Guia da Semana

“Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola”: o humor pastelão vai ao Velho Oeste

Seth MacFarlane dirige comédia com elenco recheado, mas com roteiro ofensivo e pouco engraçado

Há quem diga que gosto não se discute, mas é preciso rever seus conceitos de humor quando as piadas de que se ri são ofensas gratuitas a negros, índios, anões e mulheres, em pleno século XXI. “Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola”, de Seth MacFarlane, pode ser ambientado no Velho Oeste, mas seu público (ou a maior parte dele) não parou no tempo.

A comédia foi lançada em maio nos Estados Unidos e chega ao Brasil com atraso, tendo trocado de distribuidora após o fracasso nas bilheterias domésticas. O elenco impressiona: Charlize Theron, Amanda Seyfried, Liam Neeson e Neil Patrick Harris estão em papéis centrais, enquanto Ryan Reynolds e Ewan McGregor fazem as vezes de figurantes. Até Jammie Fox e Christopher Lloyd (numa das únicas piadas realmente engraçadas do filme) fazem pontas – um luxo que só atores que dirigem seus próprios filmes conseguem ter.

A história é simples: um pastor (MacFarlane), acostumado a ser um perdedor em tudo, conhece uma pistoleira (Theron) que o ensina a ter mais coragem e confiança, até que ele finalmente realiza um ato heroico e é reconhecido pela cidade e pela ex-namorada (Seyfried) como um grande homem.

No caminho, conhecemos o casal formado por Giovanni Ribisi e Sarah Silverman: ela é uma prostituta, mas não quer transar com ele até o casamento, e ele aceita a situação passivamente. As piadas mais desagradáveis perseguem esses dois.

Theron interpreta Anna, a esposa de um assassino chamado Clinch Leatherwood (Neeson, numa sátira constrangedora dos personagens valentões de Clint Eastwood). Apesar de ser melhor atiradora do que qualquer um dos homens à sua volta, ela não consegue evitar ser a “garota em perigo” perto do final, em mais uma solução preguiçosa num roteiro cheio de clichês.

Se o último sucesso de MacFarlane, “Ted”, abusou de piadas comportamentais sobre sexo, amizade e a essência infantil de alguns homens, este se apoia num humor mais pastelão, com direito a drogas alucinógenas, laxantes e muita violência física.

Entre um duelo e outro, entendemos o título original (Um Milhão de Maneiras de Morrer no Oeste), mas não a versão brasileira: seria para deixar ainda mais claro ao público qual tipo de piada esperar? Se for essa a intenção, funciona. O pior tipo.

Assista se você:

  • Gosta de humor pastelão
  • Gosta de humor politicamente incorreto
  • É fã de Seth MacFarlane

Não assista se você:

  • Não gosta de humor pastelão
  • Não gosta de humor ofensivo
  • Não quer ver bons atores em papéis embaraçosos

Atualizado em 20 Set 2014.

Por Juliana Varella
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