Guia da Semana

Onde tudo começou... inclusive a comédia!

Mamutes, homens das cavernas e tigres gigantes fazem parte do novo surto visual de Rolland Emmerich em 10,000 a.C.

De Los Angeles


É inegável. O alemão Roland Emmerich é o rei do cinemão pipoca. Mas, como todo monarca, ele comete seus exageros e um deles é o atual 10.000 a.C., um épico pré-histórico que procura contar a gênese das grandes histórias e aventuras. No final da última Era Glacial, uma pequena tribo de caçadores é atacada por cavaleiros "demoníacos", que capturam a bela Evolet (Camilla Belle). Como o caçador D´Leh (Steven Strait) é apaixonado pela beldade desde garoto, lá vai ele resgatar seu amor. E todo o resto das lendas da Humanidade nasce dessa jornada.

A proposta de 10.000 a.C. era bem válida: contar a gênese da aventura. O famoso conceito de "garota é raptada, garoto apaixonado parte numa jornada para resgatá-la" está em questão aqui. Mas imaginar que tudo seria facilmente aceito por conta dessa alegação de "ser original e nunca feito antes", parece ser o maior deslize do roteiro, assinado por Emmerich e o compositor Harald Kloser. Emmerich é um sujeito extremamente visual, por isso acaba dedicando muito de sua criatividade para elaborar cenas grandiosas, deixando, no entanto, o roteiro em segundo plano. Para esse filme, ele construiu uma rampa gigantesca e contratou milhares de extras para aumentar o nível de realismo, mas se esqueceu de dar força dramática a tudo isso.

Seus filmes anteriores não sofriam tanto com isso, pois as histórias colaboravam e permitiam a identificação com certas situações ou personagens. Neste caso, não. Os homens e mulheres pré-históricos de 10.000 a.C. não permitem um vínculo real com o público, que os vê com distanciamento suficiente para perceber incongruências e semelhanças com toda a produção cinematográfica de aventura das últimas três décadas. Isto é, parece com tudo, mas não tem seu próprio diferencial positivo.

É inevitável dizer que: os cavaleiros demoníacos são idênticos aos homens de Tulsa Doom em Conan - O Bárbaro; o trajeto de D´Leh ao unificar várias tribos para derrubar um tirano se parece com o do Escorpião-Rei, na cinessérie A Múmia; os cenários egípcios saíram direto de Stargate; e a ressurreição saiu de qualquer filme em que um personagem principal é salvo pelo "espírito" de alguém que se sacrifica. Contudo a tese de Emmerich e do roteiro é que todas essas histórias teriam saído de uma mesma origem, de uma mesma lenda, de um mesmo acontecimento, que, por acaso, é retratado em 10.000 a.C.

Talvez o roteiro soe original e nunca retratado para uma criança que não respirou filmes de ação e aventura desde os prolíficos anos 80 e viu o próprio Emmerich trabalhar vertentes desse conceito "original" à exaustão. O diretor sempre defende o retrato da luta desigual, da vitória do menos afortunado, da derrubada do poder opressivo e violento - pelo uso da própria violência, aliás. Aqui não há nada de muito diferente e, absolutamente, nada de novo.

Outra marca registrada de Emmerich é colocar algumas piadas pontuais para quebrar a tensão ao longo de seus filmes. Com isso, vimos Heath Ledger ficar com a boca azul em O Patriota e Will Smith chamar o ET de Independence Day de "muito feio", por exemplo, mas, desta vez, as piadas funcionam para uma coisa: liberar o constrangimento passado pelo filme.

Sob a égide de ter inspirado todas as demais, a narrativa desse deslumbre visual soa tola e ingênua, provocando risadas e transformando a obra, praticamente, numa comédia acidental.

Entretanto pode se entender tudo com bom-humor, deixar de esperar qualquer coisa elaborada e entrar na onda dos caçadores que se tornam guerreiros por causa de infindáveis lendas e profecias - cada povo apresentado ao logo da jornada tem uma delas e todas envolvem os personagens principais. Bonito é, dá para rir bastante e todo mundo vai esquecer em alguns meses. Clássico garantido na Tela Quente ou seria Sessão da Tarde?

  • Veja também a entrevista com o protagonista do filme, Steven Strait

    Foto: Divulgação

    Leia as outras críticas do nosso correspondente:

  • Jogos do Poder

  • Juno

  • Senhores do Crime


    Quem é o colunista: Fábio M. Barreto adora escrever, não dispensa uma noitada na frente do vídeo game e é apaixonado pela filha, Ariel. Entre suas esquisitices prediletas está o fanatismo por Guerra nas Estrelas e uma medalha de ouro como Campeão Paulista Universitário de Arco e Flecha.

    O que faz: Jornalista profissional há 12 anos, correspondente internacional em Los Angeles, crítico de cinema e vivendo o grande sonho de cobrir o mundo do entretenimento em Hollywood.

    Pecado gastronômico: Morango com Creme de Leite! Diretamente do Olimpo!

    Melhor lugar do Brasil: There´s no place like home. Onde quer que seja, nosso lar é sempre o melhor lugar.

  • Atualizado em 6 Set 2011.

    Compartilhe

    Comentários

    Outras notícias recomendadas

    Mais de 20 fotos inéditas de "Transformers: O Último Cavaleiro" vazam na internet; confira

    Próximo longa da franquia estreia em junho de 2017

    "O Círculo": Suspense com Tom Hanks e Emma Watson ganha primeiro trailer

    Em 2017, os atores vão se encontrar nas telonas pela primeira vez

    Após polêmica, Bernardo Bertolucci desmente estupro em "Último Tango em Paris"

    Diretor julgou repercussão como um "mal-entendido ridículo"

    "Guardiões da Galáxia Vol. 2" tem o trailer mais assistido da história da Marvel

    Continuação do longa de 2014 chega aos cinemas em abril de 2017

    "Sully - O Herói do Rio Hudson" ganha nova data de estreia no Brasil

    Filme em que Tom Hanks evita acidente aéreo teve lançamento adiado após tragédia com Chapecoense

    Apresentador Jimmy Kimmel comandará o Oscar 2017

    Notícia foi confirmada pela revista Variety