Guia da Semana

Megamente

Com ritmo ágil e humor inteligente, o filme mostra que às vezes é mais fácil simpatizar com os vilões malvados.

Foto: Divulgação


A Disney/Pixar ainda pode ser considerada a grande detentora dos grandes sucessos de animação computadorizada (especialmente após o boom do 3D em 2010), mas a Dreamworks, quando acerta, deixa crianças e adultos com um sorriso largo no rosto. Foi o caso de Megamente ( Megamind, EUA, 2010), animação que chega para manter o legado de ótimos longas do estúdio, responsável por pérolas como os dois Madagascar (2005 e 2008), o surpreendente Kung Fu Panda e o insuperável ogro Shrek, que ganhou quatro filmes (2001, 2004, 2007 e 2010).

A vida nunca foi muito justa com Megamente, um ser azul e de olhos verdes que foi enviado para a Terra depois de um colapso em seu planeta de origem. No meio do trajeto, sua cápsula colide com o de outro bebê com superpoderes, que viria a se tornar Metro Man, o seu grande rival por poder e sucesso. Enquanto Metro Man sempre ganhou atenção de todos, sendo o ícone de egocentrismo e charme, Megamente sempre foi o diferente, o excluído, aquele cuja sorte esqueceu em diversos momentos.


Já adultos, os dois disputam o poder na cidade Metrocity, mas, quando Megamente finalmente consegue derrotar Metro Man, o vilão sente-se sozinho, sem ter com quem combater. Assim, tenta gerar um novo super-herói para acabar com seu tédio e perpetuar sua jornada em busca da disputa pela cidade. O problema é que, acidentalmente, o destino escolhe o insuportável cinegrafista Hal (Jonah Hill), um melancólico jovem apaixonado pela bela Roxanne (Tina Fey), repórter da TV local. Porém, Megamente descobre que Titan terá maior vocação para a vilania do que para o bem e será capaz de destruir até mesmo a bela jornalista, pela qual ambos estão apaixonados.

Nesta trama de um supervilão sem um super-herói, Megamente é recheado de referências, bebendo da fonte de obras como Superman e Frankenstein. Com direção de Tom McGrath (dos dois Madagascar), o filme tem um ritmo extremamente ágil e um humor inteligente, que fazem com que torçamos para o vilão, extremamente carismático e empático. A empatia, claro, se dá por conta de seus traumas de infância. Afinal, quem nunca foi ofuscado por alguém no colégio ou se sentiu diferente de alguma forma durante a vida? A diferença é que Megamente passou por essas situações durante toda sua vida e sempre usou da maldade para conquistar seu lugar ao sol.

A estética de Megamente lembra muito os cabeçudos extraterrestres de Marte Ataca!, de Tim Burton. Tendo como eterno aliado o grande amigo Criado (David Cross), um peixe alienígena que vive dentro de uma redoma, Megamente passará por muitas aventuras para tentar salvar Metrocity, conquistar o coração da bela Roxanne e, claro, escolher entre o Bem e o Mal. Entre cenas de ação de tirar o fôlego - e muito bem criadas e dirigidas - Megamente traz uma trilha propícia (de Lorne Balfe e Hans Zimmer), além de clássicas canções de Ozzy Osbourne, Gun N´Roses e AC/DC. Até a clássica romântica Loving You, de Minnie Riperton, grande marco dos anos 70, ganha força no filme, em situações que, certamente, arrancarão risos da plateia.

Como temos observado em quase todas as animações, Megamente não é apenas uma história de Bons versus Maus, mas, sim um aprofundamento nas questões de aceitar o diferente e observar como, nem sempre, algo ou alguém é como se acredita que é. Além disso, observar o jeito desengonçado e irônico de Megamente é um deleite para os espectadores. Afinal, convenhamos, nem sempre o mocinho merece a atenção dos holofotes, e isso fez com que Megamente se tornasse um dos vilões mais adoráveis do cinema.


Leia as colunas anteriores de Leonardo Freitas:

O garoto de Liverpool


José e Pilar

Reaprendendo a viver


Quem é o colunista: Um jornalista aficionado por cinema de A a Z.

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Melhor lugar do Brasil: Qualquer lugar, desde que eu esteja com meus amigos.

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Atualizado em 6 Set 2011.

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