Guia da Semana

O último cowboy americano

Com 78 anos de idade e 54 anos de profissão, Clint Eastwood anunciou sua última atuação em Gran Torino. Saiba um pouco mais sobre a trajetória de um dos maiores ícones do cinema


A arma na mão, o inseparável poncho e o chapéu fizeram parte dos personagens vividos por Clint Eastwood na década de 60 e 70

Ele ficou famoso nos anos 70, com sua tradicional cara fechada e pistola em punho. Quem diria que dos westerns caricatos, esse ator marcaria as décadas seguintes abordando temas polêmicos e profundos da cultura norte-americana? Assim foi a trajetória de Clint Eastwood, que ao abandonar sem remorsos a fama de durão, apostou na sensibilidade de longas dramáticos, transformando-se em um dos mais importantes cineastas americanos em atividade, ao lado de nomes como Francis Ford Coppola, Woody Allen e Martin Scorsese.

Em cena

A carreira como ator começou em papeis de menores, enquanto ainda divida o mundo artístico com o emprego em uma siderúrgica. Embora natural da Califórnia, foi descoberto pelo cinema italiano - os produtores Arrigo Colombo e Giorgio Papi o consideraram ideal para estrelar o anti-herói de Por um punhado de dólares (1964), clássico do gênero western spaghetti. Após o sucesso nas telas, o diretor Sergio Leone deu seqüência à película, na chamada Trilogia dos dólares. "Eu gosto do Clint Eastwood porque ele tem somente duas expressões faciais. Uma com o chapéu e outra sem ele", comentou na época.

Após despontar no gênero, Eastwood passou a participar de produções hollywoodianas, com personagens que se transformaram em clássicos do cinema, virando referências de músicas, desenhos animados e até filmes de outros diretores. Um dos mais célebres é o violento policial Dirty Callahan, de Perseguidor Implacável (1971), inspirado no detetive Dave Toschi. Mas mesmo com o dinheiro e a fama das atuações, ele já começava a desenvolver projetos na área que se tornaria sua maior fonte de satisfação profissional: a direção.


Luz, câmera, ação


Clint Eastwood foi premiado como diretor, ator e produtor no longa Menina de Ouro

Entre seus trabalhos por trás das câmeras, o primeiro de grande destaque foi Bird (1988), longa sobre a vida do saxofonista Charlie Parker. Apesar de encher as salas, o reconhecimento da Academia viria somente com Os Imperdoáveis, em 1993. Em entrevista para a revista Esquire, Clint apontou o filme como o enterro de um estilo. "Parecia que era o fim da estrada para mim com o gênero, uma vez que poderia resumir tudo que sentia sobre o ocidental nesse momento".

Desde então, passou a investir em um estilo cinematográfico peculiar. Com temas obscuros, personagens marginais e uso simples da câmera, ele costuma não desperdiçar tempo ou dinheiro, em produções de baixo orçamento. Após as gravações, Sean Penn, estrela de Sobre Meninos e Lobos (2003), satirizou o modo como suas produções são conduzidas. "Se tivesse dois segundos para descrever como ele faz um filme, diria que são uns movimentos com as mãos e no ato seguinte o filme está feito".

O mesmo estilo pesado e sisudo (assim como em suas interpretações), pode ser constatado em outros clássicos como As Pontes de Madison (1995), a Conquista da Honra (2006), Cartas de Iwo Jima (2006) e A Troca (2008).

Mas não há como falar de sua carreira como diretor e deixar de fora Menina de Ouro (2004) que provou que o antigo cowboy não tinha perdido o equilíbrio entre dureza e sensibilidade. O filme recebeu o Oscar de melhor filme e direção. Ao ser questionado sobre a dramaticidade mais exposta, o ator respondeu em tom de brincadeira: "Eram os meus personagens que saíam atirando por aí. Eu pessoalmente nunca dei um tiro em ninguém".

Despedida


Em seu último filme como ator, Walt Kowalski encontra o sentido da amizade e prepara o público para a sua ausência

Após ter declarado aposentadoria como ator, os fãs ainda podem conferir Clint interpretando Walt Kowalski, em Gran Torino (2008), longa no qual também assina a direção. O enredo não poderia ser mais característico: um recém viúvo, veterano de Guerra e metalúrgico aposentado, vivendo em um bairro em Detroit, onde a maioria dos vizinhos passou a ser imigrantes orientais. O personagem xenófobo, ranzinza e arrogante, aprende aos poucos a conviver e respeitar outras culturas.

Com este último papel, o cineasta mostra que diferente do inescrupuloso Dirty Harry do começo da carreira, o homem amargo, de sobrancelhas cerradas e que cospe no chão, esconde uma camada de humanidade admirável dentro de sua aspereza. Um bom ponto final para a imagem de um ator que soube envelhecer com classe.

Fotos: reprodução

Atualizado em 10 Abr 2012.

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