Guia da Semana

A voz da comunidade

O jovem Rene foi o convidado de honra da mesa que discutiu a influência da internet na vida dos adolescentes

"A geração interativa" foi o tema do debate que aconteceu no palco principal da Campus Party. O convidado de honra foi Rene Silva Jr., o jovem de 17 anos morador do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, que ficou conhecido por noticiar via Twitter a invasão da Polícia Militar carioca para expulsar os traficantes que moravam na região. Além dele, os debatedores Ivelise Fortim, psicóloga e professora da PUC-SP; Volnei Faustini, consultor e autor do livro "Filhos seguros, pais tranquilos", sobre a segurança na internet; Luciana Cavalini, especialista de Responsabilidade Social Corporativa da Telefônica, e Priscila Gonsales, responsável pela coordenação do Programa EducaRede Brasil, completaram a mesa.

O que chamou a atenção dos debatedores - e também, especialmente, no resto do mundo - foi  saber que um adolescente engajado com sua comunidade tomou a iniciativa de mostrar para quem não mora no Morro do Adeus, uma das 14 comunidades que formam o Complexo do Alemão, como a população via a operação da Polícia e o que acontecia por lá. De dois mil seguidores, hoje ele tem mais de 44 mil.

Essa  vocação para o jornalismo surgiu quando Rene tinha apenas 11 anos, ao tentar ingressar na equipe do jornal da escola onde estudava. "Foi difícil porque eu era muito novo, e eles só aceitavam quem tinha mais de 13 anos", disse. Ele conseguiu e, dois meses depois, montou a primeira edição do Voz da Comunidade, o jornal da região em que morava, para mostrar à população local o que acontecia. "A linguagem dos jornais grandes é empresarial. A gente procura usar uma forma de se comunicar mais próxima do povão mesmo, como o 'tá ligado?'".

Foi isso que fez o jornal crescer em número de leitores e de notícias que chegavam até eles. Hoje, o Voz da Comunidade tem uma equipe de cinco pessoas - ainda mais jovens que Rene -, que se revezam na cobertura das notícias de acordo com o horário escolar de cada um.  "O que o pessoal da manhã não conseguia fazer, deixava tudo pronto para a turma da tarde", disse.

Os traficantes do morro, curiosamente, não interferiram no trabalho dos jovens jornalistas - pelo contrário, eles os encorajavam. "Eles entraram em contato comigo e disseram para a gente continuar e dizer para as pessoas não entrarem nessa vida". Com o sucesso que seu jornal conseguiu, outros periódicos surgiram na comunidade - criados por adultos.  "E depois que ficamos conhecidos, mais gente criou contas no Twitter e também conta o que acontece na rua onde moram".

Por outro lado, muitas pessoas duvidavam que alguém tão jovem como René pudesse estar por trás de um perfil com tantos seguidores e com tanto sucesso. "Passei a não responder mais às pessoas que não acreditavam na gente. Foi só depois que aparecemos na televisão que conseguimos mais credibilidade". Hoje, entre seus 44 mil seguidores, a maioria é de internautas de fora da comunidade, até do Brasil. "É engraçado porque quando eu falo 'bom dia' para um seguidor, ele me fala 'boa noite'. O cara mora na Austrália, no Japão", diz.

Atualizado em 6 Set 2011.

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