Guia da Semana

Por Tutatis, Asterix fez de novo!

Asterix nos Jogos Olímpicos estréia com o mesmo bom-humor dos filmes anteriores e é feito sob medida para fãs do personagem

De Los Angeles


Todo o estilo que cativou os fãs das histórias em quadrinhos estreladas por Asterix e Obelix continua presente no terceiro longa-metragem da dupla: Asterix nos Jogos Olímpicos. Desta vez, os gauleses seguem para a Grécia e misturam comédia, romance e, claro, muita ação, afinal de contas, onde há romanos e Obelix, há safanões à vontade! Para completar, uma série de participações especiais conta Alan Delon, Zidane e, até mesmo, Michael Schumacher.

Porém é justamente no elenco que o filme encontra seu maior desafio. O competente Christian Clavier deixou o papel de Asterix e quem assumiu a responsabilidade foi Clovis Cornillac, recentemente visto no Top Gun francês Cavaleiros do Ar. A naturalidade com que Clavier construiu o personagem (traço marcante em seus melhores trabalhos como Napoleão e Os Miseráveis) se perde no esforço de Cornillac em parecer engraçado. Não prejudica o filme, mas quebra um pouco o encanto dos anteriores. Seria o mesmo que trocar o obeso e hilário Gerard Depardieu.

Apaixonix se apaixona pela apaixonante e apaixonada princesa da Grécia e vai até lá pedir a mão da beldade em casamento, mas descobre que Brutus - a criatura mais desprezível, patética e incompetente do Império Romano - também deseja se casar com a princesa, claro, usando seu tempo extra, já que seu principal objetivo é tentar matar o pai, Julius Cesar. Para o papel do ícone romano nada melhor que um ícone do cinema. Alan Delon cativa e consegue inserir ótimas doses de comédia em seu imperador narcisista - Ave, Eu! - e desconfiado.

Para realizar o sonho de Apaixonix, os gauleses precisam vencer os Jogos Olímpicos, afinal a princesa se casará com o vencedor. Apaixonix não tem o espírito guerreiro de Asterix e Obelix, mas precisa lutar por seu amor. Do outro lado, porém, estão os esquemas, falcatruas e subornos de Brutus. É uma trapalhada atrás da outra, enquanto os jogos vão acontecendo. Tudo, claro, reflete o atual momento do esporte, com direito a exame antidoping capaz de detectar os efeitos da poção mágica dos gauleses.

A história de amor vai se desenvolvendo nos bastidores e sobra até mesmo para Ideiafix, que se apaixona pela cadelinha real. No meio de tudo isso, a inocência de Obelix vai sendo testada enquanto ele tenta - em vão, na maioria das vezes - se mostrar um sujeito delicado e não agredir as pessoas, afinal, ser mais forte não significa que você possa dar safanões em qualquer um.

Assim como nos quadrinhos de Uderzo, Asterix e Obelix usam e abusam dos improvisos para resolver seus problemas - esportivos e sentimentais -, o que confere ao filme um bom ritmo e gargalhadas ininterruptas para seus fãs, sem, porém, resultar numa obra de nicho. Depardieu, novamente impecável como o viciado em javalis, consegue manter o clima mesmo sem mencionar nenhuma vez o "desejo de tomar a poção". Aliás, decisão acertada do roteiro, que preferiu não arriscar a cair na mesmice e ampliar os horizontes de seus personagens.

Para fechar com chave de ouro, uma corrida de bigas. Entre os países disputando a competição está a Germânia. Quando o "veículo" alemão é apresentado, começa o show. Um vermelho chamativo e linhas aerodinâmicas são apresentadas por uma pequena mão que vai deslizando por seu "bebê". É Jean Todd, líder da escuderia Ferrari! Precisa dizer quem é o piloto? Michael Schumacher, que dá um show de bola na pista e com direito a pit stop!

Asterix nos Jogos Olímpicos é uma bela e simpática resposta à preocupação de Hollywood - e dos fãs - com as adaptações de quadrinhos e sua fidelidade, a resposta de que o trabalho pode ser feito com qualidade e sem grandes melindres vem da Europa. Talvez o fato de Asterix e Obelix terem um tipo diferente de aficionado, aquele que não está nem aí para o formato da pena do capacete do Asterix - contanto que seja branca! - ou para o que Obelix diz ou deixa de dizer. O importante é se divertir, entrar no clima e ver os romanos voando depois das bofetadas. Por Tutatis!


Quem é o colunista: Fábio M. Barreto adora escrever, não dispensa uma noitada na frente do vídeo game e é apaixonado pela filha, Ariel. Entre suas esquisitices prediletas está o fanatismo por Guerra nas Estrelas e uma medalha de ouro como Campeão Paulista Universitário de Arco e Flecha.

O que faz: Jornalista profissional há 12 anos, correspondente internacional em Los Angeles, crítico de cinema e vivendo o grande sonho de cobrir o mundo do entretenimento em Hollywood.

Pecado gastronômico: Morango com Creme de Leite! Diretamente do Olimpo!

Melhor lugar do Brasil: There´s no place like home. Onde quer que seja, nosso lar é sempre o melhor lugar.

Atualizado em 10 Abr 2012.

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