, depende de como eles receberem o filme. Se não gostarem, danem-se! (gargalhadas). Brincadeira! O importante é garantir que exista muito respeito e honestidade em relação aos conceitos que cativaram os fãs desde o início da série. Esse pensamento sempre existiu e, claro, ficou mais forte lá pela sexta temporada, quando a Internet passou a fazer um papel importantíssimo na ligação dos fãs com a gente. O que não podemos fazer é tentar agradar, focar a atenção nesse pessoal e perder a identidade no processo. Eles aprenderam a gostar de um programa que falava sua própria língua, logo deve permanecer assim.

Qual diferença você sentiu entre a direção de Rob Bowman e a de Chris Carter, comparando os dois filmes?
Mesmo não sendo ele na direção, Chris esteve muito presente no primeiro filme. Agora, então, ele estava em todo lugar e não era uma boa idéia deixar de obedecer o que ele dizia. Sujeito mal! (risos).

Leia as matérias anteriores do nosso correspondente:

  • A noite cai sobre Gotham: Leia a crítica da nova aventura de Batman

  • Viagem ao Centro da Terra: Confira a crítica do longa-metragem

  • Los Angeles Film Festival: Leia um balanço sobre o evento que agitou a cidade


    Quem é o colunista: Fábio M. Barreto adora escrever, não dispensa uma noitada na frente do vídeo game e é apaixonado pela filha, Ariel. Entre suas esquisitices prediletas está o fanatismo por Guerra nas Estrelas e uma medalha de ouro como Campeão Paulista Universitário de Arco e Flecha.

    O que faz: Jornalista profissional há 12 anos, correspondente internacional em Los Angeles, crítico de cinema e vivendo o grande sonho de cobrir o mundo do entretenimento em Hollywood.

    Pecado gastronômico: Morango com Creme de Leite! Diretamente do Olimpo!

    Melhor lugar do Brasil: There´s no place like home. Onde quer que seja, nosso lar é sempre o melhor lugar.

  • Atualizado em 6 Set 2011.

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